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Cidade

A humanidade por detrás da capa de um livro

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Pároco define campanha de recolha de livros como forma de dignificação de pessoas detidas. Aponta ainda para dificuldades vividas pelos reclusos depois de serem libertados. Por Joana Carvalho

O projeto “Que livro davas a um homem preso?” encontra-se a decorrer na Igreja de Santo António dos Olivais e consiste numa campanha de recolha de livros. Esta iniciativa foi lançada pelo grupo voluntário “Mateus 25”, com o objetivo de que estes bens sejam entregues aos reclusos do Estabelecimento Prisional de Coimbra.

Segundo o pároco da igreja, Domenico Celebrin, a missão deste grupo centra-se na passagem do evangelho de Mateus, onde se lê “Estava preso e foste visitar-me”. Cada livro doado vai ser embrulhado e entregue com uma dedicatória, pela altura da Páscoa, adianta o padre. Domenico Celebrin explica que “a ideia por detrás deste projeto é oferecer algo belo a uma pessoa que está presa para promover a sua cultura”.

O pároco alerta para a necessidade de “tomar consciência de que as prisões têm muros que servem para impedir a saída de quem está preso”. No entanto, “por detrás dos muros não há presos, mas sim pessoas que, por terem cometido crimes, a sociedade decidiu colocar de parte”. Para o sacerdote, o ato de oferecer um livro, “algo que se daria a um amigo”, é reconhecer a dignidade num ser humano.

Domenico Celebrin lamenta não ter feito um apelo público mais cedo, mas afirma que, caso se justifique, o prazo pode vir a ser alargado. Segundo o presbítero, esta é a primeira campanha que a paróquia de Santo António dos Olivais realiza em conjunto com o grupo “Mateus 25”. Salienta também a importância de se criar um programa de acompanhamento para quando os reclusos são libertados. “Alguns encontram família que os acolhe, mas outros vêm da rua e para lá regressam”, lamenta. De acordo com Domenico Celebrin, as dificuldades mais vividas passam pela busca de trabalho e alojamento assim que saem da prisão.

Para o padre, estas campanhas “podem envolver todas as pessoas e não só os cristãos, pois aquilo que nos une a todos é a humanidade”. Considera ainda importante uma maior aproximação, “não só aos reclusos, mas a qualquer pessoa que viva numa situação de marginalidade”. “A diferença entre uma pessoa que esteja presa e outra que não esteja é, muitas vezes, um acontecimento que dura dez minutos, como um roubo ou uma venda de droga”, esclarece o pároco.

“Este gesto de dar um livro pode ajudar ou não, mas talvez desperte nas pessoas uma consciência de mudança”, afirma o presbítero. A campanha “Que livro davas a um homem preso?” teve início o mês passado e decorre até dia 8 de março, com a possibilidade de se alargar.

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