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Ensino Superior

Dirigentes associativos apontam necessidade de revisão global do Ensino Superior

Margarida Mota

Universalidade do acesso à educação e melhor ação social são bandeiras transversais às várias associações. Isolamento visto como oportunidade de redefinição de práticas pedagógicas. Por Joana Carvalho

No 51º aniversário da crise estudantil, o associativismo atual esteve em debate na segunda de 19 sessões do novo projeto da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), “Novos Futuros”, que pretende explorar questões associadas ao Ensino Superior (ES). A conversa contou com a participação de vários dirigentes associativos de todo o país, desde a Universidade de Trás os Montes e Alto Douro (UTAD) até à Universidade do Algarve (UALG).

O presidente da DG/AAC, Daniel Azenha, apontou a liberdade de expressão e o direito universal à palavra como fatores principais que diferenciam o associativismo no tempo da crise académica do atual. Aproveitou ainda para reforçar as lutas que ainda hoje se mantêm iguais, como o acesso ao ES, que, segundo Daniel Azenha, ainda não foi atingido. “Várias famílias sentem muitas dificuldades e a ação social ainda não está disponível para todos”, lamenta.

Também a presidente da Associação Académica do Algarve (AAUALG), Raquel Jacob, partilhou a realidade vivida na sua instituição e apontou para o facto de muitos estudantes terem de desistir dos cursos devido à atribuição tardia de bolsas. A estudante alerta que “muitos estudantes ficam a saber se têm ou não bolsa em janeiro ou fevereiro. Acabam por ter de desistir, porque o esforço enorme que fizeram para completar o primeiro semestre foi inglório”.

Já o presidente da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv), António Alves, frisa a necessidade de atualizar as metodologias pedagógicas, que considera serem “muito tradicionais e unidirecionais”. Para o dirigente, “a atual situação da pandemia obrigou a uma transição muito repentina”, mas que, de acordo com António Alves, “pode ser vista como uma oportunidade para redefinir as práticas pedagógicas do ensino e da aprendizagem”.

Neste sentido, o presidente da Associação Académica da Universidade da Beira Interior (AAUBI), Ricardo Nora, atenta que, de um modo geral, “a docência não se encontra preparada para usar as plataformas e recorre sobretudo a métodos arcaicos de ensino”. Refere ainda a importância do papel dos estudantes junto das instituições.

A presidente da Associação Académica da Universidade de Évora (AAUE), Fernanda Barreiros, crê que “os estudantes cada vez mais assumem um papel fundamental nas universidades e que este tem vindo a ser reconhecido pela reitoria”. Afirma também que o seu trabalho enquanto dirigente associativa tem passado por “perceber quais as dificuldades dos estudantes e fazer chegar esses problemas à universidade”.

Também a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) foi defendida por todos os participantes. O presidente da Associação Académica da UTAD (AAUTAD), José Pinheiro, reitera a importância de os estudantes estarem próximos das decisões. Daniel Azenha critica o facto de os estudantes “serem atirados para fora da organização das instituições” e apela a uma universidade mais aberta.

ENDA: um debate necessário

De seguida, o Encontro Nacional de Dirigentes Associativos (ENDA) esteve sob escrutínio durante a sessão. O presidente da DG/AAC reforçou a postura de oposição ao sistema de voto e deliberação por sentir que “a AAC não tem a voz merecida, quando comparada com outras associações”. O presidente da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM), Rui Alves, relembra a peso da plataforma enquanto fórum de discussão e de “procura de consensos, em vez de uma filosofia mais vocacionada para a aprovação de uma medida”.

Todos os dirigentes concordaram que uma mudança de paradigma do ENDA estaria em ordem. Raquel Jacob defende que” é necessário deixar de fora as divergências políticas, de modo a trabalharem em conjunto para resolver as dificuldades dos estudantes”. Para Fernanda Barreiros, “se muitos não concordam com o ENDA, então deve ser debatido”.

O impacto do covid-19 nas académicas

Os estudantes fizeram ainda referência às dificuldades que a situação atual de pandemia deixou na realização do seu papel, desde eventos desportivos e culturais cancelados a pagamento de despesas fixas e salários para funcionários.

Outra preocupação apontada pela presidente da AAUE prende-se pelos estágios de fim de curso que não estão a ser realizados devido às restrições impostas pelo surto de COVID-19. Afirma, contudo, que a AAUE tem tentado aproximar-se de todos os estudantes.

O presidente da AAUAv lamenta o afastamento físico dos estudantes, mas reconhece que, apesar disso, “os desafios devem ser vistos como oportunidades”. Refere ainda que, de uma forma contraditória, esta crise aproximou os estudantes da Universidade de Aveiro no que concerne às políticas educativas.

Já José Pinheiro elogia a “adaptabilidade e versatilidade na capacidade de resposta das instituições a esta crise, apesar da falta de preparação. “Não era esperado que a nossa atividade fosse diminuída, mas agora é preciso que esta seja estimulada”, incentiva.

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