Cultura

TMP rouba a cena e leva grande prémio do 29º FESTUNA

Pedro Emauz Silva

Tunos portuenses receberam quatro prémios este fim de semana. Presidente da DG/AAC não esteve presente na entrega dos prémios. Por Gabriel Rezende

Foi com os seus ritmos inspirados pelos anos 1930 que a Tuna de Medicina do Porto (TMP) conseguiu o prémio máximo da 29ª edição do Festival Internacional de Tunas de Coimbra – FESTUNA. Para além de Melhor Solista, foram galardoados pela exibição dos seus estandartes e pela peça instrumental.

Décio de Sousa e Pio de Abreu, participantes da Crise Académica de 1969, foram os responsáveis pelo anúncio da vitória portuense. Já o presidente da Direção-Geral da Associação Académica de Coimbra (DG/AAC), Daniel Azenha, não compareceu à entrega dos prémios ao ser chamado ao palco.

Os tunos portuenses investiram nos estandartes, que não cessaram o quase frenesim compassado. O amarelo, cor-símbolo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, e o preto voaram sob o som de “Palladio”, o instrumental vencedor de autoria da TMP cujo nome é em homenagem ao arquiteto renascentista Andrea Palladio.

A TMP revelou que tem sido “cada vez mais difícil manter vivas as tradições académicas e os festivais de tunas”, pelo que o convite foi muito bem visto. Com “Fortuna”, a TMP trouxe um pouco da América ao Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV). O tema tem inspiração jazzística, com improvisos vocais e dos trompetes.

Tocaram ainda a “Valsa pelo meu país”, mais um original, em memória ao 25 de abril. Acabaram a apresentação com “Noites de Ronda”, hino da tuna portuense que, acompanhado das coreografias dos pandeiretas, levou a uma grande ovação pelo público.

Uma Viagem (A)Temporal

O público viajou sem sair das suas poltronas com a Sociedade Filarmónica Recreativa e Beneficente Vilanovense. Foi-se de uma França revolucionária do século XIX, com a canção de Fantine, do musical de Claude-Michel Schönberg “Les Misérables”, aos Estados Unidos em plena Guerra Fria, com um ‘medley’ de “Chess”, com música da banda sueca ABBA. Tudo isto sem esquecer da terra natal, com “Madrugada”, de Duarte Mendes.

Foi desta maneira que, a convite da Estudantina Universitária de Coimbra (EUC), a Sociedade Filarmónica Recreativa e Beneficente Vilanovense inaugurou o palco do TAGV. Ainda na nona badalada da cabra, o TAGV já se ia transbordando de um público faminto por música.

Logo depois era a vez dos lisboetas entrarem em palco. A Estudantina Universitária de Lisboa, vencedora do prémio Melhor Serenata, com a apresentação da passada sexta-feira, na Praça 8 de Maio, Saudou a sua Lisboa, mas também a cidade que os acolheu neste FESTUNA. “Vir a Coimbra tem sempre um sabor especial”, declarou um dos tunos.

Sob o som de “Desfolhada”, rodopiaram os estandartes alvinegros da capital de Portugal e saltaram os pandeiretas. A tuna amadrinhada pela “rainha do Fado”, Amália Rodrigues, acabou com o tema “Lisboa Eterna”, da Tuna Académica de Lisboa do ISCTE.

Já o azul da Azeituna – Tuna de Ciências da Universidade do Minho continuou a viagem que iniciara a Filarmónica Vilamonense. A influência céltica não passou desapercebida, mas foi o Atlântico que ligou toda a apresentação, com o original “Percurso”.

O coentro e o colorau do Nordeste de Luiz Gonzaga deixaram-se sentir pelo hino ao sertão brasileiro “Asa Branca”. Mas foi o estandarte, em que com luzes se escrevia a inicial dos tunos bracarenses, no palco a meia luz, que deixou o público em polvorosa. Sobre patins, o tuno impressionou o público e arrancou-lhe uma salva de palmas.

Os Galos também são simpáticos

Barcelos também saiu premiada, sendo simpatia o critério que lhes rendeu a distinção. O início da Tuna Académica do IPCA – Barcelos foi tímido, apenas ao som das guitarras, mas o ritmo só foi a crescer. Os tunos barcelenses cantaram a “Saudade” que têm de casa e com a qual partem da cidade dos estudantes.

Puseram os seus pandeiretas a dançar sob o tema de Carlos Paião, “Eu não sou poeta”. No fim, a homenagem foi ao mascote, o Galo de Barcelos. Com a canção “O galo é o dono dos ovos”, os barcelenses da Tuna Académica do IPCA – Barcelos cacarejaram e guardaram lugar na memória do público.

Para fechar a 29ª edição do FESTUNA, foi a vez da anfitriã mostrar a que veio. A EUC cantou Camões, em “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” e pôs “Dois fados à conversa”, numa homenagem aos fados do Tejo e do Mondego.

Já no fim, com a ajuda de antigos membros da EUC, os estudantinos agradeceram às guias que acompanharam as tunas visitantes com uma serenata, “Meio noite ao luar”. Os tunos conimbricenses fecharam o festival com “Traçadinho”, para deixar frescas as memórias do passado académico que se tem na cidade dos estudantes.

Fotografias por Pedro Emauz Silva

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