Cultura

Coimbra despede-se de APURA (por agora)

Ana Filipa Paz

Diversidade de artistas e de géneros musicais manteve-se do início ao fim. Músicos demonstraram-se gratos pela organização do festival e pelo público. “Mesmo em diferentes palcos, estão todos lado a lado, tudo para o mesmo”, refere Marta Bajouco. Por Raquel Lucas e Ana Filipa Paz

À semelhança do dia anterior, o festival continuou a atrair um grande público, que se reuniu no Largo do Poço a aplaudir ao ritmo da música. As plantas permaneceram no palco, agora mais adormecidas. Artistas do festival juntaram-se no último dia para assistir às atuações e para apoiar os seus colegas, ao celebrar a arte local e a paixão pela música.  

A tarde do terceiro dia do festival iniciou-se com uma tertúlia sobre cultura, seguida da atuação de Alexandre Gigas, que apresentou o Dj Set poético “A música da voz”. Poeta, performer e editor são apenas alguns dos ofícios de que Alexandre Gigas se ocupa. Através da música, o artista conta as suas experiências enquanto radialista na Rádio Universidade de Coimbra, no programa “5 minutos de poesia”. 

Pelas 18 horas, Marta Bajouco subiu a palco e fez-se acompanhar de Guilherme Nunes no piano e Ana Trindade na flauta transversal. Na sua atuação fundiu o indie folk, bedroom pop e o jazz, numa oscilação entre a música portuguesa e a italiana, à qual deu um toque pessoal. O ambiente na baixa de Coimbra respeitou o compasso demorado e sereno das composições.

No fim da atuação, a artista foi rodeada pela audiência e confessou sentir-se “motivada pelos elogios que recebeu”. Quando questionada sobre as suas expectativas para o futuro do festival, Marta Bajouco salientou “a importância do Apura continuar e evoluir cada vez mais”. Congratulou a organização e demonstrou-se ansiosa por “permanecer no projeto, quer como artista ou espectadora”. Destacou ainda a escolha dos artistas, que, “mesmo em diferentes palcos, estão todos lado a lado, tudo para o mesmo”.

Colmeia é um coletivo que se reencontra na vontade de fazer arranjos de músicas tradicionais e celebrar a canção portuguesa. Alguns vindos do Grupo Etnográfico e Folclore da Academia de Coimbra, os oitos músicos trazem a energia e o ritmo ao Palco Apura. À medida que escurece, mais pessoas se juntam e são convidadas a cantar e a dançar com o grupo. A interação com o público é uma das características que destacam Colmeia daqueles que também pisaram este palco.

Com um disco acabado de estrear, Filipe Furtado inaugurou o Palco Salão Brazil na última noite do festival, acompanhado de Filipe Fidalgo no saxofone. “Prelúdio” é o nome do seu novo projeto que, segundo o artista, “tem recebido boas críticas” e promovido “a partilha entre amigos que apreciam a sua sonoridade”. Para além de “outras conversas com que se cruzou”, a inspiração das suas composições tende a ser influenciada pelas “paisagens dos Açores, de onde é natural”, explica. Filipe Furtado envergou pela área do jornalismo na faculdade, quando foi presidente da Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra, mas revela que “o seu foco é a música”. 

O artista fez um balanço da atuação e afirmou que “sem Paulo Silva, o baterista, o concerto ficou mais vazio, mas permitiu-lhe arranjar uma alternativa e divertir-se com isso”. Auxiliou-se do piano para apresentar novos temas, de nome “Cravos na mão”, “Faltam-me rios”, “Menina do techno não sabe sambar” e “Os bravos”, ao fazer referência a Zeca Afonso. Filipe Furtado salienta ainda a mais-valia de “existir um espaço acolhedor como o Salão Brazil para partilhar música e energia com amigos, num domingo à noite”.  

A noite avançou com Nevoeiro Ensemble, dupla composta pelos guitarristas Gonçalo Parreirão e Miguel Cordeiro, que se fez acompanhar de vários músicos numa viagem movida pelo rock contemporâneo. Já passava das 22 horas quando Ana Maria pisou o palco e, em conjunto com os restantes músicos, surpreendeu o público com o timbre da sua voz, coadunado com a  instrumentalização eletrónica. 

A performance, descrita por Miguel Cordeiro como “um primeiro ensaio”, seguiu-se da atuação de Stau, por volta das 23 horas. João Mortágua e Diogo Alexandre juntaram-se, assim, para fundirem a melodia do saxofone com o ritmo da bateria, num percurso atribulado marcado pelo jazz com um toque um tanto tribal. Mesmo com menos público, os artistas mostraram-se gratos pela presença daqueles que não deram espaço ao silêncio e mantiveram fortes os seus aplausos. “O que nós gostamos mesmo é de tocar ao vivo. Nesse sentido, ter um público como vocês é juntar o útil ao desagradável”, contou João Mortágua.

O festival culminou no palco Lúcia-Lima, na localização habitual, com uma primeira atuação de Intermediária, compositora e artista plástica, com início perto das 00 horas. A artista foi seguida das performances de Assafrão, Dj inclinado para sonoridades club e rave, e Spinning Jenny, projeto de Joana Moura e João António Sousa que começou como programa semanal da RUC e hoje se apresentou em palco. Em conjunto, estes dois nomes integram o CIGA239, coletivo artístico local direcionado para a música eletrónica e experimental.

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