Cultura

28ª edição do Festival Caminhos do Cinema Português arranca com casa cheia

Daniela Fazendeiro

Convidados destacam influência do festival no panorama cultural português. Projeto FILMar apresentado como oportunidade histórica na democratização do cinema. Por Daniela Fazendeiro e Sofia Moreira

O Festival Caminhos do Cinema Português regressou hoje, dia 5 de novembro, pelas 17h30, com uma sessão de abertura na Casa do Cinema de Coimbra, e encerra dia 19 do mesmo mês. O evento contou com a presença de nomes de referência do trabalho cultural e artístico feito a nível local e nacional. Tiago Santos, membro da organização do Festival Caminhos do Cinema Português, lançou a sessão ao lembrar a importância da Casa do Cinema de Coimbra como local de entretenimento, informação e cultura. O membro da direção do Centro de Estudos Cinematográficos (CEC) não esqueceu os agradecimentos e apelou à presença de todas nas atividades programadas para as próximas duas semanas.

João Pais, coordenador de programação do Festival Caminhos do Cinema Português, salientou os 30 anos de trabalho que culminaram nas 28 edições do festival. O programador sublinhou o papel democratizador de acesso à cultura ao proporcionar um contacto mais próximo entre o espectador e o criador. “O festival coloca no mapa a cidade de Coimbra dentro do universo cinematográfico”, declara João Pais.  

José Manuel Costa, diretor da Cinemateca Portuguesa, ressaltou a influência do festival na criação de um novo debate sobre o cinema português, num momento em que o público está preparado para o fazer. A “vontade de nunca morrer” do cinema, apesar das dificuldades da indústria, bem como o aparecimento de novos cineastas foram apontados como sinais de um futuro promissor. 

O projeto FILMar, promovido pela Cinemateca Portuguesa, foi apresentado como uma oportunidade histórica no processo de democratização do acesso ao cinema nacional, ao permitir a digitalização de cerca de 10 mil minutos de todos as longas e algumas curtas metragens de origem portuguesa. “Conhecer o cinema português é conhecermo-nos melhor a nós próprios”, reitera José Manuel Costa, no sentido de devolver o cinema português à população. O arranque do festival com a exibição do filme “Histórias Selvagens”, de António Campos, foi uma decisão muito elogiada por José Manuel Costa e Tiago Bartolomeu, pois acreditam representar um desafio capaz de lançar uma análise de como a história do cinema se pode escrever nos dias de hoje.  

Outros convidados como João Francisco Campos, presidente da Junta da União de Freguesias de Coimbra (Almedina, Santa Cruz, Sé Nova e S. Bartolomeu), Ana Bastos, vereadora da Câmara Municipal de Coimbra, e Filipa Magalhães, membro do Instituto do Cinema e do Audiovisual, também discursaram. Na sua intervenção, agradeceram o convite e louvaram o trabalho realizado nas últimas três décadas. 

No final da sessão, Tiago Santos assinalou o espaço que é dado para filmes de festivais internacionais, como Cannes, e para a cinematografia contemporânea portuguesa, o que permite alcançar todos os públicos. O membro da organização frisou a importância dos departamentos técnicos e artísticos na produção cinematográfica. Tiago Santos lamenta a dificuldade que o público geral tem em consumir conteúdos nacionais. Contudo, celebra a democratização digital que ajuda as pessoas a criarem novas linguagens e temáticas criativas.  

A nova edição do festival conta com sessões de exibição de filmes, momentos de conversa e debate e, ainda, três mostras competitivas. Ao contrário de anos anteriores, a organização esforçou-se no sentido de impedir a sobreposição de exibições, de a forma a permitir a participação em todos os eventos.

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