Ciência & Tecnologia

Investigadores da UC fazem avanços no estudo da deficiência intelectual

Fotografia cedida por Cristina Pinto

Estudo destaca ligação entre proteína stargazina e doenças psiquiátricas. Pesquisa é financiada por fundações de diversos países. Por Fábio Torres

Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) descobrem alteração das capacidades cerebrais após uma mutação genética com ligação à deficiência intelectual, através de testes realizados em murganhos. A proteína stargazina, que existe na membrana dos neurónios humanos e em zonas de contacto das sinapses, é a chave principal do estudo liderado por Ana Luísa Carvalho, docente do Departamento de Ciências da Vida (DCV) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC).

A deficiência intelectual pode ocorrer por várias causas, tanto a nível genético como ambiental e resulta de alterações no desenvolvimento cerebral. Segundo Ana Luísa Carvalho, “não há forma de melhorar algumas das deficiências que as pessoas têm”. Ao mesmo tempo, refere que “é importante perceber os mecanismos biológicos por detrás para tentar encontrar alvos terapêuticos”.

Para a realização da pesquisa, a stargazina geneticamente modificada foi introduzida nos murganhos. A equipa tentou perceber que alteração ocorreria no cérebro no animal e, para tal, focou-se no hipocampo, região responsável pela formação de memórias e pela capacidade de aprendizagem. De acordo com a docente do DCV, “os animais modificados apresentaram problemas cognitivos na memória associativa, na aprendizagem e mudanças na interação social”.

A equipa conseguiu “perceber alguma coisa sobre os mecanismo celulares que podem estar associados à variante genética”, refere Ana Luísa Carvalho. Embora a doença principal estudada tenha sido a deficiência intelectual, “também na esquizofrenia e na epilepsia se encontra a ligação entre a stargazina e o gene que a codifica”, conclui a docente do DCV.

O estudo, também publicado na revista Molecular Psychiatry, teve Gladys Caldeira e Ângela Inácio, investigadoras do CNC, a conduzir a pesquisa. Irina Moreira e João Peça, docentes do DCV, também lideraram grupos que colaboraram com a investigação. A Fundação Brain and Behavior Research, dos Estados Unidos da América, a Fundação Jérôme Lejeune, da França, a Fundação para a Ciência e a Tecnologia e a Fundação La Caixa, de Portugal, financiaram o projeto.

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