Ensino Superior

AAC celebra centenário da Tomada da Bastilha

Paulo Antunes

Antigos dirigentes da AAC juntam testemunhos sobre o centenário na Capa e Batina. Eventos comemorativos são realizados em moldes adaptados à pandemia. Por Carolina Costa e Inês Rua 

A Associação Académica de Coimbra (AAC) celebra, na madrugada de 24 para 25 de novembro, o 1.º centenário da Tomada da Bastilha. Foi no ano de 1920 que os estudantes, divididos em três grupos, tomaram uma posição e decidiram revoltar-se com a finalidade de dar a ouvir a sua voz.

Até 1888, a AAC tinha a sua sede no Teatro Académico, no edifício do Colégio Real de S. Paulo Apóstolo, situado onde se encontra atualmente a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Devido a uma auditoria de segurança que decretou que o Teatro fosse demolido, o período vivido em seguida foi marcado por promessas de que a AAC viria a ter uma sede que dignificasse a sua estrutura. O certo é que o tempo foi passando e a associação continuava sem um espaço próprio para exercer as suas atividades. 

No dia 25 de novembro de 1920, por volta das 6h45, a cidade acordou com o lançamento de um morteiro e com o toque dos sinos da Torre da UC. Cerca de 40 estudantes invadiram não só a Torre, mas também o Colégio de S. Paulo Eremita (antigo “Clube dos Lentes”), que se tornou a primeira sede oficial da AAC. Após a conquista deste local pelos estudantes, seguiu-se uma marcha luminosa com archotes desde a Alta até à Baixa de Coimbra. Este evento marcou o início de um século que mudou o rumo não só da AAC, mas também da universidade e da cidade. Desde então, a Tomada da Bastilha tem sido celebrada ao longo dos anos. 

AAECL lança edição especial da revista Capa e Batina sobre o centenário

Fotografia cedida por AAECL (Bastilha a preto e branco).

As restrições impostas pela pandemia Covid-19 conduziram à reformulação das celebrações. Neste sentido, o presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC) em 1984, Ricardo Roque, lembra que “a Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra em Lisboa (AAECL) todos os anos comemora, desde 1976, a Tomada da Bastilha com uma gala no Casino Estoril”. No presente ano, a direção da AAECL decidiu fazer uma edição especial da revista Capa e Batina “para que este evento não passasse despercebido”, refere o antigo presidente. 

Ricardo Roque afirma que a importância desta celebração para os estudantes de hoje se reflete no facto de que “é preciso acreditar que vale a pena lutar por coisas justas e coisas que digam respeito a todos” e acrescenta: “tomem nas vossas mãos também os vossos desafios e as vossas bastilhas”.

Esta edição da Capa e Batina conta com o destaque da investigação histórica sobre o evento realizada por José Veloso. É composta também pelo testemunho de 33 ex-presidentes da AAC sobre a influência que a Tomada da Bastilha teve nas lutas travadas durante os seus mandatos e na conquista de futuras missões. A revista pretende continuar o legado de que os valores da Tomada da Bastilha “devem passar de geração em geração”. “Hoje estudante, amanhã antigo estudante, mas sempre com Coimbra e com a academia no coração”, menciona o ex-presidente.

Antigos presidentes dão o seu testemunho 

Fotografia por Paulo Antunes (Latada 1995). No passado, os festejos da Festa das Latas e Imposição de Insígnias coincidiam com a Arruada de celebração da Tomada da Bastilha.

“Todas as direções da AAC têm as suas Tomadas das Bastilha também”, refere o presidente da DG/AAC em 1991 e 1992, Fernando Guerra. Durante o seu mandato, o dirigente pôde presenciar momentos marcantes, como a viagem do Lusitânia Expresso e a resposta dada pelos estudantes ao massacre de Santa Cruz em Timor-Leste. O antigo presidente enfatiza: “esta participação estudantil tem a ver com os momentos também, mas há grandes causas que mobilizam a juventude”.

Sobre o desinteresse crescente dos estudantes para com o associativismo académico, Fernando Guerra justifica que “a sociedade tem evoluído numa perspectiva muito pouco associativa e muito centrada no próprio indivíduo” e faz o seu apelo aos estudantes: “não se afastem da associação e vejam-na como uma enorme escola de valores”. Acrescenta, ainda, a “importância de manter a tradição da comemoração do dia da Tomada da Bastilha” e de “manter vivo esses princípios e esse grande património imaterial que a AAC tem”.

O presidente da DG/AAC em 1989, José Viegas, menciona a “grande adesão” que geralmente faz parte da academia para este tipo de comemorações. Destaca a importância que o seu ano de mandato teve para a associação académica e para a UC com a aprovação dos estatutos de autonomia e com os novos órgãos associados à nova gestão da universidade.

Fotografia por Paulo Antunes (Latada 1995). No passado, os festejos da Festa das Latas e Imposição de Insígnias coincidiam com a Arruada de celebração da Tomada da Bastilha.

AAC inicia celebrações da Tomada da Bastilha

As comemorações, ao longo dos anos, são compostas por um conjunto de iniciativas que envolvem os estudantes em atividades culturais e desportivas, sem nunca esquecer o desfile pela cidade que termina no edifício da AAC com o discurso do presidente. No entanto, este ano, a comemoração centenária irá decorrer de uma “forma mais restrita”,  refere o atual presidente da DG/AAC, Daniel Azenha. O dirigente lamenta, assim, o facto de não ser permitido que as comemorações não sejam realizadas da mesma forma. 

A conjuntura pandémica culminou numa reformulação dos eventos deste ano que condiciona a sua realização. “É um significado do sucesso de que aquilo que se fez há 100 anos ainda hoje é valorizado”, proferiu o dux veteranorum da UC, Matias Correia. 

A programação deste ano teve início na passada terça-feira, dia 24, com um concerto comemorativo em formato online. Hoje, dia 25, teve lugar o descerramento da placa comemorativa, a inauguração do mural comemorativo e o lançamento do selo e carimbo na qual estiveram presentes o reitor da UC, Amílcar Falcão, e o presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Manuel Machado. Por fim, na quinta-feira, dia 26, está programada a apresentação da “Tomada da Bastilha – 100 anos depois”. Daniel Azenha destaca que  “isto é apenas o início das celebrações”, que duram até 2021. 

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