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Ensino Superior

Órgãos de comunicação reúnem para discutir a crise da imprensa

Jade Sanglard

Sem o jornalismo regional “o mundo rural estaria mais isolado”. Oradores reforçam ideia de confiança entre leitor e jornal. Por Francisca Soeiro e Jade Sanglard

Desde 2003, que o Dia da Imprensa tem vindo a ser promovido em vários locais do país. Este ano o auditório do Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Coimbra serviu de palco para o evento promovido pela Associação Portuguesa de Imprensa. Nos dias 8 e 9 de dezembro foram debatidos temas relacionados com a crise jornalística. A moderação ficou a cargo do presidente da Associação da Economia Digital, Alexandre Nilo Fonseca.

“A importância da informação local e de proximidade” foi o tema apresentado por João Carlos Correia, professor na Universidade da Beira Interior. Apontou para a necessidade de inovação ao nível dos conteúdos visuais e multimédia e chamou a atenção para a importância da mobilização do interesse público. Terminou o discurso deixando no ar a seguinte questão: “Será que se pode superar o negócio dos media da sustentabilidade do jornalismo?”.

Após a abertura da mesa redonda por Alexandre Nilo Fonseca, a representante do semanário “Região de Leiria”, Patrícia Duarte tomou a palavra. Começou por dar o exemplo dos incêndios que ocorreram no Pinhal de Leiria e como um jornal regional tem de ser rigoroso na resposta aos acontecimentos. Conta ainda que, na altura, muitas pessoas mandavam mensagens ou telefonavam para o jornal a questionar como é que os fogos tinham começado e qual o ponto de situação. Estas eram perguntas de difícil resposta, mas demonstram a relação de confiança entre os leitores e a imprensa regional.

Segundo Patrícia Duarte, os pilares da imprensa regional devem ser a atenção, a empatia, o diálogo, a relevância e a transparência. Salienta a importância da atenção aos pormenores e da compreensão para com o outro. Além disso, reforça que os jornalistas têm de ter disponibilidade para dialogar e explicar com transparência os critérios por detrás do trabalho. Sublinha ainda que o estigma em relação ao jornalismo regional não deve existir, uma vez que ocupa um lugar único e insubstituível. “Sem ele o mundo rural estaria mais isolado”, remata.

“Não se pode pensar em democracia sem liberdade de imprensa”. Lino Vinhal, administrador do Grupo Media Centro, deu assim início à sua intervenção. O palestrante procurou defender a  importância do papel das escolas de jornalismo na formação dos profissionais da área. Acredita ainda que a notícia não deve ser fria e distante, mas deve ter um toque de sensibilidade por parte do jornalista. A este respeito, recomendou: “não confundam sensibilidade com objetividade. Desde que vá ao encontro da verdade, é a emoção que move a vida”. Para o administrador, esta é a maneira de “fazer com que o leitor seja transportado para o local do acontecimento”.

O diretor geral do “Diário do Minho”, Luís Carlos Fonseca, reforça que a habilidade para diversificar e encontrar alternativas e soluções para um novo tipo de jornalismo é essencial. No geral, a principal fonte de rendimento advém da publicidade e muitas vezes das ‘fake news’, diz.

Inês Amaral, professora na Universidade de Coimbra, começou por apresentar uma problemática com a qual se depara em sala de aula: “os canais e o público em constante mudança são uns dos maiores desafios para o professor jornalístico”. Reforça ainda a ideia introduzida por João Carlos Correia de que o jornalismo é o instrumento máximo de manutenção da democracia. Ao considerar a dificuldade dos alunos na inserção no mercado de trabalho, abordou a questão dos estágios que, na maior parte, não são remunerados “porque as empresas não os podem pagar”.  

O diretor adjunto do “Diário de Coimbra”, João Luís Campos, evidencia a importância de os jovens na sua licenciatura fazerem estágios e considera negativo um aluno licenciar-se em jornalismo sem nunca ter estagiado. O “Diário de Coimbra” conta já com 90 anos o que, segundo João Luís Campos, se deve à fidelidade aos princípios de base. Conta que o princípio primordial deve ser a verdade e, por isso, o jornalismo não se deve guiar por visualizações na internet. “Acima de tudo, as pessoas têm de sentir a necessidade de comprar o jornal”, termina.

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