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Cultura

Tape Junk: do disco de estúdio às cassetes de garagem

Fotografia gentilmente cedida por Cláudia Manuel Silva

Os lisboetas Tape Junk regressaram a Coimbra esta quinta-feira para um concerto na Tabacaria da Oficina Municipal do Teatro. Com uma atuação em dupla, João Correia e Frankie Chavez, apresentaram os temas do novo álbum “Couch Pop”. O Jornal A Cabra esteve à conversa com o vocalista e guitarrista da banda, João Correia, para saber mais sobre o grupo e este novo álbum. Por Carolina Fernandes e Cátia Beato

Como surgiu a banda?

Eu antes tinha outra banda que se chamava Julie & the Carjackers, com o Bruno Pernadas. Eu e o Bruno tínhamos montes de canções, um EP e um disco editado. Mas, em 2012, o tipo de canções que eu estava a escrever afastava-se do que estava a fazer com a banda. Eu queria fazer uma coisa mais crua, mais ‘folk’ e resolvi gravar um disco a solo. O que acabou por não ser porque tive montes de participações de outra malta. Assim surgiu o primeiro disco, “The Good & The Mean”. Só para o segundo disco é que se formou a banda que toca hoje, composta pelo António Vasconcelos Dias na bateria, o Nuno Lucas no baixo, o Frankie Chavez na guitarra e o Benjamin nos teclados. O segundo disco foi produzido pelo Benjamin e aí formou-se a banda como é hoje.

Já se conheciam antes de serem uma banda?

Sim. Eu sou baterista do Benjamin e do Frankie Chavez, toco em quase todos os projetos com o baixista Nuno Lucas. O António Vasconcelos Dias era baterista da banda Julie & the Carjackers, portanto, basicamente já trabalhámos todos em montes de projetos diferentes.

Qual é a origem do nome Tape Junk?

Veio inspirado nas cassetes poeirentas que tinha lá em casa. Quando era novo tinha um gravador de quatro pistas e costumava lá gravar os instrumentos todos sozinho. Achava que eram os meus discos, os meus álbuns e ia juntando as cassetes até ficar uma ‘pile of junk’ de ‘tapes’. Depois, lembrei-me de Tape Junk, soava-me bem.

Quais são as influências da banda?

Em termos de compositores, gosto do Harry Nilsson, do Paul Mccartney e do Paul Simon. Em termos de estética musical, os Pavement são a minha banda preferida. O meu primeiro disco tem montes de coisas inspiradas no Johnny Cash. Acho que as influências também têm a ver com o que nós ouvimos. Até ao contrário, não é? As coisas que eu oiço que não gosto influenciam-me a não fazer igual.

Já atuaram em Coimbra antes?

Já atuámos no Salão Brazil e na Galeria Bar Santa Clara com a Francisca Cortesão. Foi um concerto a meias, entre os cabecilhas dos Tape Junk e dos Minta & the Brook Trout.

Existe algum sítio onde sonhavam atuar?

A minha vida é tocar, não só com os Tape Junk. Nós acabamos a andar sempre de norte a sul do país a tocar seja em auditórios, em festivais ou clubes. Qualquer sítio que tenha um público atento, curioso e com boa onda, é o sítio perfeito para tocar. Seja para dez pessoas ou para dez mil num festival.

O penúltimo álbum foi publicado em 2015. Qual foi a razão de terem estado estes quatro anos sem lançar conteúdo?

O Bruno Pernadas começou a ter muitos concertos, que eu acompanhei. Com o Frankie Chavez atuámos também fora de Portugal. Entretanto fui pai. Entrei para a banda do Jorge Palma e, de repente, todo esse trabalho foi difícil de conciliar. Eu conseguia sentar-me e escrever, mas não tinha tempo para explorar essas ideias.

No Facebook, a banda define-se como uma banda ‘rock’. Porquê o nome “Couch Pop” para o novo álbum?

Primeiro, escolhi o ‘couch’ porque o disco foi gravado em casa de forma muito relaxada. Achei que simbolizava bem essa onda. Enquanto estava a compor, houve algumas músicas talvez a “Cronies” ou a “Down” – em que tentei arranjar uma sonoridade um pouco mais ‘pop’, mais melodia, sintetizadores e outras coisas que eu não estava tão habituado a usar. Acabou por um disco mais ‘pop’ que os outros.

Como foi o processo criativo deste álbum?

Foi muito lento. Durou de 2015 a 2018. Estive à vontade três anos a trabalhar nele. Escrevi muita coisa, sem ter o foco no disco, acabou por não ser escrito intencionalmente. Devo ter escrito cerca de 30 e tal músicas e só estas nove é que achei que faziam sentido encaixar aqui. 

Porquê a opção de gravar este disco em formato cassete?

Essa parte foi da editora. A minha sugestão era fazer uma edição digital, sendo que toda a gente hoje em dia ouve música no computador ou no telemóvel. Normalmente, para uma banda independente, como nós somos, a melhor forma de vender um produto, um disco, uma camisola, o que for, acaba por ser nos concertos. A verdade é que todos os elementos da banda têm projetos paralelos e não têm muita disponibilidade para tocar ao vivo. Portanto, não insisti com a edição física, estava preocupado com o digital.

O que é que distingue cada um dos álbuns?

Para mim, o que os distingue mais é o processo. Nenhum dos álbuns foi levado com muita certeza do que sairia dali. Produzi o primeiro com o António Vasconcelos Dias.  Fizemos umas maquetes em casa e metemo-nos no estúdio. Para o segundo eu quis ter produtor e falei com o Benjamim. Para produzir o disco, fomos para o sótão dos pais dele. O primeiro disco era muito limpinho e cristalino, portanto, no segundo quisemos ter uma sonoridade um bocado mais suja. No terceiro, voltei a gravar na garagem, como quando era puto. 

Qual é o próximo passo para a banda? O próximo passo vai ser explorar alguns concertos em duo, em sítios mais pequenos e intimistas.

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