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Ciência & Tecnologia

Equipa de cientistas da UC permite testes menos agressivos em animais

Fotografia cedida por Cristina Pinto

Busca científica permite que UE fique “mais próxima de realizar experimentos mais eficazes em roedores”. Investigação realizada pela FMUC, em colaboração com EsTeSC/IPC, recebe prémio internacional . Por Mariana Caparica e Lara Queiroz

Uma equipa de investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu uma tecnologia transformadora que torna possível mudar a forma como ocorrem as experiências científicas em animais. Tal projeto foi criado no âmbito de investigação “HaPILLness – Voluntary oral dosing in rodents” e decorreu ao longo dos últimos três anos no Instituto de Investigação Clínica e Biomédica de Coimbra (iCBR), da Faculdade de Medicina da UC (FMUC), com a colaboração da Escola Superior de Tecnologia da Saúde de Coimbra (EsTeSC/IPC).

Sofia Viana, investigadora e coordenadora do projeto, trabalha na área de farmacologia e defende “a necessidade e a obrigatoriedade de usar animais para validar um conjunto de avaliações antes de ser possível administrar uma molécula no homem”. No entanto, pretendem diminuir o nível de agressividade ao máximo, através de novas práticas.

A investigadora explica que, em alternativa ao método de gavagem, são introduzidas matrizes nas gaiolas dos animais, onde estes acabam por ingerir a “goma” voluntariamente. Questionada sobre a diferença entre a gavagem e a ingestão da matriz semissólida, a ‘’goma’, Sofia Viana, explica que o método comum implica introduzir uma sonda pela boca do animal, invasão esta que causa stress e dor. Para além disto, “estes protocolos costumam durar meses, o que acaba por ser sinónimo de trabalho e tempo perdido”, reitera. Assim, “esta inovação diferencia-se pelo facto de ser administrada de forma menos invasiva e de ingestão voluntária”, conclui.

O projeto destaca que, ao longo dos anos, “uma pressão foi gerada para haver um extermínio da forma que os testes em animais são administrados”. No entanto, atualmente, “não há alternativas ao uso de animais que sejam eficazes e que contenham o mesmo efeito”. Dessa forma, “esta investigação visa minimizar ao máximo o sofrimento” e realizar experimentos eficazes, de forma a garantir “o bem-estar animal que, cada vez mais, a sociedade exige”, esclarece a coordenadora.

Sofia Viana já pensa no próximo passo: validar a tecnologia nesses moldes em animais com doenças, porque “ajudam em maior escala”. Além disso, pretende “alargar o alcance para que mais pessoas usem a tecnologia”, e aspira que a investigação que coordenou seja igualmente acessível para outros laboratórios tanto nacionais como internacionais.

A investigadora não acredita num futuro próximo em que os testes em animais sejam dispensáveis, apesar de que “há uma intenção geral, mas sem data de início”. No entanto, é preciso levar em consideração que “a União Europeia já regulamenta estas experiências e zela pelo bem-estar animal e condições aceitáveis”. Portanto, sublinha a importância de substituir sempre que possível e “quando não é possível, reduzir ao máximo o número de animais usados e, sobretudo, refinar os procedimentos”.

Reconhecido de forma internacional, este projeto foi agraciado com o prémio 3Rs Refinement Prize da The European Partnership for Alternative Approaches to Animal Testing (EPAA). Este avanço faz com que a União Europeia “fique mais próxima de conseguir realizar testes mais eficazes”.

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