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Desporto

UC rumo a Tóquio 2020: Irina Rodrigues

Fotografia gentilmente cedida por Irina Rodrigues

Rotina intensa de estudos e treinos não impediu a atleta de sonhar com a qualificação para os seus terceiros Jogos Olímpicos. “Quero ser finalista olímpica”, enfatiza. Por Julia Floriano 

Qual é a ligação que manténs com a cidade de Coimbra?

Uma ligação académica. Eu vou para Coimbra para assistir às aulas teóricas e práticas.

Realizas os treinos em Coimbra?

Não, realizo em Leira e Angra do Heroísmo. 

Sempre foi a tua escolha o atletismo e o lançamento de disco?

Comecei por fazer natação até os 13 anos, mas depois tive uma lesão que requeria intervenção cirúrgica e a minha mãe disse que eu era muito jovem e para parar. Foi aí que surgiu o atletismo devido aos campeonatos da escola. 

Qual foi a melhor marca que conseguiste alcançar? 

63,96 metros.

Como é a tua rotina de treinos?

É variável. Normalmente no inverno eu costumo treinar só uma vez por dia, cerca de três horas ou três horas e meia, para poder conciliar com as aulas práticas e com as aulas teóricas. Na rotina deste ano olímpico, eu só me inscrevi no primeiro semestre para poder treinar e preparar-me a cem por cento para os Jogos Olímpicos. Em alguns dias treino duas vezes, três horas a cada sessão e três vezes por semana, e há sempre uma folga semanal.

E em relação aos Jogos Olímpicos?

Com os Jogos Olímpicos não me inscrevi em nenhuma unidade curricular do segundo semestre. Vivo em Leiria, o meu treinador vive nos Açores e tem que apanhar um voo todas as semanas. Eu vou para a ilha e ele vem para o continente na semana seguinte e ainda teria que ir a Coimbra assistir às aulas. Como não teria disponibilidade para isso, optei por não me inscrever no segundo semestre em nenhuma unidade curricular. 

Quais são as etapas de qualificação para os Jogos Olímpicos? 

A qualificação para esta olimpíada foi um pouco diferente. Havia duas hipóteses de qualificação: fazer uma marca que é 63,5 metros ou qualificar por um ranking onde entram 32 atletas. Eu fiz 62,95 metros, mas consegui estar sempre acima de 60 metros em várias competições, quer europeias quer nacionais. A minha regularidade fez com que eu estivesse sempre dentro do ranking devido ao número de pontos que eu conseguia nestas competições. Fui a 27ª do ranking e assim sendo qualifiquei-me para os Jogos Olímpicos.

Por que escolheste o lançamento do disco? 

Quando eu fui para o atletismo eu queria ser velocista, queria correr os 100 metros, mas eu sou uma menina de 1,81 metros. Já tinha 1,78 metros de altura e uma envergadura de 1,92 metros com 14 anos e essas características físicas apontavam para um talento natural no lançamento do disco. 

Como concilias os treinos com os estudos? 

Eu ainda não terminei o meu mestrado integrado em Medicina, porque não é fácil conciliar o alto rendimento com um curso tão difícil como o curso de Medicina. Em vez de me inscrever no ano inteiro, fui-me inscrevendo em poucas unidades curriculares em cada época desportiva, para poder manter o foco na minha carreira desportiva sem nunca me desligar da minha carreira académica, que vai ser o meu futuro. O problema é que eu só posso ser atleta até os 40 anos, depois disso eu tenho que pensar no emprego que eu quero ter.

Quando nasceu a vontade de participar dos Jogos Olímpicos? 

Foi desde a natação que eu queria ir aos Jogos Olímpicos, mas na altura na natação não havia ninguém que tivesse chegado ao Mundial nem ao Europeu, então achava que era difícil estar presente nos Jogos Olímpicos. Eu lembro-me que ouvi falar dos Jogos Olímpicos em 1996, ou seja, tinha cinco anos. Não sabia que era possível lá estar, porque na natação não havia ninguém em Leiria a ir aos Jogos Olímpicos. Saí da natação e comecei a fazer atletismo com 13 anos. Os primeiros Jogos Olímpicos a que fui tinha 21 anos, era muito nova. Fui ganhando mais medalhas, como uma de ouro no Festival Olímpico da Juventude Europeia, com 16 anos. Havia Jogos Olímpicos em 2008 e eu era muito nova. Então pensei: “Não consigo ir aos de 2008 mas quero ir aos de 2012”. E consegui. Fui aos de 2016, mas tive um acidente dois dias antes da minha entrada na competição, já no Rio de Janeiro.  

Quais são as tuas expectativas? 

Eu quero ser finalista olímpica, quero ficar entre as 12 primeiras. 

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