Cultura

Festival Caminhos não se rende à pandemia

Nino Cirenza

O Caminhos assume-se como simbiose presente entre a cidade de Coimbra e o cinema português. Agravamento do contexto pandémico exige reestruturação do festival. Por Jorge Correia e Marília Lemos

Devido ao estado de emergência, foi necessário adaptar a programação do XXVI Festival Caminhos do Cinema Português. O recolher obrigatório, a vigorar a partir da meia-noite do dia 16 de novembro, afetou o evento que está a decorrer entre os dias 9 de novembro e 5 de dezembro no Cinema Avenida e no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV). 

O organizador do festival, Tiago Santos, explica que pretende “seguir as recomendações dadas pelo Primeiro-Ministro” e que já antevia a possibilidade de confinamento. “Apesar das atividades não serem canceladas, houve uma reestruturação”, continua.

Destaca-se os fins de semana, que vão contar com atividades online e “menos intensivas do ponto de vista da programação” em virtude das deslocações dos convidados e jurados. Nomeadamente, a sessão de juniores, do  dia 21, vai ter de ser cancelada, tendo em vista que os convidados são, na sua maioria, de Lisboa e do Porto.

Com o objetivo de “retirar a imensidão de sessões abertas ao público durante o fim de semana”,  a exibição da Seleção Ensaios será antecipada para as 15 horas de domingo, no Cinema Avenida. Também serão adiantadas as cerimónias de abertura e colocadas duas sessões da Seleção Caminhos no Cinema Avenida, uma às 10h30 e outra às 15 horas no dia 19. Em sequência, todas as manhãs, até ao dia 26, serão realizadas sessões às 10h30 no TAGV, com a Seleção Caminhos. 

Perante o confinamento, resta apurar como a participação dos espectadores vai ser afetada. Os índices de engajamento no Festival mantêm-se muito altos, visto que houveram 700 inscrições em todas as secções competitivas e paralelas. Para Tiago Santos, a edição é das mais enriquecedoras desde que chegou à organização. Reflete ainda que a pandemia cria oportunidades para o reencontro com a cultura. É uma chance para o “cinema português afluir aos Caminhos com uma grande força e uma grande presença”, completa.  

A 26ª edição do Caminhos simboliza como seguir o caminho mais difícil é um sinal de resiliência da Sétima Arte lusitana. Defendendo a tese de que “a cultura é segura”, o organizador destaca a importância de promover o cinema nacional, fortalecer a comunidade e incentivar o hábito de usufruir dessas produções, visto que são “mal promovidas” e “sofrem com oportunismos” das plataformas de streaming.

A cinematografia portuguesa é muito variada e, para Tiago Santos, é fundamental a criação de obras “acessíveis ao grande público”, sendo essa a linha orientadora do Festival. Considera isso como dever, ao passo que entende a importância de se ser cauteloso e adaptar-se a esta nova realidade.

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