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Ciência & Tecnologia

O céu é o limite para a equipa STRATOSPOLCA

Fotografia cedida por Rui Curado Silva

Iniciativa visa melhorar experiências futuras.  Supervisor da equipa realça a oportunidade “única” de trabalhar num ambiente impossível de simular. Por Filipe Silva

O projeto prevê o lançamento de um detetor de CdTe (Telureto de Cádmio), para a estratosfera, através de um balão, o BEXUS 31. Este é promovido pela Agência Espacial Europeia (ESA), no âmbito do programa Rocket and Balloon Experiments for University Students (REXUS/BEXUS), que vai já no seu 13º ciclo. A STRATOSPOLCA surgiu da colaboração entre a Secção de Astronomia, Astrofísica e Astronáutica da Associação Académica de Coimbra (SAC), a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas de Coimbra (LIP).

O lançamento do balão para a estratosfera vai ser em outubro de 2020, em Kiruna, na Suécia. Sobre a escolha deste local, Henrique Neves, presidente da SAC e líder da equipa STRATOSPOLCA,  confessou não ter poder de decisão, mas admite ser uma zona menos povoada, onde é “mais seguro os balões voarem”. A altura escolhida deve-se à estabilidade atmosférica, sendo possível prever a trajetória do balão.

Henrique Neves expõe a novidade da sua iniciativa: “Em vez de medir o sinal, que é o que todos tentam fazer, vamos medir o ruído”. Acrescenta que, como ainda ninguém o fez, é difícil distinguir com precisão, o que é sinal do que é ruído. “Tendo este conhecimento de dados podemos melhorar, no futuro, essas experiências”, justifica.

A um nível mais prático, estas medições irão permitir um melhor ‘signal to noise ratio’, um termo ligado à astrofísica multi-mensageira que, segundo Henrique Neves, é algo que “está muito na berra”. A mesma baseia-se em “ouvir objetos maciços com duas plataformas”, esclarece o presidente. Acrescenta que se ouve através dos raios gama (o foco do projeto estudantil) e sente-se o “pulso” do universo através de ondas gravitacionais. O líder do projeto afirma que, “melhorando uma destas vertentes, no nosso caso a radiação gama, são também melhoradas as conclusões obtidas em todas as experiências futuras”.

Rui Curado Silva, docente convidado na FCTUC e investigador no LIP, supervisiona a equipa de estudantes e o projeto STRATOSPOLCA. Na sua opinião, é uma iniciativa “motivadora” para alunos e docentes. “Fazer uma experiência científica, num ambiente que não conseguimos simular em qualquer instalação do mundo, é uma oportunidade única”, comenta.

Segundo o docente, há pouca gente em Portugal com conhecimentos sobre montar um dispositivo num balão de grande altitude. “São balões que voam até 30km, no meio da estratosfera, uma zona em que o ar é mais rarefeito e se tem uma experiência muito próxima daquilo que é o espaço”, elabora.

Rui Curado Silva recorda que o reitor, Amílcar Falcão, decidiu investir mais na investigação. Indica ainda que estão “abertos a reunir e pensar em projetos interessantes que sejam úteis para a universidade”.O investigador reforça de novo a ideia de que este tipo de iniciativas motivam os alunos e podem abrir portas para projetos mais avançados. “Queremos subir mais acima, não ficar só pela altitude do balão”, conclui.

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