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Ensino Superior

“O sonho de gerações constantemente inacabado”

Luísa Macedo Mendonça

Falta de espaço e de condições é crítica que marca aniversário da Tomada da Bastilha. Mudanças no evento potenciaram adesão. Texto e fotografias por Catarina Magalhães e Luísa Macedo Mendonça

A celebração dos 101 anos da Tomada da Bastilha teve início às 22 horas do dia 24 de novembro, até à meia-noite do dia 25. Ao som dos sinos da torre da Universidade de Coimbra (UC), os estudantes começaram a reunir-se à frente da Porta Férrea. Com as tochas acesas e ao ritmo do bombo, o cortejo dirigiu-se até ao largo da Sé Velha. O presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), João Assunção, realça que “quem conhece o passado, consegue compreender o presente e conquistar o futuro”, num dos eventos que diz ter marcado o seu mandato.  

Na madrugada do dia 25 de novembro de 1920, um grupo de “40 conjurados”, revoltados perante a falta de condições e espaços da sede da AAC, invadiram o piso superior do então Colégio de S. Paulo Eremita (os atuais departamentos de química e física no Polo I), monopolizado pelo Clube dos Lentes – um grupo de professores elitizado. Os estudantes tomaram controlo do edifício, a fim de instalar os grupos académicos que, de outra forma, estariam desalojados por falta de espaço. O soar das badaladas da torre emblemática da UC pelos estudantes deu a conhecer à comunidade a sua vitória.

Em homenagem a um dos episódios mais emblemáticos da história da Academia, o cortejo regressou ao formato tradicional, um ano depois. Porém, contou com algumas mudanças como a antecipação das celebrações e a atuação de cinco grupos académicos. Na opinião de João Assunção, “essas alterações tiveram um efeito muito positivo” na afluência de pessoas.

Nas escadas da Sé Velha, o Coro Misto da UC inaugurou as atuações da noite. O silêncio imperou em frente à antiga casa de José Afonso onde estudantes trajados e algumas pessoas se juntaram para assistir à celebração. De seguida, a mancha negra desceu o Quebra Costas para ouvir o Coro dos Antigos Orfeonistas da UC. “À meia-noite ao luar” foi a balada que deu início à atuação, junto ao Arco de Almedina.

O Orfeon Académico de Coimbra continuou a homenagem com uma atuação, cujo pano de fundo foi a Igreja de Santa Cruz. No final, o grupo encheu a Praça 8 de maio com o som da guitarra portuguesa acompanhada da guitarra clássica e encerrou com o tradicional FRA. Por sua vez, no monumento de homenagem a Luís de Camões, os violinos e o violoncelo da Tuna Académica da UC adaptaram três temas ao estilo clássico.

Ainda com o fumo das tochas, o grupo de estudantes regressou ao edifício da AAC. A noite terminou com o discurso do atual presidente da DG/AAC, após a atuação da Secção de Fado da AAC. João Assunção teceu críticas às condições do edifício que classificou como “insuficientes” para as necessidades da casa. Apelou aos futuros academistas que “tenham o atrevimento de afirmar que a AAC é um sonho de gerações constantemente inacabado”.

Em entrevista ao Jornal A CABRA, considera que “não será possível atingir a plenitude da atividade da AAC com um edifício que está projetado desde 1961”. A falta de espaços é um dos maiores entraves, uma vez que, outrora, esteve sob alçada da Academia a gestão das cantinas azuis, dos grelhados e das amarelas, a par do Teatro Académico de Gil Vicente e o Estádio Universitário de Coimbra.

Num dos últimos grandes eventos do seu mandato, destacou alguns dos momentos mais marcantes, como a celebração do 17 de abril, bem como a atribuição do título de associado honorário a Manuel Alegre. Além da posição da DG/AAC contra o Congresso do CHEGA, a 28 de maio, que é um “dos momentos de intervenção política”, na opinião de João Assunção, que “melhor representa a academia Coimbrã”.

Ainda assim, frisa que o encontro inesperado com Octávio Luís Cunha, antigo presidente da DG/AAC, em 1965, foi o episódio que mais o marcou. “Descaracterizado, mostrava ao seu neto os corredores que tinha cruzado há quase 50 anos”, conta. Por último, João Assunção elogiou o trabalho e destacou o papel dos órgãos de comunicação social da casa que possibilitam que “a mensagem da AAC chegue a um maior número de pessoas”.

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