Cidade

Manifestação de estudantes internacionais marca cortejo

Larissa Britto

Protesto surge perante momento de mudança política do Brasil. João Troncoso afirma que esta “foi a primeira, mas não vai ser a última. Por Larissa Britto

O cortejo da Festa das Latas e Imposição das Insígnias de 2022 foi marcado por uma manifestação de estudantes internacionais, organizada pelo Grupo de Estudos Maria Quitéria e a Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros em Coimbra (APEB). O lema do protesto foi “internacionais em defesa da democracia” e teve como ponto de partida a Praça Dom Dinis, no seio do Pólo I da Universidade de Coimbra (UC). A manifestação  seguiu o percurso do cortejo até ao Jardim da Sereia.

O presidente do Grupo de Estudos Maria Quitéria, Pedro Falcone, esclareceu que a ideia do protesto surgiu “diante um momento histórico de mudança política no Brasil, em específico a segunda volta das eleições”. O jovem afirmou ainda que existe uma necessidade de posicionamento dos estudantes perante as “intenções anti-democráticas, negacionistas e autoritárias, por parte do atual presidente Jair Bolsonaro”. A manifestação foi organizada em pouco tempo, “da primeira volta das eleições até agora”, como destacou João Troncoso, coordenador de marketing estratégico do Grupo de Estudos Maria Quitéria e colaborador no pelouro de Relações Externas da APEB.

O coordenador acrescentou que esta se trata da “primeira manifestação apartidária por estudantes internacionais da história da UC, nos seus 732 anos”. Com isso, foi escolhida a data do cortejo da Festa das Latas, devido à sua história, uma vez que também se trata de uma manifestação. No entanto, notou-se que “era necessário trazer pautas internacionais ao cortejo”, contou João Troncoso. O jovem adianta ainda que, a fim de trazer sensibilização e criar consciência, “esta foi a primeira manifestação, mas não vai ser a última”.

O presidente da APEB, Felippe Vaz, mostrou que o que importa para a comunidade brasileira em Coimbra é a ocupação de espaços que não tinham sido alcançados antes. Afirmou nunca ter visto uma pauta internacional ser levada tão a sério como esta, uma vez que, de acordo com dados disponibilizados pela própria universidade em 2021, existem cerca de 2500 alunos brasileiros na UC. Por isso, levar problemáticas como a propina internacional traz um sentimento de pertença por parte dos estudantes brasileiros na cidade. Felippe Vaz acrescentou ainda que é importante que os brasileiros continuem a lutar pelos direitos “para manter os que já possuem e conquistar novos”.

Ana Carolina Cabral, caloira de Gestão da UC, diz ter ficado “orgulhosa, como todos os brasileiros que tiraram uma parte do seu dia para se dedicar a este protesto”. Para Ana Maria Salun, primeiranista de Turismo, Território e Patrimónios da UC, a manifestação organizada por brasileiros foi necessária, sobretudo “perante a situação em que o país está agora”. Felippe Vaz descreveu a mobilização como “bonita” e diz ter sido gratificante ver o público presente no cortejo a apoiar a causa.

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