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Ciência & Tecnologia

À conversa com o RÓMULO: a história da farmácia ganha vida na cidade de Coimbra

Júlia Floriano

Docentes da UC refletem sobre património literário e monumental das ciências médico-farmacêuticas. História da farmácia “basilar para construção de identidade científica de profissionais e alunos”. Por Joana Carvalho

No dia 8 de setembro, o Café Santa Cruz abriu as suas portas ao RÓMULO Centro de Ciência Viva da Universidade de Coimbra (UC) para uma conversa informal sobre o património médico-farmacêutico da cidade de Coimbra. A tertúlia contou com a presença de Carlos Fiolhais, físico e antigo docente da UC, e João Rui Pita, professor na Faculdade de Farmácia da UC (FFUC).

Com uma tese de doutoramento de história da Farmácia, João Pita afirma que “a relação entre a história e as ciências confere uma visão humanística às várias práticas científicas”. O professor da FFUC acredita que “há conceitos humanísticos e éticos da história, que são importantes para a formação integral do cientista” que fogem à exclusividade da prática laboratorial e técnica da profissão.

No decorrer da sessão, foi feita uma análise da evolução das práticas médicas e farmacêuticas, com destaque sobre o desenvolvimento do seu estudo. João Pita referiu também que “o estudo da medicina não deve ser uma mera observação” e que “a valorização da aprendizagem deve ser feita pela prática”. Neste sentido, o docente relembrou a fundação do hospital escolar da UC, que assinala o 250º aniversário no próximo ano.

Também foi frisado durante a tertúlia a importância inicial que a botânica teve para a criação e desenvolvimento de medicamentos. João Pita salienta o contributo dos “boticários conventuais”, com uma especial atenção para o Mosteiro de Santa Cruz, cujas práticas de farmácia, segundo o mesmo, “remontam à época medieval”. De acordo com o docente, os avanços da química abriram também caminho para o questionamento de se a preparação de medicamentos deveria estender-se “além do âmbito da botânica”.

Para o docente da FFUC, a existência de locais em Coimbra que outrora se dedicaram ao desenvolvimento de práticas médico-farmacêuticas é um privilégio. João Pita salienta o antigo edifício do Hospital Real, localizado na Praça do Comércio, bem como o Museu da Ciência, onde se encontravam os antigos hospitais da universidade. O professor universitário também refere que várias farmácias de arquitetura antiga contribuem para a preservação deste património. Chama ainda a atenção para o espólio a nível de livros de ciências médico-farmacêuticas na Biblioteca Joanina e na Biblioteca das Ciências da Saúde.

João Pita acredita ser importante mais conversas de caráter informal sobre assuntos que estejam ligados às ciências. “Estas sessões são importantes para sensibilizar e cativar o público”, afirma. Sobre o estudo da história farmacêutica, o docente acrescenta que esta confere identidade científica e uma visão “não dogmática” tanto a alunos como a profissionais. Alerta ainda que “qualquer profissão que remeta para plano secundário o seu passado e negue a sua tradição está remetida ao fracasso”.

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