Ensino Superior

COQF pretende mais controlo sobre o cortejo da Queima das Fitas

A começar em 2021 a construção dos carros da QF fica ao encargo da COQF. Estabelecer limite de latas por carro, para evitar excessos no cortejo, é um dos motivos deste novo formato. Por Nino Cirenza e Bruno Oliveira

Ao longo do segundo semestre de 2019/2020, a pandemia de Covid-19 colocou vários problemas a toda a estrutura que envolve a Queima das Fitas (QF). Desde as comissões dos respectivos carros que compõem o cortejo da festa, aos construtores encarregues da construção dos mesmos, e por consequência à Comissão Organizadora da Queima das Fitas (COQF). De acordo com o Secretário Geral da COQF, Leandro Marques “vários estudantes sentiram-se defraudados” depois de perderem os pagamentos que já tinham efetuado para a construção dos carros. Situação que motivou a COQF a anunciar, no dia 1 de setembro, que na próxima edição a construção dos carros irá ser controlada pela mesma por via de um concurso.

A 1 de agosto foi anunciado pela COQF, via comunicado, que o cortejo  adiado para outubro não irá acontecer. A COQF deixou aberta a possibilidade de os carros já inscritos participarem no cortejo em 2021. Todos as comissões de carros que o Jornal A Cabra abordou (Bioquímica, Jornalismo, Geografia) não irão participar no próximo cortejo. Situação que obriga a que se decida o que deve ser feito ao dinheiro já pago aos construtores.

A experiência das comissões dos carros variou consoante o construtor do respetivo carro, e as decisões tomadas pelas mesmas. Como explica Ana Sofia, tesoureira do carro de jornalismo, “mantivemos as coisas em ‘standby’ com o construtor e quando percebemos que não iria acontecer o cortejo não pagamos a totalidade do dinheiro”. Sendo que parte do carro a que pertence Ana Sofia já estava construído, os estudantes apenas pagaram o referente a essa primeira parte.

O caso do carro de Bioquímica aparenta ser mais problemático, e ainda não se encontra resolvido. Tomás Machado, presidente do carro de Bioquímica, conta que ele e os colegas acabaram por pagar a totalidade do valor da construção. Esta comissão ainda está no processo de resolver esta questão junto do construtor, “ainda não sabemos se nos vai ser devolvido algum dinheiro”, comenta Tomás.

Carlos Lima, construtor de carros do cortejo, conta que está inserido neste mercado “há mais de vinte anos”. Ele seria responsável pela produção de 76 dos 100 carros da Queima das Fitas cancelada deste ano, e revela que o cancelamento da festa provocou um prejuízo de 60 mil euros na sua empresa.

Questionado sobre as devoluções financeiras aos estudantes, Carlos Lima expõe que devolveu o dinheiro que “achava que teria que devolver” e que não devolveu tudo por conta das despesas que teve. Ele conta que acabou 41 carros antes do cancelamento da festa, e teve que “desmontar tudo, o que também é despesa”.  

Para o construtor, apesar de ainda não saber como será feita, a uniformização da construção dos carros da QF proposta pela COQF é negativa, pois impede situações excepcionais de acordo entre os construtores e alunos: “Todos os anos há pais que aparecem com carros”, revela Carlos Lima, o que torna o orçamento final menor para os estudantes. “Pode até haver um pai que construa o carro”, explica.  

Além disso, Carlos Lima opina que a uniformização restringe a liberdade de escolha dos estudantes. “Eu consigo fazer os cem (carros), mas não deve ser assim. Deve haver concorrência” declara, “os alunos devem ter liberdade de pedirem a quem quiserem”, conclui.

Em entrevista o Secretário Geral da COQF, Leandro Marques confessa que a decisão de colocar a construção dos carros alegóricos a concurso foi tomada para dar resposta a problemas como os que ocorreram este ano, mas também para “haver um controlo mais efetivo sobre aquilo que se passa no cortejo”, afirma. O secretário lembra que a COQF pretende controlar alguns excessos que acontecem todos os anos, nomeadamente em relação ao número de latas que cada carro tem direito a levar. Questionado sobre se esta decisão é para manter nas edições posteriores a 2021, Leandro Marque afirma que “sim, a intenção é que a partir de agora este mercado seja controlado pelo promotor da festa”.

Os pormenores do concurso, lembra Leandro Marques, ainda não estão definidos, mas afirma que será idêntico aqueles que já acontecem em outras áreas da festa. O detalhe que pode vir a ter mais influência no futuro dos construtores ainda não está decidido: “O caderno de encargos pode envergar por dois caminhos, de adjudicação a um só, ou pelo caminho de adjudicação a mais que um construtor”, o Secretário lembra ainda que “tudo isto vai depender das propostas apresentadas”.

Leandro Marques diz ainda não se comprometer com preços para carros futuros, mas afirma que “a intenção da COQF é proporcionar um preço mais acessível aos estudantes”.

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