Ensino Superior

Francisco Costa: “Neste momento há uma estabilidade que deve ser continuada”

Ano de mandato termina, mas antigo dirigente garante que “ainda existe muita coisa a ser reparada”. Revisão estatutária e infrações eleitorais foram alguns dos problemas com que o Conselho Fiscal se deparou. Por Francisco Barata e Cátia Beato

As eleições feitas no passado dia 19 de outubro, determinaram quem ocuparia o cargo dirigente no novo Conselho Fiscal da Associação Académica de Coimbra (CF/AAC). Este sufrágio significou então o cessar de funções do antigo presidente do CF/AAC, Francisco Costa, e a subida de Dora Santo à cadeira presidencial. Foi um mandato “com os seus altos e baixos”, mas que para o antigo dirigente o balanço final é positivo.

Para o “comum estudante”, designação de Francisco Costa a todos os estudantes que não conhecem a fundo as estruturas da AAC, o Conselho Fiscal não é um órgão muito conhecido. “É uma problemática difícil de combater” confessa o antecessor, que ao mesmo tempo não se mostra muito preocupado pois quem representa os estudantes não é o Conselho Fiscal, mas sim a Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC). Por outro lado, “é um órgão que junto das estruturas é muito conhecido”, alega Francisco Costa, que no seu mandato fez com que ficassem a conhecer e a cumprir os regulamentos e os prazos, coisa que “nunca tinha sido visto na Académica”. 

Quando recordado sobre as eleições do mês de março, o antecessor não reconhece qualquer malícia e não sabe se houve adulteração de resultados. Porém, Francisco Costa defende que “a nível de formalidade da eleição houve falhas que são insanáveis” e “a partir desse momento, em que há margem de dúvida, o processo eleitoral não tem legitimidade e teve que seguir esse caminho”. 

Entre as irregularidades registadas no ato eleitoral, Francisco Costa destaca um representante de uma lista “fechar uma urna e fazer o escrutínio sozinho”. Para além disso, apontou ainda que a Comissão Disciplinar da AAC (CD/AAC) encontrou braçadeiras rompidas e selos de urnas em caixotes do lixo. Ao contrário das anteriores, o antigo dirigente considera que as eleições do dia 19 de outubro foram “perfeitas tendo em conta as circunstâncias”, pois os responsáveis souberam “atender aos conselhos dos mais experientes”.

No que toca à relação que teve com a Direção-Geral da AAC durante o mandato, o anterior presidente confessa que foi marcada por “momentos de muita tensão entre os dois órgãos”. No entanto, revela que foi o primeiro a “esticar a mão para amenizar a crispação que tinha sido criada”. Explica também que o CF/AAC conquistou a autonomia para dizer não e fiscalizar a própria DG/AAC, coisa que pode gerar alguma apreensão no órgão máximo da Académica. No entanto, Francisco Costa assevera que o importante é que “a casa continua de pé, a funcionar” e que “neste momento há uma estabilidade que deve ser continuada”.

Foi também durante o mandato de Francisco Costa que decorreu a revisão estatutária da AAC, mas admite que não a acompanhou até ao fim pois não concordou com o processo. Lamenta que, desde logo, houvesse uma maioria que “não aceitava deliberações”, e que reprovava qualquer proposta que surgisse. 

Entre os assuntos discutidos salienta as reuniões feitas em torno da Comissão Disciplinar e da Queima das Fitas, e vê os pontos relativos a estas entidades como contraditórios com o resto do documento. “É algo que vai durar pouco tempo”, atesta o antecessor, que afirma que quando o documento chegar à revisão ordinal vai ser descartado. “É difícil conduzir trabalhos naquelas circunstâncias o que acabou por culminar no desfecho miserável que foi a revisão de estatutos”, simboliza Francisco Costa. 

O ex-presidente do Conselho Fiscal destaca, entre o que de positivo foi feito, a revitalização de quatro secções que estavam obsoletas há três anos. “Uma vez que a DG/AAC não respondia aos nossos pedidos, nós procurámos fazer diferente” alega o ex-presidente, que garante estar satisfeito ao ver essas estruturas a funcionar. Além disso, refere que “pela primeira vez na história da Académica” um Relatório Anual e Contas da Queima das Fitas foi corrigido. 

Em jeito de sumário do seu mandato, Francisco Costa, não se mostra perturbado com o mau-olhado que possa ter recebido. “Se as estruturas se sentem incomodadas com a presença do CF/AAC, significa que estamos a fazer bem o nosso trabalho”, afirma. Apesar de notar que algumas dessas estruturas “tiveram que levar com um Conselho Fiscal complicado” pois ouviram não algumas vezes, o ex-dirigente sente que fez mais do que a sua obrigação. Pelas suas palavras, “o Conselho Fiscal é recto” e “é esse punho que falta na associação”. Contudo, declara que “ainda existe muita coisa que deve ser reparada”.

Para o novo Conselho Fiscal, o antecessor deixa claras palavras de sorte. “Tenho confiança na Dora” sublinha Francisco Costa. Deixa também o repto para que “não se pare no tempo” e que se “mantenha as boas práticas” na AAC. Apesar de reconhecer que vão ser quatro meses complicados para o novo CF/AAC, pois é pouco tempo para chegar a sua palavra a todas as pessoas, o ex-presidente garante que a sua sucessora já tem alguma experiência nesta área e que “vai dar bem conta do recado”.

Artigo atualizado dia 29 às 9h30.

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