Ciência & Tecnologia

Dia Internacional da Matéria Escura motiva palestra do RÓMULO

Gustavo Eler

Paulo Brás diz que apenas cinco por cento do universo é conhecido.  Detetor de matéria escura foi construído com ajuda de investigadores portugueses. Por Gustavo Eler e Patrick Pais

No dia 31 de outubro, o Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (UC) sediou uma palestra em comemoração ao Dia Internacional da Matéria Escura. O evento foi promovido pelo RÓMULO – Centro de Ciência Viva da UC e pelo Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP) e contou com a presença de Paulo Brás, professor auxiliar convidado da UC e investigador do LIP, como palestrante.

A sessão iniciou-se com uma explicação da definição do universo. Segundo Paulo Brás apenas cinco por cento de todo o universo é conhecido, enquanto a restante parte é divida entre matéria e energia escuras. Neste sentido, o investigador ainda disse que o Dia Internacional da Matéria Escura ser justamente nos dias das bruxas, representa o maior medo do físico: o medo do que “não sabes”.

Durante a primeira metade, o principal tópico discutido foi a definição do que é matéria escura. De acordo com o docente, o termo remete a uma forma de matéria que “não emite, reflete ou absorve radiação” e ainda se mantém “estável” no tempo de vida do universo. A existência dessa massa ainda não foi comprovada, mas como refere o palestrante, “não sabe-se ao certo o que é, mas sabe-se o que não é”. No entanto, sugere que existam certas partículas subatômicas que possam ocupar este cargo.

A segunda parte da palestra voltou-se para o detetor chamado de Lux-Zeplin (LZ) que tem como objetivo principal encontrar provas que confirmem a existência da matéria escura. O projeto está situado a 1,5 mil metros de profundidade, em uma mina de ouro no Dakota do Sul, Estados Unidos da América.

O LZ foi construído com a colaboração de 250 cientistas e investigadores de diversos países, como Estados Unidos, Reino Unido, Coreia do Sul e Portugal, que incluiu uma equipa de nove estudantes e investigadores de Coimbra. Em julho deste ano, dois meses após sua inauguração, foram publicados os primeiros resultados. Mesmo apesar de não confirmarem a existência de matéria escura, Paulo Brás acredita que foi um progresso muito importante para a comunidade científica. “É um passo médio, porque não foi encontrado nada”, no entanto também “não é uma etapa pequena, porque conseguiu-se perceber que o detetor funciona bem e até melhor do que se pensava”, referiu o investigador do LIP.

No final da palestra, o investigador foi questionado sobre a estimativa de novos resultados. Em resposta confessou que espera conseguir produzi-los nos próximos dois anos, com objetivo de, até cerca de 2027, obter uma conclusão. O projeto, no momento, está em pausa para calibrar o detetor e deve retomar a atividade nos próximos meses.

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