Ciência & Tecnologia

A emergência em encontrar novas soluções

Fotografia cedida por NEFLUC

Pró-reitor vinca a responsabilidade das sociedades democráticas em lidar com problemas ambientais. Compromisso da UC insere-se no Roteiro para a Neutralidade Carbónica 2050. Por Carlos Torres

Decorreu durante a tarde de hoje, no Anfiteatro III da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC), a palestra “Emergência Ambiental: Responsabilidade individual ou institucional?”. Esta iniciativa encontra-se inserida nas Jornadas da Cidadania, atividade desenvolvida pelo Núcleo de Estudantes da FLUC (NEFLUC). Como intervenientes estiveram presentes José Pedro Figueiredo, pró-reitor para as áreas da saúde global e bioética e professor da Faculdade de Medicina da UC (FMUC) , Rita Cassilda, membro dos Wildlings, e o Grupo Ecológico da Associação Académica de Coimbra (GE/AAC).

No centro do debate estiveram questões relacionadas com as alterações climáticas, com a responsabilidade humana e, ainda, com a sustentabilidade ambiental. A primeira intervenção partiu do professor da FMUC, José Pedro Figueiredo, que fez uma introdução às questões ambientalistas de acordo com o ponto de vista bioético. O professor começou por destacar o papel dos princípios da beneficência e da maleficência na abordagem deste tipo de problemáticas. Na resposta a este tipo de questões deve encontrar-se sempre “uma solução que traga um maior benefício para o ambiente, sem que daí decorra um grande prejuízo para o quotidiano humano”, explicita José Pedro Figueiredo.

O pró-reitor adianta que o compromisso da UC em tornar-se a primeira universidade portuguesa neutra em carbono até 2030 se insere num roteiro do qual Portugal faz parte e que tem como objetivo alcançar a neutralidade carbónica até 2050. Para o professor, há uma responsabilidade das sociedades democráticas em saber lidar com estas questões e de fazer as melhores escolhas possíveis.

Diana Santos, membro do GE/AAC, começou por fazer uma breve introdução do papel que o Grupo Ecológico tem representado dentro da comunidade estudantil ao longo dos anos. A seccionista considera positivo o balanço das medidas implementadas pela UC para a redução carbónica, com destaque para a abolição de carne de vaca das cantinas sociais e colocação de painéis fotovoltaicos em algumas residências estudantis. Contudo, considera que “ainda há muito a fazer para que se alcance um plano de sustentabilidade ambiental”.

Por último, o debate contou com a intervenção de Rita Cassilda, antiga estudante de Biologia na UC e atual membro do grupo Wildlings. Para a bióloga, a emergência ambiental que se verifica resulta da onda de consumismo em que assentam os padrões civilizacionais atuais. Na sua opinião, a facilidade em descartar bens e alimentos leva a que as pessoas não tenham noção do desperdício que ocorre todos os dias. Rita Cassilda considera que “deve haver uma reformulação das prioridades civilizacionais, uma vez que há uma enorme desproporcionalidade entre aquilo que o ser humano produz todos os dias e o que o planeta é capaz de suportar”.

No final da palestra, teve lugar um debate com o público presente, com o objetivo de elucidar dúvidas que surgiram ao longo do evento. Duarte Machado, estudante de Filosofia e espectador da palestra, considera que as medidas recentemente implementadas “foram um pouco precipitadas”. Aponta como principal razão a falta de informação que é disponibilizada aos estudantes sobre estes temas. Contudo, realça o papel positivo que os núcleos de estudantes têm na criação deste tipo de debates, com o objetivo de esclarecer os alunos e criar um ambiente de discussão consciente.

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