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Ciência & Tecnologia

‘TGF Monitor’: a experiência da UC que vai ao espaço

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Equipa da UC elabora projeto inédito com apoio da Agência Espacial Europeia. Resultados podem ser vistos para segurança da aviação. Por Mateus Rosário

Um grupo de investigadores liderado por Rui Curado Silva, docente do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), coordena experiência com a Agência Espacial Europeia (ESA) no primeiro voo com um veículo reutilizável, o Space Rider. Em conjunto com a Universidade da Beira Interior (UBI) e das empresas Active Space Technologies, de Coimbra, e Advacam, de Praga, na República Checa, os pesquisadores desejam realizar testes com uma tecnologia que tem aplicações que vão da astrofísica à segurança da aviação.

A experiência ‘TGF Monitor’ permite compreender diferentes tópicos, tais como os efeitos da radiação orbital em detetores de telureto de cádmio (CdTe), medições científicas das emissões de TGF, da Terra, além da observação de emissões gama da Nebulosa do Caranguejo, por exemplo. Os TGF são emitidos por nuvens com grande desenvolvimento vertical associadas a sistemas de trovoadas, o que se torna uma preocupação para a saúde e a segurança de tripulações e passageiros de aeronaves.

O objetivo para a astrofísica é medir alguns objetos celestes e analisar a polarimetria, a medida da polarização da luz, algo que ainda é “pouco feito” e que vai poder ser utilizada em “comissões espaciais com maior dimensão”, destaca o Rui Curado Silva. Em zonas do planeta em que existem tempestades fortes, a aviação passa por um risco por existirem “explosões de raios gama no topo das nuvens”. As deteções da radiação emitida pelas explosões vão servir para questões de segurança aérea ao permitir “corrigir os perigos em rotas sujeitas à exposição”, explica o investigador.

O experimento é um sistema de deteção de CdTe, um composto cristalino utilizado como material semicondutor em fotovoltaico e como uma janela óptica infravermelha. O Space Ridervai ser lançado em 2024 a partir de Kourou, a bordo de um foguetão Vega, onde o ‘TGF Monitor’ será instalado e exposto ao ambiente de radiação do vazio espacial. Rui Curado Silva destaca que o estudo pretende ser “um treino importante que serve de análise para observar o desgaste das peças quando elas regressarem”. O retorno do Space Riderestá previsto para aterrar em Kourou ou no aeroporto da ilha de Santa Maria, nos Açores.

Início do projeto

A experiência teve início em junho de 2021 após um “declarado interesse da Agência Espacial Portuguesa e dos diretores de voo do Space Rider”, relembra o docente. A iniciativa teve dificuldades em avançar em razão da falta de financiamento. A solução teve intervenção da Agência Espacial Portuguesa onde o apoio foi garantido através de um canal da ESA, ‘PRODEX’, que serve para financiar projetos em países com pequena atividade espacial.

A oportunidade surgiu após um ‘workshop’ realizado em Portugal organizado pela ESA e pela Agência Espacial Portuguesa sobre o Space Rider. No final do ‘workshop’ os organizadores abriram um espaço para que investigadores pudessem apresentar experiências para estar à bordo do veículo reutilizável. “Foi o momento que se precisava para superar o desafio do financiamento, a ideia foi aceite e selecionada”, comenta Rui Curado Silva.

O investigador explica que não existem situações similares a esta em Coimbra e em Portugal. “Somos nós a fazer algo inédito, estamos a fazer ciência”, destaca. O experimento é “um marco importante” para a universidade ao ver a “história sendo feita”, o que é “muito bom para todos, para o departamento de física, para a UC e, sobretudo, para os alunos”, relembra o docente.

Além de Rui Curado Silva, a equipa é constituída pelos investigadores Jorge M. Maia, José Sousa, Joana Mingacho, Pedro Póvoa, Joana Gonçalves, Gabriel Falcão, Gabriel Salgado e Miguel Moita.  

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