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Ciência & Tecnologia

Professor catedrático da FMUC publica estudo na revista ‘Science’

Fotografia cedida por Cristina Pinto

Prevenção de doenças de grau psiquiátrico é um dos objetivos de diretor do estudo de investigação neurocientífica. Professor catedrático da FMUC equipara  capacidade de investigação da UC ao resto do mundo. Por Ana Filipa Paz e Fábio Torres

O artigo científico publicado na revista ‘Science’, no dia 5 de novembro, debruça-se sobre a possibilidade de manipular a estabilidade de sinapses, durante o período de maior desenvolvimento mental, dos três meses aos quatros anos. Rodrigo Cunha, professor catedrático da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e diretor da investigação científica destaca que este estudo nasceu da ideia de “encontrar estratégias que permitam melhorar o funcionamento do sistema nervoso, nas situações onde ele não está a funcionar de forma ideal”. 

A equipa de investigação procurou “olhar para processos onde a plasticidade das sinapses é máxima, que acontece durante a organização do sistema nervoso e com o desenvolvimento” da criança. Isto permite “encontrar mecanismos que tornem as sinapses menos presas, de forma a que se adaptem a nova informação que flua nos circuitos neuronais”. O professor catedrático da FMUC compara ainda o cérebro humano imaturo a uma “grande pedra de mármore, talhada de forma a melhorar a rede de contactos de neurónios adequada ao funcionamento do cérebro em adulto”. O grupo de investigação tomou esta analogia como ponto de partida para compreender “como as sinapses se mantêm estáveis, como são eliminadas e como se selecionam as melhores durante o desenvolvimento”.

 Segundo Rodrigo Cunha, a descoberta da molécula de ATP na ativação de sensores essenciais à manutenção de sinapses é “por si só, um marco”. Por causa deste estudo, existe agora a esperança de que, ao atuar sobre este alvo molecular, se torne possível avançar na área da neurociência. Rodrigo Cunha admite que “trabalhos com deste género não são contemplados pela esmagadora maioria de esquemas de financiamento público que estão disponíveis”, o que levou ao atraso na investigação. Salientou ainda a importância da colaboração de especialistas internacionais, que contribuíram com as suas competências, necessárias para o projeto científico poder avançar. O projeto, que nasceu em Portugal, na UC, alargou-se, desta forma, a França e Espanha.

O processo de seleção é intrínseco às sinapses. No entanto, os sinais iniciais de recrutamento, ou a falta dele, são externos e correspondem a experiências a que a pessoa esteve sujeita em criança. É um objetivo futuro dos investigadores “conhecer o mecanismo fundamental que governa as sinapses, bem como  manipular o sistema de forma a intervir sobre ele consoante as necessidades do ponto de vista terapêutico”, destaca Rodrigo Cunha.

A possibilidade de tirar benefícios deste estudo para a prevenção de doenças psiquiátricas é uma realidade ainda distante. O professor catedrático da FMUC antecipa a hipótese de “começar a manipular este sistema em modelos de doença e conseguir que a plasticidade de fluxo de informação seja restaurada nestas patologias”, algo a prever nos próximos anos de investigação. Rodrigo Cunha deixa um apelo à valorização do trabalho de investigação feito pela UC. O diretor do estudo considera também que “é importante salientar o facto de ser possível em Portugal e na UC levar a cabo investigação competitiva a nível mundial”.

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