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Cultura

XXVI Festival Caminhos encerra no palco do TAGV

Cátia Beato

Grande Prémio do Festival Caminhos vai para o filme “O Fim do Mundo”. “Listen”, de Ana Rocha, é galardoado pela primeira vez em Portugal. Por Inês Rua.

A Cerimónia de Encerramento do XXVI Festival Caminhos do Cinema Português teve lugar no Teatro Académico Gil Vicente (TAGV), no dia 28 de novembro, pelas 18h. O evento teve como intuito a entrega de prémios dos filmes em competição, acompanhada pela banda conimbricense “The Twist Connection”.

Desde 9 de novembro que o Festival Caminhos teve em exibição 223 filmes, divididos em três secções competitivas – Seleção de Ensaios, Seleção Outros Olhares e Seleção Caminhos. O organizador do festival, Tiago Santos, salienta que o festival “marca aquilo que é a diversidade na sétima arte portuguesa” e que, por isso mesmo, “há cinema para todos”.

Num ano atípico para a cultura, Tiago Santos destaca, como positivo, que as condicionantes impostas pela pandemia permitiram a reinvenção de uma iniciativa que se tinha tornado repetitiva ao longo das suas edições. Na atual conjuntura, marcada pela redução da capacidade das salas de espetáculo e pela dificuldade de circular entre concelhos, “termos aqui muitos representantes dos filmes premiados é obviamente um feito que nos deixa muito confiantes”, menciona o organizador.

O filme “Soa”, de Raquel Castro, foi eleito o melhor filme na Seleção Outros Olhares, com menção honrosa para “Anticorpo”, de André Martins.

Fotografia por Cátia Beato

O Júri da Seleção Ensaios considera “Copacabana Madureira”, de Leonardo Martinelli, como o Melhor Ensaio Internacional, “O Presidente Veste Nada”, de Clara Borges e de Diana Agar, o Melhor Ensaio Nacional de Animação e “Corte”, de Afonso e Bernardo Rapazote, o Melhor Ensaio Nacional.

Dentro do mote “cinema português para todos”, destacam-se “Maré”, de Joana Rosa Bragança, “Nheengatu”, de José Barahona, e “Patrick”, de Gonçalo Waddington, como Melhor Animação, Melhor Documentário e Melhor Ficção, respetivamente. O Prémio de Imprensa CISION foi atribuído ao documentário “Amor Fati”, de Cláudia Varejão. “Bustarenga”, de Ana Maria Gomes, teve destaque entre as curtas-metragens.

A Seleção Caminhos, entre os vários prémios técnicos e oficiais atribuídos, galardoou “O Fim do Mundo”, de Basil da Cunha, com o “Grande Prémio do Festival”. “Um tempo, um imaginário e um elenco generoso permitiram a construção de um universo duro, mas que nos acompanha numa reflexão muito depois de o filme ter terminado”, consideram os jurados.

Fotografia por Cátia Beato

“Listen”, de Ana Rocha, considerado melhor filme eleito pelo público, recebe quatro dos prémios do festival. A narrativa retrata a realidade de inúmeras famílias a quem é retirada a guarda dos filhos, por suspeitas de maus-tratos, no Reino Unido. Ana Rocha, agraciada com o Prémio de Melhor Realizadora, conta que o que a influenciou foi “ quando soube que tinha sido tirado um bebé de dias a uma família portuguesa”. “Fiquei chocada e a partir daí comecei a investigar mais”, acrescenta.

A realizadora de “Listen” frisa a importância que o festival teve na produção do filme, quando teve o seu primeiro contacto com a iniciativa há 5 anos atrás. Com o papel de pai na família protagonista do filme, Ruben Garcia, congratulado com prémio de Melhor Ator Secundário, ressalva que “é extraordinário neste momento terem a coragem de fazer este festival” e reflete que “isto é combater a doença através da cultura”.

A organização do festival manifesta o desejo de poder continuar o evento nos próximos anos. Num país onde “a maioria dos festivais são das duas metrópoles”, Coimbra, como palco desta iniciativa, representa uma “democratização do acesso à cultura para todos”, refere Tiago Santos.

O organizador conclui que esta edição teve um balanço positivo, pois permitiu mostrar que “a cultura é um espaço seguro, desde que toda a gente cumpra regras mínimas”.

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