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Cultura

Daniel Carapeto: “Somos os Ornatos do humor, aceito o rótulo”

Gonçalo Nunes/NunesPGT/PonteMedia

Batalha de ‘one-liners’ é grande atração do grupo de humor que esgotou as primeiras quatro datas após o seu regresso. Com mais de um milhão de visualizações no YouTube, o grupo é viral em palco e na ‘internet’. Por Xavier Soares

Faz parte dos Roda Bota Fora, um dos grupos de humor que mais tem esgotado salas pelo país. Responsável pelo ‘podcast’ “Brainstorm”, Daniel Carapeto é ainda o autor dos solos de ‘stand-up’ “O estúpido” e “Tragédia”. No contexto da vinda do coletivo ao Conservatório de Música de Coimbra, no próximo dia 11 de março, o humorista falou sobre o grupo que faz do palco um ringue de comédia. Pedro Sousa, Guilherme Fonseca, Duarte Correia da Silva, Pedro Durão e Diogo Abreu são os humoristas com quem Daniel Carapeto divide o palco e com os quais batalha pelos aplausos do público.

É muito comum vermos grupos de comédia surgirem à base de vídeos na internet, espetáculos em bares e trabalhos de equipa. Os Roda Bota Fora trazem, no entanto, um conceito completamente diferente. Vocês estão, de forma deliberada, uns contra os outros em palco, para ver quem é que tem mais piada. Como é que surgiu este conceito?

O conceito surgiu através do nosso produtor (Gonçalo Nunes, também conhecido como Bolinha) e do Pedro Sousa, que queriam fazer algo, mas não sabiam ainda bem o quê. Primeiro, surgiu a ideia de nos juntarmos, e depois, todos juntos, em duas/três reuniões é que definimos o conceito do jogo. Já existia a ideia de ser um projeto que fosse para o YouTube, para permitir a divulgação e a venda de bilhetes. E assim nasceu o Roda Bota Fora, que é um concurso/batalha de ‘one-liners’ (piadas curtas).

Antes do jogo em si, como nós somos seis, cada um faz dez/doze minutos de ‘stand-up’, mas essa parte, como é óbvio, não vai para a ‘net’. Estes minutos de ‘stand-up’ nem sempre são diferentes de data para data mas, como é lógico, se no ano passado fizemos um espetáculo em Coimbra, este ano vamos levar material novo.

É fácil explicar o que são os Roda Bota Fora sem parecer que são uma ideia do Bolinha (produtor) de vos pôr a beber minis em palco?

Não, essa ideia nunca seria do Bolinha, porque ele quer que nos portemos bem em palco. Mas se é fácil explicar o que são os Roda Bota Fora? Nós somos um grupo de 6 amigos que gostam de fazer comédia e beber copos e pronto, resultou. Não contávamos que a coisa fosse correr tão bem, nós até achávamos que isto ia ter cinco/seis datas e acabava, só que, felizmente para nós, o público aceitou bem a ideia e continuamos.

Consideras que os são um grupo de humor ou um grupo de amigos que se juntam a contar piadas em palco?

Nós somos um grupo de comédia, nós estamos ali para trabalhar e não é só beber copos. Agora, convém que o pessoal se dê bem. Claro que existem discussões nos grupos de trabalho e diferentes opiniões, mas o pessoal dá se todo bem.

O jogo tem agora a novidade de ter uma roda com castigos. O objetivo foi trazer mais competitividade?

Foi mais com a ideia de tentar acrescentar algo novo. É uma roda em que cinco das opções são castigos. Ela é rodada uma vez no início do jogo e a pessoa a quem calhar essa ação tem que a aplicar no decorrer do jogo. Isto traz um fator de imprevisibilidade extra que as pessoas gostam.

Os Ornatos Violeta separaram-se, voltaram a reunir-se, e agora estão a esgotar salas pelo país inteiro. Vocês não se separaram, mas anunciaram o fim no ano passado. Entretanto voltaram e, em quatro datas (três em Lisboa e uma no Porto), esgotaram todas as salas. Os Roda Bota Fora são um bocadinho os Ornatos do humor?

[Risos] Talvez.. Se calhar não temos tanto dinheiro como os Ornatos e também não conseguimos tantas datas como eles mas… [risos]. As palavras são tuas, não minhas, mas somos os Ornatos do humor, parece-me bem. Por mim, aceito o rótulo.

Têm agora uma mini-série, “Ego”, que mostra, de alguma forma, aquilo que vocês passam a nível de relação de grupo. Esta é uma manobra de publicitar o vosso espetáculo ou, à semelhança do documentário “o resto da tua vida” do Carlos Coutinho Vilhena, é uma espécie de um exercício criativo que mistura realidade e ficção?

Pode-se dizer que aquilo mistura realidade e ficção no sentido em que há coisas reais, mas é tudo escrito, não é um documentário. Há fundos de verdade, mas tem também coisas diametralmente opostas. A minha personagem tem muita coisa oposta aquilo que eu sou na realidade. A personagem do Guilherme Fonseca, por exemplo, também é muito exagerada, quisemos brincar com a ideia de ele se achar superior por ter começado a trabalhar com o Ricardo Araújo Pereira, mas isso nunca aconteceu, óbvio.

Por falar em Ricardo Araújo Pereira, se ele agora fosse ter contigo e dissesse “Daniel, quero voltar com os Gato Fedorento mas desta vez eu fico nos bastidores como ‘manager’. Escolhe mais três e vamos” quem dos Roda Bota Fora é que escolhias?

Olha, o Bolinha tinha que entrar. Ele é o nosso produtor mas ele tinha que entrar, ele tem imensa graça. Depois… talvez o (Pedro) Sousa e o (Pedro) Durão, acho que seria um bom grupo a nível de diversão, mesmo para ir em ‘tour’.

Disseste que o Bolinha, o vosso produtor, tem imensa piada, e não és o primeiro a dizê-lo. Porque é que ele não sobe ao palco com vocês?

Ele tem imensa piada mas fazer ‘stand-up’ é diferente. Há pessoas que têm imensa piada mas não resultam em contexto de palco. Ele já fez ‘stand-up’, e quem teve o prazer de ver nunca mais esqueceu, mas se calhar sentiu que aquele registo não era tanto a praia dele. Ele é extremamente competente a fazer o trabalho que faz no grupo, ser produtor e agente, portanto acho que as coisas funcionam bem assim.

Quanto ao Guilherme Fonseca, o grupo aceitou bem que ele tenha começado a trabalhar com o Ricardo Araújo Pereira ou sentiram que de alguma forma ele se estava a superiorizar um bocadinho em relação ao grupo?

Aceitámos bem, no sentido em que é uma ótima oportunidade para ele. Ainda bem que ele teve essa oportunidade e a agarrou, estamos contentes por ele.

E durante a parte do jogo, sentem que, com esse trabalho paralelo, há uma certa vantagem em relação ao apelo do público?

Não, nem por isso. O facto de ele trabalhar com o Ricardo Araújo Pereira não é assim tão conhecido quanto isso, quer dizer, quem seguir atentamente o meio claro que sabe, mas no público nem toda a gente está a par disso.

O Diogo Abreu vai ser pai. Achas que esse facto não o vai tornar um bocadinho “António Raminhos” ao nível de humor (muito virado para os filhos)?

Não, diria que não… quer dizer, não sei… É normal o pessoal fazer piadas com o que é novo, portanto diria que é normal que ele faça piadas sobre isso. Mas não me parece que ele vá estar sempre a fazer vídeos das filhas (como o António Raminhos), acho que isso não vai acontecer [risos]. Mas também estou curioso para ver o que é que vai mudar no humor dele até porque ele é meio maluco da cabeça. Vai ser interessante.

E achas que ser pai lhe vai dar um bocadinho de avanço nos jogos? Nos últimos três vídeos ele faz quase sempre uma pequena referência a bebés ou a grávidas e as pessoas sorriem logo.

É possível, por uma questão de compaixão, sim. Riem por pena, é normal, eu também tenho pena dele [risos].

‘One-liners’  (piadas mais curtas) são o registo onde te sentes mais à vontade. No entanto, num jogo que distingue as melhores, és o que menos vitórias. Qual a explicação?

De facto sou o que tem menos vitórias, apesar de sentir que sou bom nisso. Eles também fazem questão de me prejudicar muitas vezes. Cada vez que há um empate, eu já sei que eu vou perder porque eles fazem questão, mas tudo bem. Também não levo assim tão a sério a competição, embora goste de ganhar, claro.

Há um gostinho especial em ver-te perder por parte deles?

Sim, eu sinto isso e qualquer pessoa mais atenta também sente, mas, imagina, se tu jogares à bola ficas mais contente se ganhares ao Ronaldo ou ao Messi, não é? E eu sinto que é isso que acontece ali [risos].

Quanto aos métodos criativos, cada um tem o seu próprio. Conseguem lidar bem com os processos uns dos outros?

Nós raramente escrevemos juntos mas pedimos opinião muitas vezes aos outros e é tranquilo, sim. A parte de escrever ‘stand-up’ é uma coisa mais solitária, por norma, mas para escrever a mini-série, por exemplo, escrevemos em duplas. Fui eu com o Duarte Correia da Silva, o Pedro Durão com o Guilherme Fonseca e o Diogo Abreu com o Pedro Sousa.

Disseste no ‘podcast’ do Dário Guerreiro, “Segundo”, que gostavas muito de atuar em Coimbra. De onde é que vem esse amor pela cidade dos estudantes?

Eu gosto muito da cidade de Coimbra no geral, não só para atuar [risos]. Vem do facto de eu já me ter divertido imenso em Coimbra. Quando andava na faculdade fui sempre à Queima, vários anos seguidos. Aliás o ano passado foi o primeiro ano em que não fui. Sempre me diverti imenso em Coimbra e sempre gostei de ir aí porque vivi bons momentos [risos].

Como está a adesão para o espetáculo do próximo dia 11, no Conservatório?

Está a correr tranquilo, claro que podia estar esgotado há um mês, mas pronto, é assim que funciona [risos]. Aproveito para deixar o apelo a todos os conimbricences e arredores que nos venham ver, porque vai valer a pena.

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