All for Joomla All for Webmasters
Ensino Superior

Com pouco lixo também se faz a festa

Carlos Torres

Medidas apresentadas visam reduzir a pegada ecológica no dia do cortejo. Respeito cívico e consciencialização ambiental vistos como ponto de partida para esta problemática. Por Carlos Torres

Realizou-se ontem, na Casa das Caldeiras, o fórum “Cortejo da Queima das Fitas: Tradição não é Poluição”. A iniciativa partiu do Magnum Consilium Veteranorum – Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra (MCV). Contou com a participação da vice-reitora, Cristina Albuquerque, do Grupo Ecológico da Associação Académica de Coimbra, representado pela presidente, Raquel Barbosa e do secretário geral da Queima das Fitas, Leandro Marques. O final da discussão ficou marcado pela intervenção de Fernando Paiva, responsável pelo movimento ambientalista “Não Lixes”.

O debate teve como foco principal encontrar soluções para reduzir a quantidade de lixo que é produzida ao longo do dia do cortejo. Contudo, como referiu o dux veteranorum, Matias Correia, o objetivo passa por sensibilizar as pessoas acerca das “questões ambientais que assolam toda a Queima das Fitas (QF) e não só o cortejo.” O mesmo adianta que “hoje discutiu-se o cortejo, porque é o que mais preocupa a comunidade estudantil”.

Para Matias Correia, o surgimento deste tipo de iniciativas dentro do MCV “coincide com a renovação que sofreu a nível interno, e que acabou por reunir uma direção mais jovem e mais familiarizada com estas questões ambientais”, explica. No seu entender, foi também “a abertura a outras faixas etárias de estudantes que ajudou a perceber a importância destes problemas”.

Por sua vez, a vice-reitora começou por fazer um paralelo sobre aquilo que era o dia do cortejo na sua altura de estudante e aquilo que é hoje. Alertou, sobretudo, para a consciencialização dos estudantes num ponto de vista ecológico, referindo que o ponto essencial destas discussões “passa pelo bom senso das pessoas”. A mesma recordou que, apesar do cortejo ser um espaço de manifestação para os alunos, estes não se devem esquecer daquilo que são os pilares básicos do civismo e respeito pelo espaço público.

Houve também espaço para uma discussão aberta entre os palestrantes e o público, com o objetivo de serem analisadas ideias que poderiam ajudar a reduzir a pegada ecológica do cortejo. Entre as propostas que surgiram, Raquel Barbosa acredita que “a redução do número de latas de cerveja por carro, bem como a colocação de um maior número de ecopontos ao longo do percurso, são medidas que poderiam ser aplicadas já na próxima edição da QF”. Sobre esta última ideia, Matias Correia afirma que “a mesma foi implementada o ano passado, em parceria com a empresa ERSUC”. O problema passou pela pouca antecedência de divulgação, o que dificultou a manobra de atuação dos carros.

Outra medida que surgiu, passa pela substituição das latas por barris de cerveja. Para o dux “muitas vezes a dificuldade de executar estas medidas vem da escassez de meios e de mão de obra, o que torna mais exigente a sua exequibilidade”. Matias Correia afirma que “as medidas que se conseguem implementar estão sempre muito dependentes da ajuda de certas entidades, como foi o caso da parceria com a ERSUC”.

Para o fundador do movimento “Não Lixes”, Fernando Paiva, “há medidas que já existem e basta serem colocadas no terreno para acabar com esta questão ambiental nociva para todos”. O mesmo recorda que “todos os anos, algo como mil e cem carros são resgatados das margens do rio.” “Trata-se da responsabilidade e do bom senso de cada um de nós”, afirma o responsável pelo movimento ambientalista.

No final do fórum, Matias Correia realçou que “há um encontro de interesses e soluções para este tipo de questões”. Adianta que “algumas das sugestões que foram dadas pelo público coincidem com as soluções que já tinham sido discutidas dentro do próprio MCV”. O mesmo afirma que “não têm de ser as entidades institucionais a impor, limitar ou proibir o que quer que seja”. Relembra ainda que “é necessário explicar aos estudantes que molhar as pessoas com cerveja é um comportamento incorreto e que não faz parte da tradição académica”.

Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra

Rua Padre António Vieira, Nº1 - 2ºPiso 3000 Coimbra

239 851 062

Seg a Sex: 14h00 - 18h00

© 2019 Jornal Universitário de Coimbra - A Cabra

To Top