Ensino Superior

Lista R – Reerguer a Academia

Diogo Vale, estudante do quarto ano de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (UC) encabeça a Lista R. “Maior proximidade aos estudantes e maior proatividade” são dois dos objetivos da lista. A ideia-chave é “perguntar aos estudantes como querem abordar problemas específicos das suas vidas”. Reivindicar a reabertura das Cantinas Verdes e dos Grelhados e promover um abaixo-assinado por melhores condições nas faculdades são ações propostas. Por Isabel Simões

A tua candidatura conta com algum apoio partidário?

Não. Pessoalmente pertenço à JCP, mas a nossa candidatura é completamente independente. Há gente da nossa lista que não tem qualquer filiação partidária e a lista como um todo também não tem.

O que motivou a tua candidatura à presidência da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC)?

A nossa candidatura vem sobretudo de uma constatação de que o atual mandato tem sido insuficiente a combater os vários problemas do quotidiano dos estudantes. Sentimos que causa um grande afastamento dos estudantes em relação à Direção-Geral. Os dirigentes insistem em ter ações independentes no sentido em que não consultam a comunidade estudantil em Assembleia Magna (AM). Um aluno que se depare com esta situação não vai sentir que a sua voz esteja a ser ouvida. A lista do Daniel Azenha é de continuidade com a anterior, em que ele também teve um cargo e, portanto, seria mais um mandato com esta ideologia, pelo que é necessário mudar.

Noutra entrevista ao Jornal A Cabra, afirmaste que a Lista R se candidatava contra “a insuficiência do atual mandato”. Tens mais alguma crítica?

No último ano, foi perguntado em Magna se havia alguma ação planeada para o Dia do Estudante. Responderam que os planos ainda estavam a ser feitos. Alguns dias depois, surgiram as ações que todos vimos. Na AM seguinte, quando confrontado, Daniel Azenha respondeu que era uma questão de ‘timing’. Já este ano, sobre as medidas que o reitor anunciou para atingir a neutralidade carbónica na UC, a DG/AAC proclamou o apoio da comunidade estudantil sem a ter consultado. Se isto tivesse sido discutido em Assembleia Magna, os estudantes até tinham apoiado, não é isso que ponho em causa. E portanto, juntando estas duas situações o que nós vemos é que a atual Direção-Geral determina a agenda política, os ‘timigs’ políticos e as próprias posições de toda a Académica, sem a consultar.  Isto obviamente que vai causar um grande distanciamento. A nível das questões básicas, vemos que as Cantinas Amarelas foram reabertas com uma grande luta dos estudantes, mas sem prato social. Já foi prometido, mas para quando? Mesmo que as Cantinas Amarelas tenham refeição social, não pensamos ser suficiente para solucionar as filas enormes que se vê por toda a universidade. É uma luta que deve ser continuada com a reabertura das Cantinas Verdes e dos Grelhados. As residências são um problema cada vez maior, pois há uma grande insuficiência de camas. O que constatámos este ano é que, um pouco por todo o país, estão a ser disponibilizadas mais camas em residências universitárias públicas e nenhuma delas é em Coimbra. A DG/AAC não se pronunciou de todo em relação a isto.

Referiste a necessidade de exercer “pressão sobre a universidade”. Em que áreas consideras que a UC está a falhar?

Não cabe à AAC colocar a refeição social nas Cantinas Amarelas, nem reabrir as cantinas que foram fechadas. De modo a concretizar essas ações, vai ter de ser exercida pressão sobre a UC e sobre as políticas nacionais.

Qual a tua posição em relação à retirada da carne de vaca das refeições da cantinas?

Esta questão, mais do que a minha opinião pessoal, devia ter passado pelos estudantes para ver qual a sua posição. Só assim nos devíamos pronunciar. Juntamente com a carne de vaca houve outras medidas que foram introduzidas e temos de ver se estas diferenças são de facto bem-vindas.

A minha posição central é esta: consultar os estudantes.

O que vão fazer melhor, caso ganhem?

Só um rumo diferente, uma maior transparência e uma maior e mais frequente consulta dos estudantes. Comunicar com a comunidade estudantil e explicar como funciona a AAC, sobretudo a quem chegou há menos tempo à universidade. Depois, em relação às questões práticas, o que propomos é uma Direção-Geral que preste mais atenção a este tipo de problemas e que seja mais proativa no sentido de os combater. Alguns elementos da nossa lista vão começar já a apresentar um abaixo-assinado, no sentido de reivindicar aquilo que nós entendemos ser uma necessária melhoria das condições nas faculdades. Não existem espaços e as salas não têm condições. Pensamos que a função da DG/AAC deve passar muito por promover este tipo de ações concretas: abaixo-assinados e manifestações. Sempre que houver um problema, a Direção-Geral deve consultar os estudantes para perceber se têm interesse em manifestar-se publicamente para combater estes problemas. Aquilo a que nos comprometemos é a ter este tipo de proatividade.

Quais são as principais bandeiras do teu projeto?

Acabar com esta campanha de promoção ao desinteresse que a atual DG/AAC está a levar a cabo. Maior proximidade aos estudantes e mais inicativa. Apresentar mais ações concretas e mais constantes. Perguntar aos estudantes como é que querem proceder de modo a abordar problemas específicos das suas vidas.

Quais são, para a tua lista, os principais problemas que os estudantes enfrentam?

A Ação Social, de um modo geral, deve ser melhorada. Mas também se pretende abordar problemas pedagógicos e a falta de condições nos espaços das faculdades. Assim como não podemos descurar a luta contra a propina. Aliás, os próprios Estatutos da AAC e a Constituição da República Portuguesa preveem ensino público e universal. A nossa lista defende isso. Como aconteceu na última legislatura, a descida do preço da propina deve dar ainda mais força para continuar esta luta e não a deixar cair no esquecimento. É necessário continuar até chegar ao objetivo final que será a extinção da propina.

Em relação à propina para os estudantes internacionais, têm alguma posição?

Sim. Reparámos que a propina internacional tem um valor muito elevado em relação à dos estudantes nacionais. Também defendemos a descida desta propina. Qualquer descida é bem-vinda.

Há muitos anos que se fala na reorganização dos espaços da AAC. É um projeto que têm em mente? Se sim, como o pretendem executar?

Sim. Vimos que o edifício da AAC no piso zero tem estabelecimentos comerciais, sabendo nós que várias secções estão a carecer de espaço. Seria do interesse de todos os associados, efetivos e seccionistas, que se dialogasse no sentido de perceber se é conveniente disponibilizar alguns desses espaços às secções que deles necessitam. Muitas vezes, a desculpa apresentada é de cariz financeiro. Mas, se queremos estabilidade para a AAC, temos de cuidar dos problemas dos estudantes, das secções e dos organismos autónomos. Este ano, o Daniel Azenha informou ter diminuído bastante a dívida externa, portanto, é possível combatê-la. Não estamos a dizer para a Académica estar aqui a acumular dívidas sem fim, temos é de ver quais os problemas mais urgentes. Tentar gerir melhor as prioridades e não colocar as dívidas à frente das secções.

A dívida da AAC com o exterior tem diminuído, mas em relação às secções, em especial às desportivas, continua elevada. Como resolvias o problema?

Prende-se com a transparência e eficácia a nível da atribuição das verbas da Queima das Fitas, por exemplo. Sobre pressão, vemos que se conseguem avanços, como aconteceu com a Secção de Fado, em que acabou por se chegar a um entendimento.

Qual o papel que a AAC pode ter na discussão das políticas públicas de Ensino Superior (ES)?

Um dos grandes problemas que continua a afetar o ES é o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES). Há muito tempo que a sua revisão devia ter acontecido. Vemos que a própria DG/AAC e, por consequência, a AAC, não tem sido muito ativa em relação a este assunto. É de manter o assunto atual e não deixar que o debate desapareça. Quando se falou na questão do Regime Fundacional, os estudantes uniram-se em torno disso e conseguiram impedir que este se estabelecesse aqui em Coimbra, o que  não aconteceu noutras universidades. Apesar de tudo, o RJIES que aprovou o Regime Fundação continua em vigor e traz com ele outros problemas a nível de democracia interna. No Conselho Geral, por exemplo, cinco dos 35 membros são estudantes e outros dez são entidades externas.

É impensável que os estudantes tenham uma palavra tão pequena na gestão da própria universidade.

Como é que a tua lista se posiciona quanto às propostas do próximo Orçamento do Estado para o ES?

Uma das questões essenciais é a abertura de residências. Estavam previstas no orçamento anterior e foram adiadas, é preciso lutar para que isso não volte a acontecer e  sejam construídas.

Quais são as propostas para as Secções Culturais?

Terá sempre de haver um grande diálogo com elas no sentido de perceber quais são os seus problemas e de que maneira a DG/AAC pode contribuir para os resolver. O nível prático prende-se com a gestão dos espaços do edifício e  com a valorização das secções. Não é segredo que todos os anos existem problemas que vêm a público com secções ou grupos autónomos aquando das festas académicas. O que vemos é que, no caso da Latada, há necessidade de reestruturar a festa para colocar os estudantes no centro. Que seja de facto uma festa académica para os estudantes e onde as secções têm sempre uma posição privilegiada relativo a tudo o resto.

E para as Secções Desportivas?

Passa muito pelo diálogo. Com algumas secções que estão mais distanciadas, seria necessário aumentar a informação junto dos estudantes, para que tenham conhecimento das suas atividades e se sintam mais próximos delas.

O que propões para os Organismos Autónomos?

Terá sempre de passar pelo diálogo, informação e trabalho em conjunto para que, no contexto quotidiano, se possam abordar problemas desses organismos e para que sintam que a DG/AAC pode contribuir para os resolver. Mas são autónomos e se entenderem que não precisam… há que haver um diálogo.

E para os Núcleos?

Os núcleos têm um papel muito importante no funcionamento da AAC e beneficiam de uma proximidade com os estudantes que a DG/AAC não tem. A nível de comunicar problemas locais, quer sejam problemas pedagógicos ou de infraestruturas de uma dada faculdade, os núcleos têm o grande papel de apontar estas situações e de as comunicar. Depois, a Académica pode lutar contra elas.

A AAC participou na última greve climática. Que medidas propões para uma academia mais amiga do ambiente?

A DG/AAC deve trabalhar com o Grupo Ecológico da AAC para mudar aquilo que eles entenderem e consultar sempre os estudantes antes de as aplicar.

Mais uma vez houve um grupo académico a boicotar a Latada. Qual a tua posição?

Esses boicotes surgem porque há uma falta de preocupação por parte da DG/AAC e da organização das festas académicas em beneficiar os grupos da casa. Há que colocá-los nas festas e garantir as condições necessárias para atuarem e se sentirem  confortáveis. A Comissão Organizadora da Queima das Fitas está a ser revista em Assembleia de Revisão de Estatutos Extraordinária da AAC, não vale a pena estar a pronunciar-me, temos de ver o que sai daí. A organização e a estrutura das Festas Académicas deve ser repensada no sentido de valorizar as secções e os estudantes.

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