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Cultura

Chico Bernardes: “Faço canções como comida caseira de avó”

Gabriel Rezende

Cantautor brasileiro mostra sabores da sua “música caseira”. Chico Bernardes retorna a casa depois de um mês em digressão na Europa. Por Gabriel Rezende

É filho e irmão de músicos, tem apenas 20 anos, mas não por isso tem menos maturidade. Com letras profundas que são respostas a perguntas pessoais e introspetivas, Chico Bernardes lançou o seu álbum de estreia ainda em junho de 2019 e esteve em Portugal numa digressão que o levou a nove destinos, um dos quais Sabrosa, terra natal do seu tetravô. Chico Bernardes mostrou a Portugal uma nova vaga de músicos brasileiros que misturam a autossuficiência do folk britânico e a brasilidade da MPB, fugindo do ‘spotlight’ e das grandes salas. Horas antes do concerto que simbolizou o fim da sua primeira ‘tournée’ no estrangeiro, foi de camisola às riscas e com um estilo marcante que o cantautor paulistano esteve à conversa com o Jornal A Cabra, falou sobre o processo de composição, a infância, a família e alguns dilemas da sua geração.

É a tua primeira vez em Portugal. Como foi a experiência até agora?

Passamos por todo tipo de situação. Até ontem tivemos um não ‘show’, que foi cancelado por questões técnicas em Ovar. A gente pediu materiais, pediu equipamentos, tínhamos um combinado que não foi cumprido, então a gente acabou optando por não realizar a data. É uma experiência de estrada, acho que até mais do que simplesmente fazer o ‘show’. Antes disso foram oito outros ‘shows’ que foram incríveis, cada um teve a sua particularidade, cada lugar uma atmosfera e cada atmosfera um público e uma recetividade muito bacanas. Foi uma experiência que não tem preço.

Houve algum lugar que te marcou mais?

Cada um tem o seu pontinho alto. Ainda preciso voltar para casa para assimilar tudo o que aconteceu. Me perguntar “Nesse dia o que aconteceu mesmo?”. Foi muita coisa boa acontecendo.

Para além do concerto cancelado em Ovar, houve outra dessas situações “de estrada”?

A gente estava na estrada, e o Jonas [motorista que o acompanhou] foi arrumar o relógio do carro, do computador de bordo. Enquanto ele carregava no botão, começou a sair uma fumaça do painel. Eu estava dormindo, vi aquela fumaça, eles parando, e falei “Nossa o que tá acontecendo?” Paramos à beira da estrada, e ele disse que tinha sido só um curto circuito do painel e que achava melhor não tentar mudar as horas. Seguimos viagem e o carro continuou funcionando na boa.

Uma das músicas do teu álbum de estreia, “Chico Bernardes”, chama-se “Um Astronauta”. Quem é o astronauta?

Desde pequeno eu sempre gostei da figura do astronauta, de ser essa pessoa que tem suas viagens, suas derivas, distante do resto das pessoas. É quase um ‘outsider’. Acho que eu poderia dizer que eu sou de certa forma um ‘outsider’, um astronauta. Mas a música fala não só literalmente de um astronauta que saiu de órbita. Fala também dessa pessoa que buscava um objetivo, tinha as suas intenções e se tornava um outsider porque queria muito chegar às suas ambições. Fala dessa pessoa que parava de dar atenção às pessoas que estavam à volta, e no carinho que tinha à volta. Quando correu atrás do que queria e chegou lá, percebeu que o que ela tinha lá atrás era muito mais precioso do que o que idealizava.

Quando escreveste esta música?

Em 2017, tinha 17 anos.

Eras jovem para construir uma música com um teor tão profundo.

Pois é [risos]. Acontece de vez quando.

Nota-se isso na tua música, muita maturidade. De onde veio tanta maturidade tão cedo?

Acho que sempre tive uma coisa muito forte com a escrita, mais até do que com a leitura. Sempre me diziam “Poxa, você usa umas palavras diferentes, não é parecido com o que a gente fala”. Eram palavras que eu não diria rebuscadas, mas não se encaixavam no padrão da minha idade, de certa forma. Não poderia dizer que eu era maduro quando escrevi essas músicas porque ainda acho que não sou. Mas muita gente olha para o que eu escrevi e fala “Isso se aplica a mim”, como pessoas mais velhas que vêem que tenho uma visão que pode se encaixar com as suas. Talvez isso explique um pouco dessa questão, mas não tenho maturidade para responder à pergunta [risos].

Como vês essas pessoas que se identificam com a tua música? O que lhes costumas dizer?

Acho muito bacana. Depois do concerto que eu dei no Porto, no Maus Hábitos, houve uma menina que veio falar comigo, era dez anos mais velha que eu e ela disse “Não conhecia o seu trabalho, caí aqui de paraquedas com uma amiga, e você me pôs ao chão, porque me trouxe questões nas quais com 20 anos eu nunca teria pensado, que me surgem agora com 30”. São muitas perguntas que eu também tenho. É muito bacano ver as pessoas se identificarem com essas perguntas que, por mais que pessoais, cada um vai ter o seu mundinho e as suas perguntas introspectivas e pessoais.

Existe alguma questão específica que funcione como linha e cosa o álbum?

Não é a pergunta, mas acho que é a busca por uma resposta. Não tenho uma em específico: são várias e, dentro dessas várias perguntas, fui tentando buscar respostas a partir da minha composição. Para mim, o processo de compor é justamente tentar dar respostas às minhas perguntas. Há músicas que são mais ligadas ao amor, quando tive algum amor platónico e não sabia muito bem o que fazer com aquilo, escrevi uma música. Quando terminei com alguém, escrevi outra. Me vi numa mudança de fases, escrevi outra. Nos momentos em que eu me via desamparado, em dúvida, eu estava escrevendo música.

E essa viagem já serviu para compor algo novo?

Não me serviu ainda porque não tive tempo de escrever nessa viagem. Tinha muita coisa para fazer, mas tenho certeza que rendeu bons frutos. Também sei quando a minha cabeça já está cheia de coisas acumuladas que precisam ser escritas e acho que tenho ainda muita coisa para escrever.

Tocaste todos os instrumentos neste álbum.

Sim, foram por volta de 11 instrumentos. Foi bastante coisa

Como aprendeste a tocar todos esses instrumentos?

Quando eu era bem pequeno, o meu primeiro contacto foi com o baixo do meu pai [o saxofonista brasileiro Maurício Pereira] em casa e depois com a bateria do meu irmão [o músico Tim Bernardes]. Eu lembro de ser muito pequeno, o meu irmão me ensinou uma música do Gorillaz no baixo. Depois, me ensinou a tocar “Seven Nation Army” na bateria, que era só bater o bumbo. Naquela época não desenvolvi muito interesse pela música, brinquei um pouquinho na hora, mas depois comecei a perceber que, na minha casa, à minha volta, tinha muitos instrumentos. A bateria foi uma coisa em que me foquei mais. Meu irmão me ensinava algumas coisas, tinha um amigo baterista que me ensinava algumas coisas. Um belo dia, o meu irmão falou “Bom, quero usar a minha bateria para gravar, não quero mais que você use a minha bateria, ela é minha”, e eu respondi “ok”.

E depois começaste a experimentar outros instrumentos?

Sim. Comecei a tentar tocar ukulele e violão. Fui migrando de instrumentos e aprendendo, aos poucos, cada um deles. Quando comecei a cursar música, na faculdade, passei a estudar violão mais a sério, porque foi o instrumento que escolhi para o curso. Também entrei numa aula de piano por fora da faculdade, isso tudo em 2017. Consegui desenvolver uma noção mais teórica da música, o que me deu um panorama maior para aplicar os meus conhecimentos em cada um dos instrumentos diferentes.

O violão é o instrumento no qual estás a ter instrução. Dirias que é o teu instrumento principal?

Não diria que o violão é o meu instrumento principal pela minha formação porque ainda não me formei. Na verdade, sou um péssimo aluno [risos]. Quando tenho de estudar violão, começo a tocar, mas não estudo o que tenho de estudar para a aula. É um instrumento que eu peguei que foi o mais fluido de tocar, não como a bateria que foi só pegar e tocar, mas de fluir as minhas ideias junto com a música.

E como é o teu processo de composição? As músicas vêm à tua cabeça aleatoriamente ou tens um processo mais metódico?

Às vezes vêm, às vezes não. De vez em quando tento sentar para compor, com o caderno à minha frente, e penso “Tenho muito tempo livre, vou tentar”, mas não acontece nada. Há dias em que está super corrido e acontece tudo. Então não sei quando vai vir. Às vezes estou com alguma ideia na cabeça, pego um caderno e anoto umas frases avulsas ou uns acordes que eu no violão vi que se encaixavam, combinavam.

Com os outros instrumentos aconteceu a mesma coisa?

Sim. A partir do que eu já tinha com o violão, fui gravando ‘demos’ em casa, sem muito conhecimento de gravação. Nos próximos discos, eu tenho intenção de gravar em casa, porque adquiri algum conhecimento acerca disso. Gravava ‘demos’ horríveis, mas as ideias estavam ali e consegui gravá-las com boa qualidade no estúdio. Fui gravando camada por camada nesses instrumentos. Fui literalmente brincando em cima do que eu já tinha feito. Depois brincava em cima do que eu brinquei e do que já tinha feito.

Ou seja, mesmo durante o processo de gravação ainda eram acrescentadas camadas.

Sim.

Achas que o álbum ficou pronto ou mudarias alguma coisa agora a ouvir?

É uma questão que quem recebe de fora não tem tanto conhecimento. Você já recebe o produto pronto, com a tampa fechada, e para quem está gravando a tampa nunca fecha. Tem de chegar um momento em que se fala “Chega, não vou mais mexer nisso e vou mandar para o mundo porque já fiz o que tinha de fazer”. É sempre um processo que te dá infinitas possibilidades. Por exemplo, você podia ter posto aquele efeito num prato da bateria, mas não pôs. São muitas micro-coisas que você poderia mudar, por isso é preciso ter um pouco de sangue frio para falar “Já está feito, está pronto”.

É como o processo da escrita. Escrevemos, escolhemos algumas palavras que fazem sentido no momento e, passados alguns dias, nada daquilo faz mais sentido.

Sim, é horrível.

E quais são as memórias que tens da tua infância?

Sempre fui uma criança muito ‘xereta’, muito curiosa. Sempre gostei de mexer nas coisas. Se eu estivesse nessa sala aqui, eu iria abrir as gavetas, mexer em coisas que não deveria mexer. Eu sempre aprontava muito. Não sei se era porque eu era o terceiro filho. Com o primeiro, os pais ainda estão aprendendo a cuidar do filho e ficam muito em cima do filho, vendo tudo que o filho está fazendo. Depois nasceu a minha irmã, que é a filha do meio, que é um intermédio. Já estão mais relaxados, mas ainda têm cuidado. Depois com o terceiro, os pais estão na cozinha e o filho está nalgum lugar. Quando os pais vão procurar, está pendurado na cortina [risos]. Ou seja, eu sempre estava sozinho em situações em que uma criança não deveria estar sozinha, fazendo bobagem. Sempre muito curioso, fazendo essas minhas maluquices quando pequeno.

Nessa época como era a tua relação com os teus irmãos?

Era muito boa. Eles cuidavam muito de mim. Minha irmã é cinco anos mais velha e meu irmão é oito anos mais velho. Eu era pequenininho e eles também ainda eram pequenos. Cuidavam de mim, me carregavam no colo, levavam para os lugares. É engraçado porque olhando para trás, eles também eram super crianças, mas super cuidavam de mim.

E como é a relação que tens agora com a tua família? Sei que tu e o teu irmão apresentaram-se uma vez juntos, em homenagem ao Maurício Pereira no Dia do Pai. Têm planos de realizar algum trabalho juntos?

Planos a gente não tem, porque cada um tem um caminho solitário muito específico. A gente é muito parecido, mas muito diferente nesse sentido. A gente trilha caminhos muito parecidos, mas cada um apontando para um lado. Ainda não apareceu um momento em que esses caminhos se cruzam, o que eu imagino que algum dia vá acontecer. É unir o útil ao agradável. Naquele dia que a gente tocou junto foi super bacana. A gente viu que estavam os dois tocando violão e cantando, o meu pai cantando também e a gente viu que o meu violão conversava muito bem com o dele e vice-versa. A gente super se comunicou a partir do instrumento e isso foi uma troca muito bacana. Espero que aconteça mais vezes.

“Ainda tenho 20 anos, não faço ideia do que vou fazer da minha vida, mas, enquanto eu não souber, vou fazer música porque é uma coisa de que eu gosto muito”

O teu pai serviu de inspiração para te tornares músico?

O meu pai foi mais do que inspiração para virar músico. Me inspirou a ter essa curiosidade. Ele sempre fez questão de falar para gente olhar em volta, não ficar fechado numa zona de conforto, sair por aí conhecendo coisas. Quando falei que queria ser músico, ele disse “Você tem de saber que vai ter de enfiar o pé na estrada e conhecer o mundo”. E agora estou aqui em Portugal, tentando fazer isso. Acho que foi ainda mais precioso do que uma influência musical que poderia ter dado. Por mais que quando fosse pequeno ele tenha me dado uma ‘pen’ cheia de clássicos, como Elvis Presley, Queen, The Police, Bob Marley, Chuck Berry, e depois o meu irmão me dizia para ouvir Tame Impala e Bob Dylan, acho que os dois me trouxeram influências muito grandes, mas não necessariamente como músico. Não me deram toques de como ser músico, mas deram ferramentas para eu encontrar a minha direção.

Então encontraste a direção que queres seguir? Vês-te daqui a dez anos nesse mesmo caminho?

Sei lá [risos]. Ainda tenho 20 anos, não faço ideia do que vou fazer da minha vida, mas, enquanto eu não souber, vou fazer música porque é uma coisa de que eu gosto muito.

E já pensaste em não ser músico?

Quando eu era pequeno, eu pensava mais, mas depois que entrei na faculdade de música, vi que realmente gosto muito de fazer música. Não tem muita escapatória.

De facto a tua música não é extremamente comercial, não tem características da indústria cultural de massas. Os teus concertos também o revelam: são intimistas, com poucas pessoas. Como é a tua relação com este mundo hiperconectado? Tentas te desconectar?

Sempre que olho para o mundo andando para frente, e as tecnologias levando a gente a uma distopia apocalíptica, tento andar para trás. Se eu estou ouvindo música de uma maneira ruim, a partir do Spotify, e fico ‘clicando’ em várias de uma vez, eu digo “Não, vamos voltar para trás”. Pego num vinil, ouço-o do começo ao fim, viro. A mesma coisa com câmeras. Tenho um telemóvel na palma da mão, posso tirar as fotos que eu quiser, mas quis voltar para o filme. Tento buscar nos recursos antigos, mais orgânicos, o que a tecnologia dá na palma da mão. Acaba por deixar o processo tão rápido que você não tem tempo de aproveitar. Tenho tentado fugir do telemóvel, dessa velocidade dos ‘millenials’, por mais que eu seja um, e a gente esteja fadado ao apocalipse.

Não me parece que o apocalipse esteja tão distante com a crise climática que vivemos.

Sim, mas vamos fazendo o que temos de fazer enquanto o apocalipse não chega [risos].

Como a tua música reflete então esta característica de distanciar da grande indústria musical, seja na produção, seja na forma como tocas, ou onde te apresentas?

Pensando na música que eu faço e na música das grandes massas, é como se você pensasse em comida. As grandes massas têm um restaurante de ‘fast food’ em que tudo é consumido muito rápido, sem nenhum critério específico de paladar. É mais botar para dentro. A música que eu faço tem um rumo mais caseiro, é como a comida caseira feita pela avó, com muito amor. Uma coisa simples e muito prazerosa. Feita para se saborear com calma. Acho que a minha música é tipo um prato de comida caseiro e não de ‘fast food’.

Por acaso gosto da metáfora da comida.

Acho que o paladar também é arte. Assim como a gente consume coisas pela boca, a gente consume pelos ouvidos, então está tudo ligado aos sentidos.

Também a falar sobre os sentidos, por conta do grande fluxo de informação atual, temos música a todo o instante. Como é que achas que isto mudou as pessoas?

Isto me preocupa um pouco. As pessoas têm tudo na palma da mão. Tanto se pode pedir comida como ouvir música, ver o que o amigo que está do outro lado do mundo está fazendo agora. Você está no Instagram e vê num minuto a divulgação de um concerto, uma criança passando fome no outro lado do mundo, o Bolsonaro no Brasil fazendo besteira, o Trump fazendo acordos bizarros. É difícil assimilar aquilo que realmente vale a pena absorver e o que não vale. Acho que esse excesso de informação passa um pouco dos limites nesse sentido, porque a gente acaba por não filtrar o que recebe. E isso também influencia a nossa juventude. Não é à toa que hoje em dia a maior parte dos jovens sofre de algum tipo de stress, ansiedade, depressão e outras questões de saúde mental. Isto me assusta um pouco sobre essa era digital.

Ao mesmo tempo que as questões de saúde mental são mais comuns, vemos influenciadores digitais no Instagram, com as suas vidas perfeitas e felizes. 

A rede tem de ser perfeita, a sua vida tem de ser perfeita lá dentro, não tem muito tempo para ficar triste.

Como é, então, a tua relação com as redes sociais?

Também acho que as minhas redes sociais são perfeitas mais do que deveriam. Uso mais para divulgar ‘shows’. Também não estou a fim de usar aquele espaço para a minha tristeza porque já tenho outros lugares que reservo para isso.

Citaste os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro há pouco, também muito presentes ‘online’. Qual a tua opinião acerca da política cultural brasileira deste governo até agora?

Não sei se dá para dizer que existe uma política cultural a partir do que ele aborda. O que o Bolsonaro influenciou na cultura até agora foram cortes de verbas de projetos culturais. Se antes o cinema tinha maior facilidade para atingir certos projetos, ou mesmo a música, foram colocados obstáculos. O Brasil vive uma situação de democracia frágil, com medo de regressar ao que foi a ditadura militar, com um presidente que vangloria os ideais da ditadura militar, torturadores, tem funcionários no seu governo que vangloriam figuras nazis. É completamente assustador. Mas acho que essa situação também gera muita cultura, muita arte. Estão acontecendo coisas tão absurdas que o povo olha e resiste, se expressa ainda mais. Não há como ocultar a cultura de um país, é impossível.

A exemplo do especial de Natal do Porta dos Fundos, publicado na Netflix.

Sim, acho que isso foi um teste para mostrar que a gente tem uma liberdade de expressão e a vamos usar, vamos usufruir dela, por mais banal que isto seja. Queremos causar esse impacto e mostrar que a liberdade está viva e tem de ser um símbolo de resistência.

E achas que a tua música tem esse carácter de resistência?

Acho que não é propriamente uma música feita com intuito de resistência. Não é como a de músicos que fazem músicas de protesto, ou músicos de resistência pela comunidade LGBT, figuras que trazem um empoderamento a minorias, mas acho que na minha comida caseira, na minha casinha, quero manter as pessoas felizes. Quero que as pessoas que escutem tenham algum momento de prazer, nem que seja mínimo, pelo que fiz. Acho que isso já é uma grande recompensa para mim.

A tua visão do Brasil mudou tendo vindo a Portugal?

Não mudou muito porque eu passei mais tempo dentro do que fora, então o que dá para perceber, estando em Portugal, é que o Brasil é um país ridiculamente grande. Desde pequeno tinha essa impressão de que tinha de ser mais do que um país, porque é impossível governar aquilo tudo, um presidente para tudo aquilo. É como ter um presidente da Europa, que não ia conseguir administrar tudo. Ver Portugal, que é pequenino e é mais fácil de administrar, me parece fazer mais sentido do que um espaço vasto para poucas pessoas que fazem essa gestão.

Que mensagem ou citação deixas para quem ler a tua entrevista?

No meu colégio havia um vigilante de corredores, o Sr. Nunes, que todos os dias escrevia no quadro “Bom dia e boa sorte sempre”. Esta é a mensagem que eu quero deixar para todo mundo.

Fotografia de destaque: Chico Bernardes em concerto na Galeria Santa Clara

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