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Ensino Superior

Montanha russa de incertezas afeta estudantes

Larissa Britto

Depois de dois anos com aulas lecionadas de forma remota, o primeiro semestre presencial, desde o início da pandemia, chega ao fim. Possibilidade de retorno às aulas ‘online’ preocupa estudantes. Texto e Fotografias por Larissa Britto e Mateus Rosário

O ano letivo 2021/2022 foi marcado pelo regresso à normalidade para os estudantes da cidade de Coimbra. As salas de aula voltaram a ser preenchidas de novos e antigos alunos e os bares e discotecas deram ritmo ao estilo de vida boémio estudantil. Com o avanço da vacinação, os estudantes retornaram a Coimbra com a esperança de vivenciar a experiência académica completa.

O início das aulas a 6 de outubro foi acompanhado do levantamento das restrições e do aumento da presença estudantil nas tradicionais ruas da cidade. Enquanto os finalistas do ano letivo 2020/2021 se despediram da cidade sem os tradicionais jantares de curso, os novos estudantes puderam desfrutar dos principais pontos de Coimbra. Larissa Braga, estudante do 1.º ano da Licenciatura em Relações Internacionais, conta que a atmosfera é “incrível” e que, na sua opinião, a cidade é “pequena, segura e com uma vida noturna perfeita”. Ideia é compartilhada também por Mateus Gonçalves, aluno do 1.º ano de Engenharia Física, que ressalta que a cidade o “acolheu como um todo, como se já vivesse aqui há anos.”

No ano em que a Universidade de Coimbra (UC) vence o prémio de melhor projeto no setor da educação em Portugal, os estudantes sentem um “moderado retorno à normalidade” do ensino, como afirma Maria João Costa, estudante de Ciências Farmacêuticas. Para a discente, a presença no laboratório permite colmatar falhas sentidas no ano anterior em que “certas bases que eram suposto terem sido adquiridas não foram”. Considera que “o regresso às aulas presenciais foi o que se esperava e já existe um ensino próximo da realidade, algo que é premente para aprender com qualidade”.

Para Mateus Gonçalves, o maior impacto da pandemia sobre a vida académica foi durante o “processo legal de obtenção de documentos e mudança de país”. Os quais, devidos às restrições, foram “apenas finalizados após o começo do ano letivo de 2021/2022 e afetou de forma direta” o seu desempenho. Por sua vez, Bernardo Zeferino, estudante da Faculdade de Direito, define a sala de aula como “um local seguro”, embora reconheça que a pandemia da COVID-19 teve um evidente impacto negativo no percurso académico. “Os professores fizeram avaliações a pensar nos estudantes que estavam em regime remoto, o que resultou em provas demasiado exigentes e aumento assim o fosso entre os alunos de ambos os regimes”. Conclui ainda que “deve haver exigência, assim como devem existir limites, que, neste caso, colocou em causa a justiça e igualdade entre estudantes”.

As impressões das festas académicas, dos caloiros aos finalistas 

Depois de adiada três vezes, a Queima das Fitas, festa que marca o final das aulas antes da época de exames, regressou. A sua última edição ocorreu em 2019 e, após mais de dois anos, as festividades voltaram a ocorrer em outubro de 2021, com uma limitação máxima de cerca de 20 mil pessoas. 

A recém-chegada Larissa Braga afirma ter tido uma “ótima experiência”. Já a estudante de segundo ano da Faculdade de Farmácia, Maria João Costa, destaca que o sentimento “foi de estar perto de viver a vida académica na sua plenitude, quando se estreitam os laços com amigos, padrinhos e madrinhas”. Acrescenta ser “único viver aquilo que são as tradições coimbrãs, o traçar da capa, o ano de caloiro, ouvir a serenata pela primeira vez”.

Catarina Magalhães

O discente de engenharia, Mateus Gonçalves, confessa que nunca pensou ver “tanta vida e vigor espalhados ao longo da cidade”. Assinala que “a experiência foi mágica”. O finalista da Faculdade de Direito, Bernardo Zeferino, destaca que “a queima em si podia ter corrido bem melhor”. Critica o facto de terem tido “dois anos para preparar tudo e a logística esteve muito mal. A questão das pulseiras ‘cashless’ e toda a confusão que isso gerou era desnecessária, tal como outros pontos que foram um deslize total”. 

No entanto, com a chegada da nova onda da COVID-19, novas medidas restritivas foram tomadas. Os bares e discotecas voltaram a funcionar de forma mais limitada, passaram a exigir testes negativos e os certificados digitais de vacinação. Além disso, a Câmara Municipal de Coimbra (CMC) e a UC passaram a oferecer testes gratuitos na Praça da República com o intuito de reforçar as testagens. Para a estudante Larissa Braga, a possibilidade do retorno às aulas ‘online’, devido à ameaça de uma quarta onda, provoca-lhe “muito medo”, pois alega estar “zero adaptada”. Já para Maria João significaria “mais perdas de aulas laboratoriais”, o que afeta bastante a sua formação, pelo facto de “a parte prática complementar a teórica” e acabarem por não construir “as bases necessárias”. 

Bernardo Zeferino recorda a experiência passada. “Resta aos estudantes serem otimistas, tanto à intensidade da quarta vaga quanto à capacidade da universidade se adaptar para dar aos estudantes a qualidade de ensino que promete”. Conclui que “a universidade deve analisar um plano adequado para o cenário que virá a acontecer”. O estudante deixa ainda o seguinte mote: “caso não aconteça, os estudantes não se podem calar, pois não foi só o espírito boêmio de Coimbra que não se perdeu, o espírito académico e reivindicativo continua vivo”.

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