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Cultura

Os premiados dos XXVII Caminhos

Luísa Macedo Mendonça

“Alcindo”, de Miguel Dores, foi o vencedor do Grande Prémio Caminhos. Entrega de prémios foi antecedida pela exibição de “Três Dias sem Deus”, de Bárbara Virgínia. Por Luísa Macedo Mendonça

Diversidade e inclusão são palavras que marcaram esta edição do Festival Caminhos do Cinema Português, cuja sessão de encerramento teve lugar ontem, dia 20 de novembro, pelas 21h45, no Teatro Académico de Gil Vicente. Com mais de 150 mostras exibidas nas últimas duas semanas, o evento culminou na atribuição de um total de 32 prémios nas várias secções.

A cerimónia teve início com a apresentação da cópia restaurada de “Três Dias sem Deus”, realizada e protagonizada por Bárbara Virgínia, em 1946. Foi a primeira longa-metragem portuguesa de ficção feita por uma mulher e também a primeira nacional a ser exibida no Festival de Cannes. Desta obra, perdeu-se não só o início e o fim, assim como o som. “​​Estas sucessivas perdas revelam a falta de atenção que se tinha com as produções femininas”, destaca Ricardo Vieira Lisboa, jurado do Caminhos. Os 26 minutos recuperados foram assistidos ao som do músico de jazz, reconhecido pelo improviso, Marcelo dos Reis. O artista presenteou ainda o público com momentos musicais durante o resto da noite.

Tiago Santos, organizador do Festival, realça a programação heterogénea do festival, que “pretende chegar a todos os públicos”. Assim, ao longo do festival, as exibições foram separadas em 3 secções de competição. A Seleção Outros Olhares agrega filmes com diálogo “mais experimental e mais questionador daquilo que é o convencional”, explica. A Seleção Ensaios é dedicada a obras, internacionais ou nacionais, produzidas sob contexto escolar, académico ou de formação. Já a Seleção Caminhos é focada em toda a cinematografia de produção profissional portuguesa.

O premiado Melhor Filme para Outros Olhares foi o documentário “A Nossa Terra, o Nosso Altar”, de André Guiomar, “pela solidez, pela força estética, linguagem eficaz, bem como pelo seu olhar profundamente humano”, justifica o júri. Não obstante, a menção honrosa desta seleção foi para o filme “Mulher como Árvore”, de Flávio Ferreira, Hélder Faria, Alejandro Vásquez, Daniela Cajías e Carmen Tortosa.

Já a Seleção Ensaios destacou as obras de três mulheres como vencedoras. O prémio para Melhor Ensaio Internacional foi atribuído a “Silent Zone”, de Carmen Wuhrer. Já “Walkthrough”, de Sofia Salt, foi o vencedor na categoria de Animação. Por fim, a obra nacional galardoada foi “Camaradas de Armas”, da estudante Catarina Henriques, da Universidade da Beira Interior, que se destacou, conforme o júri, pela “singular e estruturada visão da instituição militar em Portugal”.

O júri Caminhos atribuiu diversos prémios, entre os quais o de Melhor Realização a Catarina Vasconcelos, por “A Metamorfose dos Pássaros”, que também ganhou o Prémio Revelação Fernando Santos Sucessores, o Prémio do Público e a Menção Honrosa da Federação Internacional de Cineclubes. Esta última atribuiu o Prémio D. Quixote à obra de Filipe Melo, “O Lobo Solitário”, que foi também selecionado para Melhor Banda Sonora pelo trabalho de Filipe Melo e The Legendary Tigerman. Obteve ainda a menção honrosa da Empresa CISION, cujo prémio foi atribuído a “O Táxi de Jack”, de Susana Nobre. 

Também foram premiadas outras películas como “Simon Chama”, de Tiago Simões e Marta Sousa Ribeiro, nas categorias de Melhor Montagem, Melhor Cartaz, e Melhor Atriz Secundária com Rita Martins. “A arte de morrer longe”, de Joana Cardoso, foi distinguida por Melhor Guarda Roupa, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Ator com Pedro Lacerda.  A distinção de Melhor Atriz este ano foi para Diana Neves Silva em “Luz de Presença”, Diogo Costa Amarante. Catarina Romano conquistou o título de Melhor Animação pelo seu filme “Seja Como For”. Já Diogo Lima levou para os Açores os prémios de Melhor Argumento Original e de Melhor Ficção com “Os Últimos Dias de Emanuel Raposo”.

Por fim, o filme documental “Alcindo”, de Miguel Dores, foi o vencedor do Grande Prémio do Festival. A par disso, garantiu ainda o Prémio Universidade de Coimbra de Melhor Documentário. A longa-metragem parte da história de Alcindo Monteiro e pretende consciencializar o público acerca do racismo “assente ainda hoje na vida dos portugueses”, afirma. O realizador salienta que “este documentário nem sequer devia ter sido feito porque Alcindo não devia ter sido assassinado por neonazis”.

Esta obra resulta da sua tese de mestrado, que surgiu devido à sua familiaridade com o tema. Miguel Dores conta que, enquanto natural da Amadora, desde cedo lidou com a questão do racismo. Mas “não foi só ter amigos perseguidos por ‘skinheads’, foi também ir ao bairro alto e ser um espaço de ritualização dessa memória, a memória que não esquecemos”, acrescenta quanto às perseguições do grupo decorrentes do dia 10 de junho de 1995, referidas no documentário. 

Os prémios da 27.ª Edição do Festival Caminhos do Cinema Português já foram entregues, mas as sessões não cessam por aqui. As exibições especiais vão continuar, entre 22 e 30 de novembro, na Casa do Cinema de Coimbra, com “filmes que não competiram no festival, mas que não vão ser descurados”, refere Tiago Santos. São exemplos “Logos, Ethos, Pathos”, de Joaquim Pinto e Nuno Leonel, “O movimento das coisas”, de Manuel Serra, e “Mar Infinito”, de Carlos Amaral. O organizador conclui que o Caminhos está a “contribuir para uma renovação e fortalecimento da literacia cinematográfica”.

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