All for Joomla All for Webmasters
Ciência & Tecnologia

Colóquio sobre Burnout propõe estratégias para lidar com a doença

antónia fortunato

Palestrantes constatam que número de casos de Burnout tem tido tendência a aumentar. ‘Mindfulness’ e outros métodos são opções para gerir doença. Por Antónia Fortunato

A Fundação INATEL organizou, esta quinta feira, no auditório da instituição, um simpósio sobre a síndrome de Burnout. Numa parceria com a Unicare e a Psiquiatria Positiva, a sessão teve como objetivo “munir as pessoas de ferramentas para lidar com a adversidade, de forma a poderem prosseguir com uma vida plena de bem-estar”, como se lia no comunicado de imprensa. A iniciativa contou com quatro convidados de áreas profissionais diferentes que procuraram esclarecer a audiência acerca do tema.

O fundador do projeto Psicologia Positiva e médico psiquiatra, José Tereso Temótio, define Burnout como um “estado de frustração ou fadiga causado pela dedicação excessiva ou prolongada a uma causa”. A síndrome ocorre também se uma pessoa persistir numa meta inatingível, acrescenta. Burnout foi este ano reconhecida como doença pela Organização Mundial de Saúde. Está associada a ‘stress’ excessivo, no entanto, este é necessário em equilíbrio, uma vez que sem ele seríamos apáticos, explica o psiquiatra.

Margarida Pinho e Inês Marques, psicólogas do mesmo projeto, expõem a prática de ‘mindfulness’ como forma de gerir o ‘stress’ e prevenir a doença. Segundo Margarida Pinho, o objetivo da prática é parar com o modo “piloto automático” nas tarefas do dia-a-dia. Exemplifica os pensamentos stressantes que temos durante o banho ou no caminho para casa. Realça ainda que “é necessário prestar atenção ao presente, sem fixar o passado ou o futuro”.

Como explica a psicóloga Margarida Pinho, a técnica é comprovada pela ciência e aplicada na psicologia e na psiquiatria. “Ajuda a diminuir o ‘stress’, a ansiedade e os sintomas da depressão”, enumera. Pode ainda contribuir para o aumento da concentração e da memória e melhorar o bem-estar geral, esclarece. O conceito de ‘mindfulness’ assenta em seis competências diferentes para ajudar a “libertação de padrões automáticos de resposta”.

Inês Marques elucida formas de praticar a técnica. No quotidiano, as pessoas podem “tomar consciência da respiração” como meio de se acalmarem. Outra tática passa por se focarem em pormenores da experiência que estão a viver: “devemos manter a atenção nas atividades do dia-a-dia. Por exemplo, tomar atenção à cor dos nossos alimentos”, exemplifica a psicóloga. ‘Mindfulness’ pode ainda ser praticado através de meditação ou retiros de silêncio. O importante, realça Inês Marques, é “ter um momento todos os dias”.

O psiquiatra José Tereso Temótio afirma notar um aumento do número de casos de Burnout, mas remata que não sabe se “existem, de facto, mais casos ou se as pessoas procuram ajuda de forma mais precoce”. Para o médico psiquiatra, os profissionais que trabalham por turnos ou que lidam de forma direta com a vida dos outros têm um maior risco de desenvolver sintomas. Ilustra a afirmação com médicos, cuidadores informais e agentes da polícia. O psiquiatra demonstra ainda preocupação com os novos meios de comunicação, em especial com a aplicação Whatsapp, que resultam num aumento de ‘stress’, relacionado com a síndrome de Burnout. “Não há respeito pelos horários de trabalho. A pessoa sai do emprego e recebe recados à meia noite de coisas a fazer no dia seguinte”, clarifica.

Segundo José Tereso Temótio, os sinais da doença dividem-se em três categorias: físicos, como problemas no sono e fadiga; psicológicos, com ênfase na depressão e ansiedade; e comportamentais, por exemplo, diminuição do interesse, desempenho ou concentração. O psiquiatra realça que “o ambiente laboral é um fator importante no desenvolvimento da síndrome” e que deve ser examinado pelas entidades empregadoras. A resposta das organizações às necessidades dos funcionários “depende das lideranças e das estruturas”, expõe. “Temos um tecido empresarial envelhecido, com estratégias de liderança que não se compadecem com as dificuldades dos profissionais”, remata o médico.

Para enfrentar a doença, José Tereso Temótio sugere algumas medidas a ser implementadas. A nível organizacional, é necessário formar os funcionários, adaptar a carga laboral e valorizar o trabalho. Propõe ainda atividades de ‘team building’. “Em Portugal, o ‘team building’ é o jantar de natal”, graceja. O psiquiatra explica que a prática pretende melhorar relações laborais através da construção de relações pessoais entre colegas. A título pessoal, o indivíduo deve respeitar os seus limites e tempos de pausa e evitar o negativismo. Mudanças na alimentação, higiene do sono e atividades de lazer também devem ser feitas de forma ativa. Em casos extremos, “deve-se optar por ajuda especializada”, remata o fundador da Psicologia Positiva.

Outra forma de lidar com a síndrome de Burnout foi apresentada pela fundadora do centro “C Feliz” e assistente social, Cristina Felizardo. Através de aconselhamento profissional e dinâmicas de grupo, a empreendedora ajuda os pacientes a gerir os níveis de ‘stress’, para assim encontrarem equilíbrio emocional. Desta forma, mune os pacientes com ferramentas para lidar com os sintomas da doença.

Secção de Jornalismo da Associação Académica de Coimbra

Rua Padre António Vieira, Nº1 - 2ºPiso 3000 Coimbra

239 851 062

Seg a Sex: 14h00 - 18h00

© 2019 Jornal Universitário de Coimbra - A Cabra

To Top