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Ensino Superior

“A inclusão do aluno internacional custa apenas sete mil euros à UC”

Mafalda Pereira

UC recebe quase 6 milhões de euros com estudantes brasileiros a cada ano letivo. Propostas de intervenção são entregues à reitoria na próxima quinta-feira. Por Mafalda Pereira e Jade Sanglard

Teve lugar na Casa da Lusofonia esta terça-feira, a partir das 20h30, um fórum estudantil com foco nas propinas dos estudantes internacionais. A iniciativa, organizada pela Associação de Pesquisadores e Estudantes e Brasileiros (APEB) e por membros estudantes do Conselho Geral (CG) da Universidade de Coimbra (UC) visou promover o debate e encontrar soluções concretas para a questão das propinas. 

O presidente da APEB, Rafael Firpo, expôs a problemática não só do ponto de vista dos estudantes brasileiros, mas também dos dos países lusófonos, que sofrem com o elevado preço da propina. “É surreal para a realidade económica do Brasil e Angola pagar sete mil euros anuais à UC”, comentou o presidente da organização.

Ao introduzir a conversa sobre os custos para a universidade, Rafael Firpo passou a palavra a Luiza Abisaab, representante da organização Vozes no Mundo e senadora pelo Colégio das Artes da UC. A senadora apresentou dados relativos à evolução do número de estudantes de nacionalidade estrangeira e aos custos académicos quer para estudantes internacionais quer para a universidade.

A representante da Vozes no Mundo explica que, no seu ponto de vista, “o Ensino Superior devia ser gratuito em todos os lugares”. Ao evocar o cartaz “Universidade 5 Estrelas”, que tem como um dos lemas a inclusão, Luiza Abisaab propõe a reflexão de que “a inclusão custa apenas 7 mil euros”, valor anual das propinas para um estudante internacional. Acrescenta ainda que os estudantes brasileiros são responsáveis pela arrecadação de quase 6 milhões de euros da UC.

O terceiro orador da noite e representante do 3º ciclo do CG, Luís Coimbra, aponta para a necessidade de criar uma meta relativamente à propina. De maneira a que os estudantes internacionais consigam ter o valor reduzido, à semelhança do nacional, “é necessário engolir o orgulho e entrar em negociação com os corpos dirigentes da UC”, completa o interveniente. A questão da qualidade foi também abordada por Luís Coimbra, que refere que os estudantes vêm com o sonho de receber uma educação de excelência pelo preço que pagam, mas “deparam-se com uma desilusão quando chegam”.

Quanto à problemática do alto valor da propina e da falta de ação dos corpos dirigentes, a representante do 1º e 2º ciclos do CG, Ana Rita Querido, lançou o desafio de criar em tempo recorde um documento a ser redigido na próxima quinta feira e posteriormente apresentado ao CG. “Já que não fazem nada, têm aqui uma proposta”, arremata. Em adição ao que foi dito pelo representante do 3º ciclo do CG sobre a qualidade do ensino, Ana Rita Querido questiona se há um acompanhamento pessoal e aulas especializadas “que justifiquem os sete mil euros de propina anual para o estudante internacional”.

O representante dos estudantes da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Vítor Sanfins, aponta a inércia da Associação Académica de Coimbra (AAC) na luta pela causa da redução da propina dos estudantes internacionais. “Enquanto não for tomada uma ação interventiva por parte da AAC, a questão não terá visibilidade”, conclui.

Antes de abrir espaço para debate, o presidente da APEB lamentou o número reduzido de pessoas a atender o evento: “dos 3000 estudantes internacionais na UC, pouco mais de 30 marcam presença no Fórum”. Quando questionado sobre o critério de escolha dos intervenientes, Rafael Firpo esclareceu que “foram escolhidos representantes que podem levar a discussão da propina à reitoria”.

“Levar a voz dos estudantes para as ruas” foi o que moveu o presidente da APEB a desenvolver a iniciativa. Para além disso, pretende ainda promover mais eventos que abordem as “questões de alojamento, estrutura, adequação cultural”.

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