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Ensino Superior

Resistir à crise climática a meio de uma crise pandémica

Movimentos estudantis de Coimbra adaptam-se à nova realidade. “O confinamento não justifica deixar o ambiente de lado”, aponta a presidente do GE/AAC. Por Marília Lemos 

Diante de muitas limitações, grupos compostos maioritariamente por estudantes, relatam como continuaram seu trabalho em prol do meio ambiente. Entre estes, destacam-se o Grupo Ecológico da Associação Académica de Coimbra (GE/AAC) e o movimento Greve Climática Estudantil de Coimbra. 

A jornada do GE/AAC na luta pela sustentabilidade

O Grupo Ecológico é uma secção cultural da AAC, inicialmente formada em 1974, com um foco no ativismo anti-nuclear, mas que acabou por encerrar as suas atividades e ser reformulado em 2012. Segundo a presidente do GE/AAC, Diana Margarida Santo, “mantém-se o mesmo foco na luta ambiental e o principal objetivo de sensibilizar os estudantes da academia e a cidade de Coimbra como um todo”. De acordo com Diana, o grupo procura fazer isso “através da disseminação de informações e conhecimento, nomeadamente a respeito de questões de sustentabilidade, como a divisão e recolha de resíduos domésticos e uma alimentação mais consciente”. 

Entre as atividades promovidas, a presidente destaca ‘workshops’ de receitas vegetarianas e limpezas de espaços verdes da cidade. Em particular, menciona a luta com as beatas dos cigarros, visto que há uma cooperação com a empresa Biatakí, que as transforma em objetos do dia-a-dia. Além disso, refere o papel do grupo nas festas académicas, nas quais sensibilizam os estudantes para o elevado consumo de lixo e promovem a recolha de descartáveis. 

De acordo com Diana, o grupo foi “muito afetado pela pandemia”, visto que grande parte das atividades eram feitas na rua, rodeadas de pessoas e com contacto bastante próximo. Com as atuais limitações, “a adaptação foi difícil, porque as palestras, até então, não atraíam tantas pessoas, e é difícil haver essa sensibilização, tendo em conta que todos estão fartos de atividades virtuais”. 

A presidente do GE/AAC relata ainda que o grupo debateu continuar as atividades de recolha de lixo, visto que “o confinamento não justifica deixar o ambiente de lado”, mas acabou por prezar a segurança do grupo, pois as limpezas implicam estar em contacto com o lixo das outras pessoas. Além de que sentiram “uma grande responsabilidade de não sujar o nome do Ecológico, ou da AAC”, ao fazer esta atividade durante um período com mais restrições.

Mesmo limitados a atividades ‘online’, o grupo elaborou a “Semana Verde”, um evento que  acontece sempre no início da Primavera, com a participação de diversos núcleos e secções culturais da AAC. “Foi muito difícil fazer uma adaptação, porque é quando temos mais atividades e mais prazer de trabalhar”, relata Diana. Contudo, a semana de eventos teve início no dia 22 de março e termina hoje, dia 26. Os conteúdos apresentados continuam disponíveis nas redes sociais. 

A secção é variada, composta na sua maioria por estudantes e antigos estudantes de uma grande variedade de cursos, e encontra-se “aberta para novas pessoas”, segundo a presidente.

Greve Climática Estudantil: “a crise ambiental ainda não foi resolvida e não pode ser esquecida”

No que toca ao movimento Greve Cimática Estudantil, trata-se de uma iniciativa internacional da ativista Greta Thunberg com o intuito de chamar à atenção sobre a crise climática por meio de greves. Atualmente o movimento tornou-se mais abrangente, e um dos membros do núcleo de Coimbra, Sara Baquissy, explica que a iniciativa vai para “além das greves”. Pretende também “educar, explicar e esclarecer dúvidas das pessoas sobre a crise climática”, através de palestras e ‘posts’ informativos. 

Outra integrante do movimento, Isabel Braz, explica que o objetivo principal é “mostrar às pessoas que esta crise é extremamente importante e atual”. Isabel Braz acredita que “os esforços feitos para contê-la não são suficientes, e que é preciso pressionar os governos a tomar ações mais adequadas”.

Sara Baquissy relata ainda que havia um antigo núcleo conimbricense, mas este desapareceu em 2020 devido à pandemia. Foi ela que, em agosto do ano passado, retomou o grupo ao entrar em contacto com a Greve Nacional, por quem foi auxiliada para criar um novo núcleo em Coimbra, o que a possibilitou encontrar “outras pessoas preocupadas com a causa e motivadas a fazer alguma coisa para ajudar”. 

Sara explica ainda que, como o grupo atual foi formado já dentro do contexto pandémico, o problema não foi de adaptação, mas desde o início planear as atividades conforme as medidas de segurança. Reconhece, porém, que o confinamento “dificulta algumas coisas, como o facto de as reuniões se tornarem impessoais e as manifestações precisarem de ser mais simbólicas”.

Carolina Marques, membro do movimento, relata que, na última manifestação realizada no dia 19 de março, resolveram apelar por uma ação mais simbólica. Esta consistiu em, algumas semanas antes do evento, pedir que as pessoas enviassem pelas redes sociais frases que gostariam de ver expostas em frente à Câmara Municipal de Coimbra, que foram então escritas pelo grupo em pedaços de cartão reutilizado. Carolina explica que a ideia foi para que, “mesmo não estando presentes, as pessoas poderem ter a sua voz representada e mostrar que mesmo com a crise pandémica, a crise ambiental ainda não foi resolvida e não pode ser esquecida.” 

Isabel Braz descreve que a adesão na passada greve simbólica “foi muito positiva, visto que várias pessoas demonstraram o seu interesse e apoio, e foram levadas a refletir a respeito das alterações climáticas”. Reitera ainda a importância de “haver ação por parte dos jovens”, e que o movimento agora planeia palestras para escolas e crianças mais novas. Sara Baquissy explica que as sessões, patrocinadas pela fundação Rosa Luxemburgo, têm como objetivo “não só informar, mas incentivar a ação”.

Atualmente, o movimento  conta com nove membros ativos, dos quais a maioria são estudantes, desde o ensino básico ao universitário, e com o apoio de grupos semelhantes. Segundo as integrantes, existem várias formas de apoiar o grupo, como tornar-se membro e ir aos protestos, divulgar e acompanhar as redes sociais, e educar-se.

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