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Desporto

UC rumo a Tóquio 2020: Catarina Costa

Fotografia gentilmente cedida por Catarina Costa

Aos 24 anos, a atleta de Judo da Associação Académica de Coimbra conta como foi a sua preparação para os Jogos Olímpicos. “Sou cabeça de série, também ambiciono chegar o mais longe possível”, destaca a estudante da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Por Julia Floriano  

Qual é a ligação que manténs com a cidade de Coimbra?

Eu nasci nesta cidade. É a cidade que me viu crescer, que me viu tornar atleta e ambicionar com este grande sonho: chegar aos Jogos Olímpicos. É muito especial também poder concretizá-lo estando ligada à  cidade que sempre me apoiou desde o início. 

Com quantos anos iniciaste o desporto?

Eu comecei com 10/11 anos. 

Sempre praticaste judo?

Não. O primeiro desporto que  pratiquei foi  natação. Comecei quando mais ou menos três anos e continuei até aos  12/13 anos. Quando comecei o judo ainda fazia natação e depois quando  comecei a competir um pouco mais a sério, parei a natação porque já nadava muito bem. Então, uma vez que eu já nadava bem e gostei muito mais do judo, optei por esse desporto.

De que forma concilias os treinos com o curso de Medicina?

É muito difícil. Se um atleta normal tem que abdicar de muita coisa, se o estudante de Medicina tem que abdicar de muita coisa, no meu caso, sou atleta-estudante, tenho que fazer alguns sacrifícios extras, mas acho que, acima de tudo, o que ajuda é a minha organização. Outra ajuda é a facilidade que o Gabinete de Desporto da Universidade de Coimbra tem dado aos atletas estudantes, não só ao nível do curso, pois facilita um pouco a alteração de testes e exames, mas também quanto às infraestruturas de treino. 

Quando nasceu a tua vontade de participar dos Jogos Olímpicos?

Eu lembro-me de ser muito pequena e assistir os Jogos Olímpicos na televisão. Ficava muito fascinada porque já percebia um pouco que aquela era uma grande competição, participavam os melhores do mundo.  De quatro em quatro anos gostava sempre de ver. Quando comecei o judo não posso dizer que esse era um dos grandes objetivos, porque a verdade é que eu comecei por lazer. Assim que comecei a competir gostei muito, sou uma pessoa extremamente competitiva.Também com os meus resultados acho que foi um processo natural. A afirmação mesmo foi nos jogos do Rio 2016, nessa altura já treinava na seleção sénior. 

Como é a tua rotina de treinos? 

Este semestre decidi parar os estudos, consegui dedicar-me mais aos treinos e a toda parte inerente ao treino.  Acordo mais ou menos às nove horas, tomo um bom pequeno almoço e costumo ter um treino de musculação no ginásio, ou um treino técnico de judo, de aproximadamente uma hora e meia a duas . Regresso a casa, começo a preparar o almoço e faço sempre uma pequena sesta. Na parte da tarde é também  o espaço reservado à sessão de fisioterapia e recuperação. À noite faço duas horas de randori,  que são as lutas de treino . Regresso a casa, janto e tento deitar-me o mais cedo possível. 

A rotina é a mesma durante a preparação para os Jogos Olímpicos?

De momento estamos a ter estágios da selecção nacional em Cernache. Estes estágios têm sido semanalmente, de segunda a quinta, com treinos bidiários: de manhã e de tarde são treinos de aproximadamente 2 horas com randori. Como já estou na fase final de preparação, eu faço um bom treino de randori e aproveito o outro treino para trabalhar a minha parte técnica ou trabalhar no ginásio. 

Como te mantiveste motivada durante a pandemia?

Eu vivi a pandemia de uma maneira bastante diferente e isso permitiu-me manter sempre a motivação muito alta, porque desde cedo eu e o meu treinador antecipámos um pouco o que ia acontecer em Portugal, que era o confinamento. Então, juntamente com duas colegas e amigas da Académica, alugámos uma casa e ficámos confinadas em conjunto com o meu treinador e tínhamos treinos bidiários. Conseguimos fazer com que o estágio durasse aproximadamente três meses. Durante esse tempo treinámos  ginásio, a parte técnica e fazíamos também judo com lutas no relvado. Isso foi bom porque permitiu-nos evoluir, criar laços mais fortes e também ajudou muito na parte mental. Tínhamos sempre um objetivo em mente e estávamos sempre ocupadas. Por um outro lado, a incerteza do que iria acontecer e uma  lesão que contraí constituíram um período um pouco mais complicado. 

Quais são as etapas de qualificação para os Jogos Olímpicos? 

A qualificação é feita por ‘ranking’ olímpico, iniciou-se em março de 2018 e continuou por um período de dois anos, até maio de 2020. De maio de 2018 até maio de 2019, todas as competições que existiram nesse período contaram para esse ranking, com 50% dos pontos obtidos nos seis melhores resultados. No que toca ao período entremaio de 2019 e maio de 2020, nas restantes competições, os seis melhores resultados também entram, mas contam a 100%. Com a pandemia, alargaram os ‘rankings’ do último ano para dois, até 6 de junho de 2021. O somatório total desses pontos permite-nos ficar no ‘ranking’ olímpico em que apenas os 18 melhores entram diretamente, sendo que não podem haver países repetidos. Se as número um e dois forem do mesmo país, cabe ao país escolher quem é a representante. 

Quais são as expectativas para Tóquio 2020?

Vai ser a minha estreia. Apesar disso eu tenho treinado bastante bem, consegui melhorar os pontos negativos que foram analisados nas últimas competições. Acho que estou a ficar numa forma física bastante boa, tanto eu quanto o meu treinador estamos bastante confiantes que eu posso alcançar um bom resultado. Temos trabalhado bastante para isso. Eu sou cabeça de série e ambiciono chegar o mais longe possível.

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