Ensino Superior

FLUC acolhe mesa redonda sobre Rússia e Ucrânia

Gabriela Moore

Debate refletiu sobre temas como economia, questões sociais e culturais. Audiência aquém do esperado por organização. Por Luísa Macedo Mendonça e Gabriela Moore

O Teatro Paulo Quintela, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), acolheu esta tarde uma mesa redonda com o tema “A Ucrânia e a Federação Russa: uma guerra na Europa”. Os intervenientes eram de diferentes espectros políticos, nacionalidades e áreas laborais, de maneira a tentar garantir a heterogeneidade das ideias.

Sob mediação de João Figueira, professor de Jornalismo e Comunicação na FLUC, o debate começou com o anúncio de que uma das convidadas, a jornalista ucraniana da SIC, Iryna Shev, não pôde comparecer por motivos profissionais. Ainda assim, a sessão contou com a presença de Ksenia Ashrafullina, ativista russa, Isabel Camisão e João Avelãs Nunes, professores de Estudos Europeus e História na FLUC, respetivamente. De forma remota, estiveram presentes também Carlos Gaspar, especialista em Relações Internacionais da Universidade Nova de Lisboa (NOVA), e o deputado do Partido Livre (PL), Rui Tavares.

“São pessoas que têm formação técnica e intervenção cívica qualificada e com uma posição relativa à situação da Ucrânia com a qual vale a pena debater”, refere João Avelãs Nunes, que também participou na organização do evento. O mesmo realçou a importância da discussão do conflito de maneira mais aprofundada, uma vez que considera que a comunicação social o faz de forma muito superficial e rápida. Lamenta também o centrismo das discussões na capital, pelo que reforça a necessidade de fazer este debate fora de Lisboa.

O debate

Entre os temas discutidos, Carlos Gaspar começou por abordar a interdependência entre a China e a Rússia, as mudanças da política interna e externa alemã e a resistência ucraniana face à invasão. O investigador da NOVA evidenciou este conflito como a primeira guerra, do ponto de vista jurídico, a ocorrer entre Estados europeus depois 1945, e, deste modo, “não é um conflito qualquer”.

Ksenia Ashrafullina destacou na sua intervenção que considera existirem “duas Rússias”, uma constituída pelos oligarcas, grupo pequeno que detém metade do PIB do país, e os “russos comuns”. A ativista considera este último grupo “vítimas do sistema”, mantido pelo presidente Vladimir Putin, e referiu que “o que acontece hoje na Ucrânia já foi treinado imensas vezes na Rússia”, uma vez que o líder russo “utiliza o medo para reprimir os opositores”.

Deste modo, Ksenia Ashrafullina e João Avelãs Nunes veem a resistência ucraniana como digna de admiração e acreditam que “estão não só a defender-se, mas a defender também os russos opositores e toda a Europa”. Rui Tavares enfatiza que “para que a Rússia dos valores democráticos ganhe, é preciso que a Rússia de Putin perca”. Adiciona que para que isto aconteça, “é necessário que a Europa se mantenha unida e que defenda sempre o Estado democrático”.

Um dos pontos de reflexão levantados por Isabel Camisão foi a questão da ordem liberal, que, segundo a professora, “assentava num conjunto de valores partilhados e esta situação veio coloca-la em causa”. Nesta mesma linha, o deputado do PL destaca o neoimperialismo do governo russo e critica a forma de tratamento colonial do regime. A ativista russa reflete ainda que “esta guerra não vai acabar com palavras bonitas” e afirma que a Ucrânia precisa de ajuda militar. A isto, Rui Tavares responde que “palavras bonitas, por si só, não fazem diferença, mas são essas palavras, e as ideias que transmitem, que movem as pessoas”.

A audiência, no entanto, ficou aquém do desejado. João Avelãs Nunes confessa que gostaria que tivesse “muito mais gente”, porque “os ucranianos e os russos opositores merecem que pensemos nestes assuntos”. João Figueira avalia que “um estudante é alguém que deveria ser curioso, dominar e estar interessado nos temas do seu tempo”. O professor de Jornalismo e Comunicação julga que era suposto haver uma participação “muito mais ativa”, por se tratar de algo “com grande impacto na vida de todos”.

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