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Ensino Superior

Estudantes de História denunciam alegados casos de xenofobia dentro do curso

Miguel Mesquita Montes

Apresentadas queixas pelos visados ao NEFLUC/AAC. Entidades envolvidas discutem ação a tomar. Por Eduardo Neves e Filipe Rodrigues

Estudantes da Licenciatura de História da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) fizeram queixa de atitudes xenófobas dentro do curso ao Núcleo de Estudantes da FLUC da Associação Académica de Coimbra (NEFLUC/AAC). A situação, que ainda está a ser investigada, foi apresentada à direção da faculdade no dia 3 de novembro. O diretor, Albano Figueiredo, explicou aos alunos visados que, como o sucedido não aconteceu no espaço físico da faculdade, as suas competências são limitadas. Os nomes dos estudantes envolvidos não vão ser divulgados.

Os discentes que apresentaram declarações adiantam que os comentários aconteceram no início do mês, num grupo de ‘WhatsApp’ do curso. Em conversa com A CABRA, as alegadas vítimas queixam-se de que estas atitudes não se limitam a comentários neste contexto, mas que os comportamentos se estendem para fora da ‘internet’. O suposto agressor foi também acusado de tratar alunos estrangeiros de forma diferente dos seus colegas portugueses em convívios do curso.

Uma das pessoas entrevistadas afirma que não é a primeira vez que acontecem situações deste género dentro da instituição e lamenta que “acabem sempre por ser abafadas”. Admite ainda que tem conhecimento de outras situações parecidas, tanto ‘online’ como “à porta da FLUC”. Uma das estudantes do curso destaca que os alunos mais velhos frisaram, desde o início do ano letivo, que “este tipo de comportamentos não vão ser aceites”. Lamenta também a falta de apoio a estudantes estrangeiros por parte da UC e considera que devia existir uma atuação mais atenta sobre estes assuntos. Reitera ainda que existe uma divisão entre alunos estrangeiros e portugueses na FLUC.

Uma das pessoas responsáveis pela denúncia afirma que estes comentários são comuns na internet, nos dias de hoje, visto que as pessoas “se sentem protegidas pelo telemóvel”. Em entrevista, comentou que não tem conhecimento de atuação imediata, nem do NEFLUC/AAC, nem da direção da instituição, e discorda desta atitude.

O presidente do NEFLUC/AAC, Luís Castro, admite ter sido apanhado de surpresa,  e refere que nunca teve “uma denúncia deste tipo”. Conta que a primeira abordagem foi contactar a direção da faculdade, e explica que estão a “avaliar possíveis soluções em conjunto”. O dirigente frisou que o núcleo está em completa solidariedade para com os estudantes e mostra disponibilidade para os ajudar a “contactar a SOS Estudante e a Secção de Defesa dos Direitos Humanos da AAC”. Quando questionado sobre se sentia divisão entre estudantes nacionais e estrangeiros, Luís Castro admite que há uma certa distância entre estudantes de Erasmus e os restantes, mas que o mesmo não é verdade para estudantes brasileiros e portugueses.

Em entrevista, o alegado agressor comentou que não sabia por qual episódio estava a ser acusado. Sabe que foi “acusado de xenofobia”, no entanto, não tem conhecimento do “ato em concreto ou o que disse”, admite. Diz ainda que só soube do processo quando um amigo o alertou que havia alegações contra a sua pessoa. Confrontado com as mensagens que levaram à apresentação da queixa, o indivíduo confirmou que se tratava dele.

O acusado afirma que os comentários “foram em resposta a um ‘meme’ que tinham mandado, sem qualquer intenção maliciosa”, explica sobre um dos casos apresentados. Em relação à alegada diferença de tratamento em convívios, o estudante explica que isto se deve ao facto de ser “um bocado tímido”.

Por fim, o alegado agressor considera estranho que as vítimas “não se tenham pronunciado no momento”. Diz que “se houver ações disciplinares, vão ser contestadas”, uma vez que não sabe “o que disse para ofender as pessoas e gostaria de o saber”, a fim de se “poder defender ou pedir desculpa”. O estudante conclui ao explicar que gostava que as pessoas tivessem vindo falar com ele, “em vez de recorrerem aos órgãos superiores”. Classifica ainda a conduta dos colegas como “exagerada”.

O diretor da FLUC, Albano Figueiredo, em entrevista torna claro que repudia este tipo de comportamentos, mas relembra que, como não se passou em ambiente “letivo”, esta situação fica aquém do poder interventivo do órgão. Apesar de ter tomado posse dia 26 de julho deste mesmo ano, não nega que estes acontecimentos tenham ocorrido em alturas anteriores. Acrescenta ainda que a FLUC é uma instituição que se rege pelos valores  da “liberdade, inclusão e o respeito”, pelo que vai intervir sempre “dentro dos limites” do que é o seu âmbito de ação.

Artigo atualizado dia 25 de novembro às 19h30.

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