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Ensino Superior

Diogo Vale na corrida à presidência da DG/AAC

Gabriela Moore

À frente da Lista U – Lutar em Unidade, Diogo Vale, estudante da FMUC, apresentou a sua candidatura à presidência da DG/AAC. O candidato promete um alargamento do diálogo da AAC às diversas associações do país e uma intensificação da luta pela ação social da UC. Por Simão Moura

A tua campanha vai contar com algum apoio partidário?

Não.

Quais as principais motivações para a tua candidatura?

Acho que há duas principais motivações, que acho que são exemplificadas pelo lema da lista. Por um lado, é a questão da luta, de lutar. Acho que há imensos problemas da UC que se têm vindo a arrastar e, embora tenham havido alguns avanços na reivindicação dos estudantes – e isso é visível para cada um de nós – e vemos pelas declarações do reitor, isso não é suficiente. O reitor veio exprimir uma posição absolutamente antagónica à dos estudantes em relação a vários temas, mas a começar pela ação social, pela questão da comunicação, pelos espaços das secções, e isto enquanto vêm anunciar uma grande harmonia entre a UC e a AAC. Portanto, aqui há uma falha de comunicação. A mensagem não está a passar. Essa é uma das grandes razões, intensificar essa luta, que tem que ser feita em unidade.

Apenas com os estudantes unidos em prol de resolver os seus problemas é que podemos ter avanços. Isto revela-se a um nível local, com a união dos estudantes da UC, mas também, como ficou muito patente com a manifestação do dia de estudante em 24 de março, a um nível nacional. Tivemos, pela primeira vez em anos, uma manifestação que contava com mais de duas dezenas de associações de estudantes unidas em torno de um programa que é comum aos estudantes de Coimbra. Colocamos a questão da propina, da alteração do RJIES e democracia nas instituições de ensino superior e da ação social. Estas questões estavam muito presentes e vimos que, de facto, unem os estudantes a nível nacional. Assim, há aqui uma oportunidade que tem que ser cultivada e tem que ser abraçada e esta oportunidade tem que ser abraçada a nível local e a nível nacional. Estas têm sido as duas grandes bandeiras desta lista.

Quanto a esta questão da manifestação do dia de estudante, achas que a DG/AAC podia ter feito alguma coisa para levar esta iniciativa para além do que foi?

Quanto à iniciativa em si, a única coisa que aponto (apesar de tudo, e queria frisar, não descura a unidade que se sentiu naquela dia) é que aquela manobra de convocar a manifestação para um local e uma hora diferentes não foi benéfica. Agora, se prejudicou sobremaneira? Penso que não, porque, na verdade, aquilo aconteceu e o que era visível para as pessoas que passavam em Lisboa é que os estudantes estavam unidos em torno daquelas questões, mas acho que a DG/AAC podia ter estado melhor. Aquilo que critico de forma mais veemente é esta questão: a DG/AAC tem alimentado plataformas de discussão mais restritas em vez de outras, que englobam as vinte e tal ou as muitas dezenas que se encontram no Encontro Nacional de Direções Associativas e as muitas dezenas que se encontram no país. O diálogo deve ser com todas. É quase paradoxal que se tenha uma plataforma própria para discutir com uma associação académica qualquer e não com as associações de estudantes dos politécnicos aqui de Coimbra, que, geograficamente, estão mais próximos. Mas também não quero distinguir em particular os politécnicos de Coimbra, pois esta unidade deve ser de todos. Devemos procurar sempre falar com todas em torno dos problemas que nos unem.

E o que planeias fazer quanto à ação social, o que achas que ainda está por fazer?

Eu acho que, nesse sentido, é preciso intensificar a luta. O reitor quando faz aquelas declarações, fala de uma grande harmonia entre a UC e a AAC. Inclusive na última Assembleia Magna (AM), houve um estudante que foi falar desta questão das cantinas e o presidente interino da DG/AAC respondeu que essa questão já tinha sido debatida e que estávamos a perder tempo. A questão é: quando nós vemos, após alguns dias, que a comunicação com a reitoria não está a funcionar, ou, pelo menos, o reitor não está a perceber a mensagem, não podemos desvalorizar a questão como foi feito. Há, sim, que intensificar.

Esta semana foi convocada para sexta-feira uma manifestação relativamente a esse assunto, e outros. Da minha parte, estarei presente e espero também que as outras listas e a DG/AAC estejam presentes, mas acho que esse caminho é que tem que ser intensificado. O próprio comunicado que a DG/AAC emitiu fica muito aquém daquilo que era necessário. Demarca-se das afirmações, mas não as condena, nem contradiz. Entra um bocado na questão da afluência às cantinas, que já foi debatida em AM, e que não faz sentido nenhum estar a falar nisso, porque o funcionamento das cantinas, neste momento, desmotiva os estudantes a ir às cantinas. Esta questão é bastante clara e, portanto, a DG/AAC dizer no comunicado que tem que aceder a esses dados da afluência não faz sentido nenhum. É preciso contradizer, dizer que aquilo não é verdade e que a DG/AAC se opõe a estas alegações do reitor e intensificar a luta nesse sentido.

Há mais alguma coisa que queiras assinalar como diferenciação entre a tua campanha e a do teu oponente?

Acho que este temas já diferenciam na questão de pôr aqui uma intensificação e uma alteração do que foi feito. Estas questões são fundamentais, haverá outras assim… mais de circunstância, mas penso que estas duas bandeiras fundamentais da intensificação da luta e procurar uma unidade de todos os estudantes são as bandeiras fundamentais deste movimento que o diferenciam da DG/AAC atual, que se volta a candidatar.

Sabemos que a próxima DG/AAC está vinculada ao plano de atividades já aprovado em AM. Como planeiam lidar com isso?

Acho que o plano de atividades tem muitas atividades com que, na maior parte, ou até totalidade, não temos problemas, mas acho também que deixa muito espaço. Temos visto, nos últimos anos, que as atividades da DG/AAC não se cingem ao plano de atividades. Até porque, ao surgirem questões, a própria AM pode propor atividades novas que depois são cumpridas. Dessa forma, acho que deixa amplo espaço para desenvolver atividade, sem descurar o plano de atividades que foi aprovado em AM e que tem a sua legitimidade.

Mas, de forma geral, concordas com o plano?

Sim. Seria aquilo que escreveria? Se calhar, não. Mas também acho que não é uma questão fundamental nesta fase.

Caso sejas eleito, quais são os teus planos a curto prazo?

A curto prazo, acho que passa muito por estes problemas identificados. Por um lado, acho que terá de se procurar intensificar estas ações em torno da ação social, em particular da refeição social, mas não só, também das residências. Em relação às secções, também, o reitor diz que não têm espaços, mas certamente há alguns. Há que identificar que espaços é que a UC tem e procurar obter mais espaços para que as secções possam desenvolver a sua atividade.

Por outro lado, procurar reunir com o movimento associativo a nível nacional, e aqui digo a nível nacional, não apenas alguns, para debater a continuação desta unidade e a luta reivindicativa, até numa altura em que teremos a discussão de um novo orçamento de Estado, um novo Governo formado. Temos aqui uma janela que deve ser tida em conta para avançar, e isto implicará pôr de lado estes planos para o Conselho de Associações Académicas Portuguesas. Acho que assim, de um modo geral, são estas as questões que me ocorreram.

E a longo prazo planeiam continuar esta luta, ou alargar a vossa ação a outros assuntos?

Certamente vamos alargar a outros sempre que for do interesse dos estudantes. Acho que não há problemas maiores e problemas menores. Aquilo que afeta a vida dos estudantes da UC é responsabilidade, de alguma maneira, da DG/AAC que os representa. Portanto, dentro daquilo que for acontecendo, terá sempre que haver uma abertura para alargar.

Estas eleições ocorrem numa situação fora do normal. Achas que ser candidato nesta situação é diferente?

Sim, acho que, de certa forma, até o próprio modelo da campanha coloca algumas dificuldades. A própria questão foi debatida, e não tenho problemas, se estatutariamente é assim previsto, então, assim terá de ser, mas isso coloca dificuldades. O facto da campanha ser três dias (uma sexta, um sábado e um domingo) coloca dificuldades na divulgação, de procurar envolvimento do maior número de estudantes possível, e isso, sem dúvida, são dificuldades com que a nossa lista se debate. Agora, pelas ideias que o nosso projeto tem, não poderíamos deixar de nos candidatar, até para enriquecer o debate e a vida democrática da académica. A unidade dos estudantes tem sempre como base uma pluralidade e acho que há uma grande necessidade de, embora as dificuldades e o contexto em que estas eleições decorrem, avançar com uma lista.

E achas que este contexto vai afetar o voto dos estudantes ou a sua vontade de votar?

Não consigo prever o futuro e, portanto, tenho alguma dificuldade em fazer previsões que, tanto quanto sei, podem sair completamente ao lado. Falo daquilo que nós procuraremos fazer e que, de facto, sentimos que há uma dificuldade no contacto de proximidade com os estudantes até pelo facto de as campanhas decorrerem num período em que os estudantes não estão a ter aulas. Se depois se vai refletir numa maior participação ou não, não consigo dizer, mas ser nesses dias vai refletir-se na nossa atividade.

Tens algo a acrescentar?

Reforçava aquela questão que já referi da manifestação de sexta-feira. Acho que, nesta fase, assume-se como uma ação importantíssima, uma resposta dos estudantes às declarações do reitor, ao deixar bastante clara aquela que é a nossa posição em relação à variedade dos temas que ele coloca. Acho que já têm havido muitas atividades na sua divulgação e volto a dizer que, da minha parte, estarei presente e espero que a DG/AAC e as outras listas estejam presentes também.

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