All for Joomla All for Webmasters
Ciência & Tecnologia

Estudo da UC prevê deteção precoce de perturbação de personalidade

Fotografia Cedida por Cristina Pinto

Dois a seis por cento da população mundial sofre com este problema. Distúrbio verifica-se mais nas raparigas. Por Andreia Júlio e Francisco Martins.

A Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver um estudo pioneiro sobre a perturbação ‘borderline’ da personalidade. A investigação foca-se numa lógica preventiva e é baseada na análise de adolescentes.

Segundo Diogo Carreiras, investigador do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), esta perturbação costuma ser diagnosticada na idade adulta. Acrescenta ainda que “o grande objetivo da investigação foi estudar isto em idades precoces”, uma vez que “estes traços aumentam e intensificam-se ao longo do tempo”.

A perturbação ‘borderline’ está associada à elevada tendência suicida, segundo o comunicado de imprensa da UC. O problema caracteriza-se, de acordo com o mesmo documento, pela instabilidade em termos emocionais, relacionais e de autoimagem, pelo que é “marcado por bastantes conflitos” e autocriticismo. Isto resulta em impulsividade, autodano – cortes e arranhões no próprio corpo – e sentimento de vazio. Embora não esteja comprovado neste estudo, Diogo Carreiras acredita que o cenário pandémico pode agravar estes problemas.

No documento da UC estima-se que dois a seis por cento da população mundial sofre com esta perturbação. Deste modo, o projeto ganha maior preponderância ao permitir “encontrar orientações para o desenho de intervenções psicoterapêuticas” para as populações de risco, refere Diogo Carreiras.

O investigador reconhece dois tipos de fatores para a perturbação: fatores genéticos e ambientais. Os fatores genéticos relacionam-se com “a maior predisposição para [as pessoas] sentirem instabilidade e vulnerabilidade emocional”. Os fatores ambientais “são famílias, ou contextos sociais de grande invalidação emocional”.

Os traços ‘borderline’ são detetados com mais frequência nas raparigas do que nos rapazes. Esta discrepância resulta da “dificuldade de regulação de emoções como ansiedade, tristeza e discurso interno” que “acabam por estar mais associadas às raparigas do que aos rapazes”, explica Diogo Carreiras.

Segundo o estudo, os rapazes são mais falíveis a comportamentos ligados ao álcool e drogas. Para o investigador, há uma justificação. “Quando sentimos algo que não gostamos, é preciso contrabalançar essas emoções”, afirma. Esse balanço pode ser feito através dessas substâncias, no entanto, a longo prazo, ele é prejudicial. Ainda assim, existem medidas mais funcionais como fazer coisas que “sabemos que melhoram o nosso estado emocional e que, a longo prazo, não têm efeitos negativos”.

No que diz respeito a comportamentos autolesivos não suicidários, também existem diferenças. De acordo com o comunicado, “as raparigas tendem a usar mais métodos de cortes superficiais de determinadas áreas do corpo, como por exemplo, braços e pulsos”. Por outro lado, “os comportamentos autolesivos dos rapazes tendem a relacionar-se mais com bater neles próprios”. 

O estudo financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia envolveu 1007 adolescentes – 420 rapazes e 587 raparigas -, e respetivos pais, de sete estabelecimentos de ensino básico e secundário do norte e centro de Portugal, com uma média de idades de 15,3 anos. A investigação compreendeu duas variáveis: uma de aversão e ataque ao “eu” e outra de autocompaixão. O projeto, com a duração de quatro anos, está quase a terminar o terceiro.

Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra

Rua Padre António Vieira, Nº1 - 2ºPiso 3000 Coimbra

239 851 062

Seg a Sex: 14h00 - 18h00

© 2019 Jornal Universitário de Coimbra - A Cabra

To Top