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Ciência & Tecnologia

Equipa da UC investiga fatores de stress em abelhas melíferas

Fotografia gentilmente cedida por José Paulo Sousa

Pesticidas, doenças e pragas apontadas como ameaça ao bem-estar da espécie. Recolha de dados sobre colónias de abelhas destina-se a integrar plataforma europeia. Por Jéssica Oliveira

Uma equipa de investigadores do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra (DCV/UC), em conjunto com peritos europeus do grupo “MUST-B”, criado pela Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), começou a estudar, em 2018, os fatores de stress em abelhas melíferas. Através da melhoria da gestão das culturas e das paisagens agrícolas, o projeto tem como objetivo explorar formas de atenuar as consequências do problema.

Segundo o coordenador da equipa, José Paulo Sousa, a pesquisa foi motivada pela “relevância que os polinizadores em geral e as abelhas melíferas têm em termos ecológicos, económicos e sociais”. Nuno Capela, investigador do Centro de Ecologia Funcional e aluno de doutoramento em Biociências da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), acrescenta ainda queo estudo decorre pela necessidade de perceber as causas do “decréscimo no número de colónias, tanto na Europa como nos Estados Unidos”.

O estudo consiste no desenvolvimento de um modelo de avaliação de risco para as colónias desta espécie de abelhas, com o nome “ApisRAM”, que está a ser construído na Universidade de Aarhus, na Dinamarca. Segundo José Paulo Sousa, o modelo permite avaliar a o impacto de fatores como a presença de pesticidas, doenças e disponibilidade de recurso florais nestas colónias. Também pragas como a vespa asiática e ácaros integram esta lista acrescenta Nuno Capela.

Neste projeto, a equipa da UC tem a função de recolher dados de campo sobre o desenvolvimento de colónias e da paisagem envolvente. O coordenador afirma que esta recolha é feita através de ensaios em laboratório, onde se avalia a toxicidade de diferentes pesticidas nas abelhas. Para além disso, “monitorizam-se as diferentes colónias de abelhas através de balanças para avaliar o peso das colmeias de hora a hora”. Explica ainda que de mês a mês, se faz uma avaliação detalhada nos apiários.

José Paulo Sousa constata ainda que a observação de dados se faz também “através de um ‘software’ de fotografias que permite a identificação do número de ovos, larvas, mel e néctar que consta dentro de cada favo”. Esta ferramenta permite perceber o estado da colónia e de que forma as abelhas utilizam a paisagem para mais tarde serem adotadas medidas de gestão de forma a melhorá-la. “Pretende-se uma agricultura mais sustentável e paisagens mais resilientes”, acrescenta.

Os dados recolhidos estão a ser integrados na plataforma “EU Bee Partnership” (EUBP), apoiada pela EFSA, para serem organizados e analisados de forma mais simples. Desta forma, passa a ser possível melhorar o entendimento de diversas áreas sobre o estado de saúde dos polinizadores e a sua função no ambiente. Nuno Capela menciona ainda que “o principal foco é a informação sobre abelhas melíferas, mas está planeada a integração de dados de outros polinizadores num futuro próximo.”

Com o apoio destes dados, pretende-se que a plataforma seja benéfica para apicultores, futuros investigadores e pessoas que trabalhem em entidades reguladoras. “Se tiver dados da Europa inteira, é uma fonte incrível para se trabalhar”, afirma o coordenador da equipa da UC. José Paulo Sousa enfatiza a importância da plataforma e diz que “é necessário manter os apicultores a comunicar uns com os outros”.

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