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Ciência & Tecnologia

UC dá passo na investigação dos mecanismos de reconhecimento molecular quiral

Ilustração gentilmente cedida por Cristina Pinto

Metodologia utilizada permitiu análise detalhada das interações entre moléculas quirais. Estudos do fenómeno têm assumido um papel importante no desenvolvimento de fármacos. Por Joana Carvalho

A revista Communications Chemistry publicou hoje um estudo que visa a compreensão das interações de moléculas chave do organismo humano. A investigação foi liderada por Sérgio Domingos, investigador do Centro de Física da Universidade de Coimbra, e contou com a colaboração do ‘Deutsches Elektronen-Synchrotron’ (DESY) e da Universidade de Bochum, na Alemanha.

O estudo centra-se na investigação dos mecanismos de reconhecimento molecular quiral que, segundo explica o investigador, significa “estudar a maneira como duas moléculas quirais se encaixam uma na outra quando se encontram”. Sérgio Domingos refere que a particularidade destas moléculas é “a sua imagem no espelho não se sobrepor a ela própria”. Aponta também que estas moléculas “estão em todo lado” e “são partes constituintes das proteínas e do ADN humano”.

Sérgio Domingos esclarece que o assunto ganhou mais relevância desde que se descobriu que para alguns fármacos uma das quiralidades poderia ser ineficaz ou mesmo causar efeitos adversos. Segundo o cientista, a compreensão deste fenómeno é importante para analisar a reação do corpo humano a vários medicamentos, que são na sua maioria compostos por moléculas quirais.

De acordo com o investigador, o DESY é “a instituição-mãe” do estudo, onde foram realizadas “todas as medições e todas as experiências”. A Universidade de Bochum também foi “crucial” devido ao desenvolvimento de “uma variação da molécula com enriquecimento de um isótopo de um átomo específico” necessário à realização da investigação.

Este estudo foi desenvolvido, de acordo com Sérgio Domingos, através de uma metodologia “de baixo para cima”, em que “conseguimos observar isoladamente o emparelhamento de duas moléculas e estudar as forças que gerem o encaixe sem perturbações externas”. Através de “um sistema pequeno e simples, mas com as componentes todas importantes, incluindo um anel aromático”, o cientista afirma que foi possível investigar as interações entre as moléculas quirais “de forma bastante detalhada”.

De acordo com o investigador, o passo seguinte é “escalar a complexidade” e tentar “observar estes encaixes em conjugação com moléculas maiores”, de modo a verificar se “preferência por um tipo de quiralidade se continua a repetir e se a componente aromática continua a controlar o mecanismo de encaixe”. Sérgio Domingos reitera que esses estudos “já se encontram em andamento”.

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