Cultura

Frida Kahlo e Chavela Vargas encontram-se no Festival de Igualdade de Género para crianças e jovens

Fotografia cedida por Vânia Couto

Luta pela igualdade de género “não passa só pelas leis, é preciso fazer algo mais”, afirma organização do festival. Evento tem sessões agendadas não só para a comunidade infanto-juvenil, mas também para público em geral. Por Inês Rua

O primeiro Festival de Igualdade de Género para crianças e jovens em Portugal começou hoje, no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra. Com o apoio da Direção Regional da Cultura do Centro, este evento pretende sensibilizar o público mais jovem para este tema, a par do trabalho que é já realizado nos estabelecimentos de ensino. Vânia Couto, presidenta da Associação CATRAPUM, considera que “é uma forma de relembrar que a igualdade de género precisa de ser falada cada vez mais nas escolas”. 

A associação CATRAPUM, organizadora do festival, trabalha com serviços educativos e culturais para todas as pessoas e tenta promover a educação e a inclusão através da arte. Antes deste festival, já tinham realizado um espetáculo dedicado às mulheres e à questão da igualdade de género em escolas. No entanto, fruto do desejo de chegarem a mais pessoas pela premência do tema, concorreram à Semana Cultural da Universidade de Coimbra (UC) e apresentaram candidatura à Direção Regional da Cultura do Centro.

Após a morte, Frida Kahlo encontra Chavela Vargas e as duas têm uma conversa. É com esta premissa que surge a peça fictícia, constante no programa desta primeira edição, criada por Élia Ramalho, proprietária do Salão da Frida Kahlo, em Coimbra, após o seu encontro com Vânia Couto. Em coligação dos interesses de ambas, “criou-se esta peça, para falar destas duas mulheres que pela sua história bibliográfica e pela sua arte, fizeram muitas mudanças no mundo e no pensamento”, explica  Vânia Couto.

Neste sentido, a programação prevê eventos destinados para crianças e famílias da parte da manhã e para público em geral à noite. Para além do espetáculo, pode-se também participar em debates e conversas com pessoas das mais diversas áreas especializadas no assunto. Existe ainda a possibilidade de realizar ‘workshops’ que relacionam o tema com a sua intervenção pela música e pela pintura e, ainda, o de “Igualdade de Género” pela Casa Qui, uma instituição lisboeta que trabalha com esta questão. 

O objetivo do festival é chegar às crianças e jovens para informar sobre questões de género e LGBTQIA+. “As novas gerações são o futuro e essas sim podem fazer a diferença nesta temática”, realça a presidenta da associação. Vânia Couto acrescenta que com a intervenção nesta faixa etária é possível chegar também a pessoas adultas, através das suas famílias. No entanto, explica que com esta primeira edição se pretende perceber que público está mais interessado neste aspecto. 

Com um balanço positivo, o dia de hoje teve as sessões esgotadas. “Foi muito interessante ver as reações à peça e às questões que foram faladas”, destaca Vânia Couto. A organizadora do festival conta que a maioria das pessoas esteve aberta e disponível para ouvir, com muita adesão das escolas e com muitas mensagens positivas por parte das mães e dos pais.

Por outro lado, embora em percentagem pequena, algumas saíram do espetáculo incomodadas com a temática. A presidenta da CATAPRUM partilha que foram questionados sobre se estavam “a fazer propaganda LGBT, a ensinar as crianças a serem homossexuais” e ouviram afirmações de que “questões relacionadas com homens e mulheres são uma ideia esquerdista e extremista”. Vânia Couto alerta que “é também por estas pessoas que é feito o festival”. 

Para a presidenta, a luta pela igualdade de género “não passa só pelas leis, é preciso fazer algo mais”, pelo que festivais como este pretendem “trazer pessoas que depois transmitam as informações a outras”. “É um grãozinho, mas é muito importante”, conclui. O evento está programado estender-se para o dia de amanhã, no mesmo local, e nos dias 19, 20 e 21 deste mês, em Penela. A organização adianta ainda que já houve convites  para decorrer noutros lugares. 

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