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Ensino Superior

Manutenção dos jardins da AAC: DG/AAC não interfere e bar não comenta

Bruno Oliveira

Degradação dos Jardins da AAC não passa despercebida entre a comunidade estudantil. Administrador da casa defende que o espaço está ao encargo do concessionário do bar. Por Bruno Oliveira

A deterioração dos Jardins da Associação Académica de Coimbra (AAC) é tema de conversa entre os estudantes que frequentam o espaço. “Isto não está nas melhores condições” ou “é um espaço verde e devia estar limpo, mas está degradado”, são alguns dos comentários dos estudantes abordados pelo Jornal A Cabra à entrada da Sala de Estudo da AAC.

Ao atravessar os jardins, a falta de cuidado e limpeza é visível, “ambiente um pouco poluído para um jardim” comenta Francisco, estudante de Matemática no Departamento de Matemática da Universidade de Coimbra (UC). A relva é cada vez menos, grande parte destruída pelos carros que por ali passam. O lago “está muito sujo” repara Ana Sofia, estudante de Direito na Faculdade de Direito da UC. As casas de banho na parte de trás da esplanada são onde a degradação mais se faz sentir, rodeadas de madeiras, metais, materiais de construção e lixo. A calçada, danificada em vários lugares, está também coberta de lixo e bastante lama.

A DG/AAC assume que uma das suas principais bandeiras é “reabilitar os jardins da associação”, afirma o administrador da AAC, João Gonçalo. Segundo o mesmo, a DG/AAC está “na expectativa” que os concessionários cumpram as suas responsabilidades de acordo com o contrato. No entanto, o problema parece arrastar-se há já algum tempo. “Quando ainda estava bom tempo, passava aqui e andava aos chutos aos copos. Devia haver alguém que tratasse disto”, lembra Ana Sofia.

Os Jardins da AAC são um espaço com relevância histórica na cidade e na comunidade estudantil. Desde 2013 que este espaço integra a lista de locais reconhecidos como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO. Ao longo dos anos, este espaço serviu os estudantes das mais diversas formas. Por ser um jardim é um espaço de convívio e lazer. A sua história marca-se também por intervenções culturais e políticas. Em 2007, foi construído, no centro dos Jardins, a esplanada que, em conjunto com o bar no interior da associação, oferecem aos estudantes um espaço de convívio e diversão.

Em julho de 2018 terminou o contrato com a última concessão antes da atual. Dois meses depois, a DG/AAC liderada por Alexandre Amado, da qual Daniel Azenha era vice-presidente, cedeu o espaço à empresa Mundo Semelhante, num contrato que se mantém em vigor até 2023. Segundo o contrato de arrendamento (4ª cláusula), é da responsabilidade do concessionário “manter o estabelecimento, zonas adjacentes, equipamentos fixos, equipamentos móveis e os utensílios em perfeitas condições de limpeza e higiene”.

A dúvida que surge a partir deste ponto é a delimitação exata de onde começa e acaba a área pela qual a gerência do bar é responsável. João Gonçalo esclarece que “toda a reabilitação dos jardins, desde a esplanada à zona do lago, e à parte em frente à Cantina dos Grelhados” é da responsabilidade dos arrendatários. “Não há uma delimitação física que diga por que parte eles são responsáveis. O que o contrato assume é que todo esse espaço está ao encargo do concessionário do bar”, considera.

O administrador da AAC revela que os concessionários do bar abordaram a DG/AAC “no sentido de pedir alguma ajuda” na reabilitação das casas de banho exteriores, um dos espaços mais afetados pela falta de manutenção. Em resposta, segundo João Gonçalo, a DG/AAC declarou que “não faria qualquer sentido e que teriam de ser, obrigatoriamente, eles a assumir”.

A esplanada vai cessar atividade até fevereiro, por razões meteorológicas. Todavia, a DG/AAC espera que “a manutenção seja feita da mesma forma até lá”, afirma o administrador da AAC.

“Desde o início do mandato, a nossa postura foi tentar dar alguma estabilidade e resolver alguns problemas que impossibilitavam a concessionária de tratar o jardim no imediato e na sua totalidade”, acrescenta João Gonçalo. Ao mesmo tempo, julga que o problema mais grave não diz respeito aos jardins, mas “ao volume de litros de cerveja que eles estão obrigados a adquirir”. O administrador conclui que, de uma forma geral, o contrato “está a ser cumprido” e que “está a haver um esforço por parte do bar para tentar resolver este problema”.

No entanto, parece haver alguma divergência entre a visão da DG/AAC e aquilo que os estudantes têm a dizer sobre o jardim. “Falta ter isto em condições, de forma que seja possível transitar normalmente, sem ter que olhar para o chão para ver onde podemos pisar”, aponta David Cardoso, estudante de Ciências Farmacêuticas na Faculdade de Farmácia da UC. “Os passeios costumam estar muito sujos”, comenta Ana Margarida, estudante de Mestrado em Tradução na Faculdade de Letras da UC.

O Jornal A Cabra fez inúmeras tentativas de entrevistar os concessionários do bar. No entanto, recusaram, declarando apenas que “é um assunto que está a ser discutido com a DG/AAC e, enquanto assim for, não há nada a dizer”.

Fotografias por Bruno Oliveira

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