Ensino Superior

NEFLUC e CFI dizem “STOP” à violência em contexto académico

Sam Martins

Conhecimento de estatísticas é “arrasador”, confessa estudante de Turismo. Feedback positivo pela existência de debates sobre estes temas é salientado por Daniela Sofia Neto. Por Sam Martins

No contexto da Semana Stop, o Núcleo de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra da Associação Académica de Coimbra (NEFLUC/AAC) e o Coletivo Feminista Independente promoveram o debate entitulado “A violência no contexto académico”. Ocorreu hoje, pelas 18 horas no Anfiteatro III da FLUC, o último debate desta iniciativa. A sensibilização teve a presença da Associação de Apoio à Vítima (APAV), a Secção de Defesa dos Direitos Humanos da Associação Académica de Coimbra (SDDH/AAC), assim como da Doutoranda Daniela Sofia Neto.

A convidada refere que a existência destes debates é um “bom sinal”, pois, na sua dissertação de mestrado, alertou para a “ausência de eventos como este”. Acrescenta ainda que assédio sexual é um tópico “com dados avassaladores”, uma vez que “mais de 90% das mulheres da UC já foram assediadas”.

O debate iniciou com uma apresentação de Inês Bastos, psicóloga e assistente da APAV, que expôs dados estatísticos sobre a violência no namoro. Terminou com um teste à relação amorosa do público presente na sala, com o intuito de consciencialização do que é violência. A segunda intervenção foi de Daniela Sofia Neto, que justificou a escolha do tema e explicou a metodologia de recolha de dados. Finalizou com as conclusões retiradas da mesma: alteração de comportamentos de assédio em contexto de pandemia. A última exposição foi de Ana Ferreira da SDDH/AAC, na qual foi salientada a importância do debate promovido, referida a desigualdade salarial entre géneros, e o aumento feminização da pobreza.

No término desta atividade, Ana Frazão e Catarina Oliveira, alunas de Ciências de Informação e Turismo, defendem que é “um tema que cada vez mais tem de ser debatido”. Realçam também que “abre horizontes”, pois existe uma “falta de noção do que acontece, apesar do contacto constante com estas realidades”. A aluna de Turismo afirma que retira desta atividade “conhecimento”, uma maior perceção das estatísticas e a impressão que “as histórias debatidas, os testemunhos contados, são arrasadores”. Já Gustavo Nunes, mestrando de Política Cultural Autárquica, acredita que o assunto discutido deve ser “exposto no plano nacional” e que “é aqui que começam as discussões”. Acrescenta que “é importante ter conhecimento das diversas situações que podem acontecer numa sociedade” e “urge começar a respeitar e implementar esse conhecimento nas estruturas e entidades que nos rodeiam”.

A sessão terminou com um agradecimento de Inês Simões, membro do Movimento Coletivo Feminista Independente, ao NEFLUC/AAC pela iniciativa. A presidente do núcleo, Madalena Santos, ressalta a importância da presença das associações envolvidas na dinamização da Semana STOP. A iniciativa está a decorrer até dia 25 de novembro e vai ser concluída com a recolha de bens de higiene feminina. Madalena Santos destaca a participação na recolha de bens de higiene feminina como “um dos pontos importantes desta semana” e convida todos a “participar o mais ativamente possível, independentemente das atividades dinamizadas pelo NEFLUC”. Apesar de estar anunciado, o núcleo LGBTI, da rede ex aequo, não compareceu no evento.

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