Ensino Superior

Novo código de praxe da UC é apresentado à comunidade académica

Sofia Ramos

Simplificar código foi principal objetivo. Insígnias pessoais, hierarquias e uso de capa e batina são aspetos em destaque. Por Daniel Oliveira

O novo código de praxe da Universidade de Coimbra (UC) foi apresentado no dia 17 de setembro, numa conferência de imprensa realizada na centro cultural D. Dinis. Matias Correia, Dux Veteranorum da UC, expôs as principais alterações e incrementos no documento regente da atividade praxística coimbrã, que foi aprovado em Conselho de Veteranos – Magnum Consilium Veteranorum no dia 13.

“O Conselho de Veteranos reparou em grandes diferenças entre aquilo que estava compreendido no código e o que acontecia na realidade”, afirmou Matias Correia. Explicou que os códigos anteriores foram feitos de forma a imitar o código civil, o que causava “confusões e dificuldades de interpretação”. Assim, de acordo com o Dux Veteranorum da UC, os principais objetivos da revisão do código de praxe, iniciada em 2019, foram a “reorganização e clarificação” do articulado, assim como a sua compactação, que resultou na redução do documento de “cerca de 250 artigos para metade”.

Matias Correia destacou a questão das insígnias pessoais (grelo, fitas e cartola e bengala), cuja utilização está descrita de forma mais concreta, ao explicar a altura da sua imposição e como elas devem ser usadas e recolhidas. De modo a incentivar ao uso do grelo e das fitas, tornou-se obrigatório que os estudantes com o grau de “candieiro” (3ª matrícula) utilizem a pasta nas praxes. Leonor Nina, estudante do 2º ano de Economia na Faculdade de Economia da UC (FEUC), concorda com a medida, enquanto Beatriz Lopes, estudante do 3º ano de Administração Público-Privada na Faculdade de Direito da UC, preferia “não ter de andar [com a pasta]”.

Outra das principais novidades do código de praxe da UC foi a alteração da hierarquia praxística. Esta é agora linear, com a eliminação dos graus “bacharel”, “marquês” e “bolonhês” (respetivos ao ciclo de mestrado), além de deixarem de existir “novatos”. Também foram introduzidos os “quartanistas”, “quintanistas” e “duplos quintanistas”, assim como os “semi-lentes” (grau destinado a estudantes de doutoramento). Leonor Nina estranhou a nova designação dada às hierarquias, enquanto Hugo Paixão, estudante do 3º ano de Ciências Farmacêuticas na Faculdade de Farmácia da UC, concorda com a decisão.

Também foi alterada a condição de veterano, grau que agora é atingido com seis matrículas, exceto no caso dos estudantes que terminarem o curso no ano em que são “quintanistas”. Além disso, o mandato do Dux Veteranorum tem agora uma duração máxima de quatro anos, com a possibilidade de ser reeleito uma vez. Matias Correia justificou a decisão ao referir o “abuso na longevidade do cargo” por parte do seu antecessor, João Luís Jesus.

A explicitação do direito ao uso da capa e batina e do seu uso correto em praxe foi outro dos pontos referidos na apresentação. André Ribeiro, estudante do 3º ano de Economia na Faculdade de Economia da UC (FEUC), acredita que isso contribui para “uma academia uniforme no que toca à praxe”, pois “não permite que essas questões fiquem ao critério dos superiores hierárquicos de cada curso”. André Ribeiro também destaca que, ao clarificar a possibilidade de praxar pessoas do sexo oposto, há menos sexismo e unem-se mais as pessoas.

Além de ajustar o articulado àquilo que se verifica na realidade praxística atual, o novo código de praxe da UC também quer dar um maior fundamento histórico para o seu conteúdo. Por isso, inclui notas de rodapé com explicações para determinados pontos e tem agora um articulado histórico, para artigos cuja aplicação é, à data, pouco recorrente, como é o caso das trupes de fitados, das praxes de julgamento e das “touradas ao lente”, notou Matias Correia. A página de Instagram do Conselho de Veteranos disponibiliza o código de praxe da UC em formato digital. O Dux Veteranorum prevê que a versão física esteja disponível após a latada, em três edições: uma destinada aos caloiros, com os artigos que lhes são destinados; uma para os doutores, que é o código de praxe completo; e uma versão ‘prestige’, que vai ter uma capa dura.

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