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Ciência & Tecnologia

A saúde das colmeias à distância de um clique

Foto cedida por José Paulo Sousa

Alterações climáticas modificam período de floração essencial às abelhas. Projeto de investigação procura criar soluções na atividade apícola. Por João António Gama e Mafalda Pereira

Uma equipa de cientistas da Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver colmeias inteligentes para ajudar apicultores a monitorizar a saúde das abelhas. Batizado de “B-GOOD”, o projeto europeu permite ao produtor receber a análise do estado da colónia em tempo real no seu telemóvel, ‘tablet’ ou computador. O aparelho tem o aspeto de uma colmeia normal e possui uma balança, um sensor de temperatura, de humidade e de vibração.

José Paulo Sousa, vice-coordenador do projeto “B-GOOD” e professor da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC) explica que com este dispositivo “é possível prevenir eventuais doenças, ataques e incidência de parasitas nas colónias”. Nas palavras do professor, para além de parasitas, também os recursos alimentares disponíveis ao redor do apiário influenciam o sucesso de uma colmeia. “As flores que brotam no início da primavera são essenciais para que a colónia cresça de forma saudável”, esclarece.

As alterações climáticas são apontadas pelo especialista como as principais responsáveis pelos distúrbios presentes nesta espécie. José Paulo Sousa expõe que estas alterações provocam uma mudança no período de floração. “Há um desencontro entre as necessidades alimentares das abelhas e a disponibilidade de recursos”, realça.

Este “grave problema”, como é apresentado pelo vice-coordenador, leva a uma diminuição na resistência da espécie, o que a torna mais suscetível a doenças. A título de exemplo, refere que está cientificamente provado que com a subida de um ou dois graus na temperatura, o nível de infeção tem tendência a aumentar. “Se para além do aumento de temperatura, as abelhas estiveram sujeitas a um ‘stress’ nutricional, a probabilidade de serem afetadas é maior”, clarifica.

No âmbito das questões climáticas, o projeto “B-GOOD” incide também na criação de um mapa com zonas mais indicadas ou menos indicadas para a atividade apícola. Estes documentos ajudam na gestão e identificação eficientes de áreas que têm mais recursos e onde o risco de problemas é menor.

O produto final terá um preço reduzido e os investigadores acreditam que é possível chegar ao mercado dentro de dois a três anos. “A relação custo-benefício para os apicultores é rentável”, conclui o professor.

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