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Ensino Superior

Candidatos à presidência da Direção-Geral debatem o futuro da AAC

Sofia Puglielli

Recentes declarações do reitor são abordadas. Garantir sustentabilidade financeira da casa é um dos objetivos em comum. Por Sofia Puglielli

Na passada sexta-feira, 22 de abril, o Student Hub acolheu um debate dos candidatos à Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC). A sessão, organizada pela Rádio Universidade de Coimbra (RUC), a tvAAC e o Jornal A Cabra, ocorre na sequência das eleições extraordinárias que vão decorrer na próxima terça-feira, 26 de abril, devido ao falecimento do anterior presidente da DG/AAC.

Na primeira parte do debate ambos os candidatos, Diogo Vale, pela Lista U – Lutar em Unidade e João Caseiro, cabeça da Lista V – Académica de Valores apresentaram os seus projetos e abordaram as declarações do reitor da Universidade de Coimbra (UC), Amílcar Falcão, em entrevista feita à RUC.

Diogo Vale teve a primeira palavra e aproveitou para referir problemáticas como a retirada do prato social das cantinas rosas e o encerramento das cantinas das sereias. Durante a sua intervenção, criticou a falha de comunicação entre a AAC e a reitoria e destacou a importância das reivindicações estudantis. “Apenas unidos em torno das ações que afetam aos estudantes é que se pode obter soluções concretas” explicou o cabeça da Lista U. João Caseiro concordou com as afirmações do oponente e realçou a importância de restabelecer o prato social nas cantinas.

Quando questionado sobre a possibilidade de defender os interesses dos estudantes sem oposição direta ao reitor, uma referência ao comunicado emitido pela DG/AAC, o representante da lista de continuidade informou que “qualquer ação relativa às afirmações do reitor terá de ser algo que os estudantes queiram”. Acrescenta que a DG/AAC é “um órgão que representa os estudantes”, cuja responsabilidade é “cumprir com o que os estudantes determinam em Assembleia Magna (AM)”. O concorrente da Lista U rebateu ao justificar que “as posições eram claras sobre problemas antigos, em que as soluções tardam” e expressou que o comunicado da DG/AAC “foi mais contido do que se estava à espera”.

Edifício sede e espaços

Em relação às obras planejadas para o edifício da AAC, João Caseiro relembrou que a primeira fase vai começar dia 2 de maio e que a mesma vai contar com o financiamento da UC. No entanto, perante o anúncio da universidade de “não saber” como financiar a segunda parte das obras, o candidato alegou que “o edifício é da AAC, mas pertence à UC, que acaba por ter responsabilidade de assumir os custos”.  Diogo Vale concordou que a intervenção devia ser “pelo menos na sua maior parte” acarretada pela universidade. João Caseiro divulgou ainda que o plano de requalificação vai contar com uma intervenção nas ilhas dos jardins da AAC.

No que diz respeito a necessidade de espaços para as secções da casa, João Caseiro prometeu elaborar uma proposta, que vai passar pela AM, para ser entregue como “um pedido formal à UC”.  No seguimento da afirmação de Amílcar Falcão de que “não existem tantos edifícios devolutos como se pensa”, o candidato da lista V afirmou que se não forem espaços já existentes, podem ser construídos novos. A opinião de Diogo Vale vai ao encontro da do oponente e ainda argumenta que “quando o reitor diz que não há tantos espaços, quase sugere que alguns existem”.

Ambos os concorrentes à presidência da DG/AAC foram questionados sobre as possíveis medidas a serem tomadas em relação a acusação feita ao Teatro Académico Gil Vicente (TAGV) de não cooperar com as secções culturais. As respostas concordaram com a ideia de que as estruturas da casa deveriam poder utilizar o espaço de maneira privilegiada. Para isto, as soluções propostas passaram pela “representação estudantil na própria gestão do TAGV”, nas palavras de Diogo Vale. João Caseiro sugeriu a “utilização gratuita ou com custos reduzidos” e afirmou que pretende assegurar esta garantia no contrato existente com a UC, também proprietária do TAGV.

Financiamentos e dívidas

As perspetivas dos candidatos em relação ao financiamento da casa através de parcerias com entidades privadas foi questionado. Na sua intervenção, Diogo Vale destacou que é “fundamental que a AAC mantenha a independência fase aos interesses das entidades privadas” e que, portanto, o financiamento “deverá ser, na sua maioria, público”. João Caseiro concordou com o representante da lista oponente ao alegar que “os financiamentos nunca devem colocar em causa os princípios da AAC”.

João Caseiro referiu que a divida externa da AAC tem diminuído ao longo dos anos, mas que, a nível da divida interna, “é algo que também se trata de colmatar no dia a dia”. Acrescentou ainda que se deve “garantir que existe sustentabilidade para o normal funcionamento da AAC”.  Sobre este assunto, o cabeça da Lista U respondeu que “não há uma solução mágica para o problema”, mas, da mesma forma que o adversário, destacou que se deve “permitir a boa saúde financeira da casa e a produção da atividade das secções”.

Ação social, RJIES e outros assuntos

De forma a conseguir ir além do que é proposto pela atual DG/AAC na questão da ação social, Diogo Vale destacou a necessidade de “intensificar a luta”. O candidato explica que a reivindicação não é só da ação social indireta, em questões como as residências ou as cantinas, mas também abrange a ação social direta, como o valor e o número de bolsas atribuídas. Para isto refere que “é necessária uma solução nacional através de um aumento do financiamento do ensino superior”. No seguimento à ideia do adversário, João Caseiro acrescentou a necessidade de “ter a noção de que há muito trabalho a ser feito em relação a ação social a nível nacional”.

Sobre a questão da revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES), os dois candidatos alegaram a necessidade do aumento da representatividade estudantil no Conselho Geral da UC. João Caseiro afirmou a importância de haver uma revisão regular do RJIES, o que Diogo Vale relembrou que o documento prevê, “mas que não ocorre”. O representante da lista U defende ainda a revogação do Regime Fundacional do documento base do RJIES.

Em relação aos planos de atividade e de orçamento, Diogo Vale prometeu respeitar o que já foi aprovado em AM, enquanto João Caseiro defendeu que “faz todo o sentido que quem elaborou o plano queira efetivá-lo”. Para além dos assuntos já mencionados, o debate tratou de outros tópicos, entre eles as situações assédio sexual e moral em contexto universitário; as recentes manifestações reivindicativas; a questão do acesso ao edifício da AAC para pessoas de mobilidade reduzida e os problemas com o contrato do Santander.

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