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Ensino Superior

Estado emocional dos universitários afetado pela pandemia

A maior parte dos alunos nega ajuda médica por vergonha ou dificuldades económicas e revela pensamentos suicidas. Estima-se que perdas monetárias da academia causadas pela COVID-19 rondem os quinhentos mil euros. Por Jéssica Oliveira

A  Associação Académica de Coimbra (AAC) revelou hoje pelas 10h30 no edifício-sede os resultados do estudo “O Impacto do Confinamento na Academia de Coimbra”. Foi realizado entre os dias 17 e 31 de janeiro, período que se sucedeu após ser decretado o novo estado de emergência pelo governo.

Segundo o presidente da Direção Geral da AAC (DG/AAC), João Assunção, esta pesquisa foi feita pela “necessidade de perceber o impacto dos dez meses de confinamento na vida dos estudantes e da Associação Académica”. O estudo contou com uma amostra composta por 1484 estudantes da Universidade de Coimbra (UC) de várias faculdades e departamentos, sendo a maioria do sexo feminino e residentes naturais da zona centro. 

Através de um formulário online, foram analisados dados relativos à saúde mental dos estudantes, ao desempenho académico e à capacidade financeira dos seus agregados familiares. Comprovou-se que oito em cada dez alunos sentem que os seus relacionamentos interpessoais foram afetados durante o confinamento. Também grande parte dos estudantes de nacionalidade brasileira sentiu a sua cognição social ser prejudicada.

Segundo o comunicado de imprensa que revela os resultados do inquérito, outro dado alarmante passa pelo facto de a maioria dos estudantes se sentirem emocionalmente fragilizados, descrevendo-se como depressivos, frustrados, e nervosos. Isto culmina numa “instabilidade mental e emocional” que leva a que um em cada cinco universitários já tenha pensado pelo menos uma vez no suicídio. 

Dos dados recolhidos destaca-se ainda que a maioria dos estudantes apresenta menor produtividade no estudo, o que reflete os baixos rendimentos no momento de avaliação. Desta forma, sete em cada dez alunos admitem já ter pensado em desistir do Ensino Superior. Aliado a este fator, está também o facto da capacidade financeira do agregado familiar ter diminuído de forma substancial.

Comprovadas as dificuldades em suportar as despesas relativas à universidade e à habitação estudantil, João Assunção admite ser urgente o “estabelecimento do valor máximo da propina para que não existam valores exacerbados, como é o caso da propina internacional”. Com vista a atenuar a instabilidade emocional dos estudantes, o presidente da DG/AAC sugere a “criação de uma nova linha na Saúde 24 especializada para apoiar psicologicamente os estudantes do Ensino Secundário e Superior”.

Quanto ao impacto do confinamento na academia, através de um inquérito com uma amostra de 72 estruturas da Associação, revelou-se que as secções culturais foram bastante afetadas. No que diz respeito ao Desporto, 26 secções viram-se fragilizadas pela falta de utilização de infraestruturas, o que acabou por levar à perda de atletas. Estimam-se ainda grandes perdas que ascenderam a cerca de meio milhão de euros.

Artigo atualizado às 20h12.

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