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Ciência & Tecnologia

Investigadores da UC mostram como doença de Parkinson pode ter origem no intestino

Fotografia cedida por Cristina Pinto

Pesquisadores revelam efeitos da ingestão da neurotoxina BMAA. Descoberta pode permitir travar progressão da doença do intestino para cérebro. Por Débora Cruz e Beatriz Jales

Um estudo divulgado esta terça-feira, dia 30, por cientistas da Universidade de Coimbra (UC), demonstra como a doença de Parkinson pode ter origem no intestino. A equipa de investigação foi liderada por Sandra Morais Cardoso, docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), e por Nuno Empadinhas, investigador do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra (CNC-UC).

Segundo Sandra Morais Cardoso, a hipótese foi explorada tendo em conta os dados disponibilizados por neurologistas, que mostram que pacientes com a doença “tinham alterações a nível gastrointestinal” anos antes de manifestarem “alterações motoras”. Durante a investigação,  a equipa estudou as consequências da ingestão crónica da neurotoxina BMAA, em “ratinhos”. “É uma toxina de origem microbiana e que se pode acumular em alguns alimentos”, esclarece a docente da FMUC, e que faz com que “haja uma perda da barreira intestinal”. Em comunicado, afirma-se que “a alteração da barreira e imunidade intestinal levou a que o marcador cerebral clássico da doença surgisse primeiro no intestino” antes de chegar à “região do cérebro associada à doença de Parkinson.

Um dos principais avanços proporcionado pela descoberta é a possibilidade de “provar que existe uma toxina de bactérias que desencadeia, no modelo de ratinho, marcas semelhantes ao que existe nos doentes com Parkinson”, aponta Sandra Morais Cardoso. Apesar de reconhecer que os resultados não representam uma cura, a investigadora declara que se “a doença realmente começar no intestino e um facilitador for a população de micróbios que existe no nosso material fecal”, torna-se mais “fácil modelar essa situação do que modelar o cérebro”. A docente frisa ainda que se for possível descobrir as fases que antecedem o aparecimento da doença, é possível “retardar ou parar” a sua progressão do intestino para o cérebro.

Em comunicado, destaca-se que a neurotoxina BMAA pode acumular-se em “alguns animais aquáticos como bivalves, mariscos e peixes”. O investigador Nuno Empadinhas aponta que, por motivos de “segurança alimentar e saúde pública”, a ingestão da neurotoxina “deve ser incluída em programas de monitorização, pois o seu consumo de forma crónica pode danificar o microbioma e barreira intestinais e desencadear doença”.

O estudo foi desenvolvido durante um período de cinco anos e foi financiado, em mais de meio milhão de euros, pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia e pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Sandra Morais Cardoso refere que o resultado da investigação se “traduz, para os doentes com Parkinson, numa esperança” e serve para que os pacientes tenham a “consciência que existem pessoas interessadas na busca de melhores estratégias para travar esta doença que pode, em breve, tornar-se uma pandemia”.

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