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Ensino Superior

Saúde mental na UC [Parte II]: estudantes são grupo de risco e o acompanhamento é essencial

Vasco Borges

Para combater o problema é essencial quebrar o estigma de pedir ajuda. “Prevenir e cuidar” foi o lema do seminário. Por João António Gama e Jade Sanglard

A Sala do Carvão da Casa das Caldeiras recebeu, nesta terça-feira, o Seminário de Promoção de Saúde Mental em Espaço Universitário, promovido pelos estudantes conselheiros gerais da Universidade de Coimbra. Alunos, docentes e profissionais da área foram convidados a abordar e debater questões que sensibilizam a comunidade académica em relação à importância deste tema.

O painel da tarde abriu com a intervenção de Célia Lavaredas, médica de consulta geral dos serviços de saúde dos Serviços de Ação Social da Universidade de Coimbra (SASUC), que falou sobre os “corpos vulneráveis na comunidade académica”.  Os fatores que levam o aluno universitário a desenvolver doenças mentais foram expostos pela palestrante, que lida com estes casos na sua atividade profissional:. “O facto de não ser uma consulta especializada quebra o estigma”, conta. Referiu ainda que devido a estes fatores, onde se incluem a separação da família e o maior nível de exigência no ensino, a entrada no ensino superior é uma “fase de vulnerabilidade”.

João Redondo, psiquiatra do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), deu continuidade à exposição anterior, frisando os fatores de risco apresentados. Acrescentou ainda outros fatores que podem gerar situações de ansiedade no estudante, como as expectativas próprias e dos pais sobre os resultados académicos. Por outro lado, destacou a grande incidência de situações de violência sexual e abuso do álcool. Foi neste contexto que divulgou o projeto “Noite Saudável das Cidades do Centro de Portugal”, que conta com diversos subprojetos que visam minimizar o risco corrido pelos jovens nas saídas noturnas.

O segundo painel da tarde contou com a presença de três palestrantes. A presidente do SOS Estudante AAC, Diana Callebaut, apresentou a linha de apoio pela qual é responsável e falou da importância da escuta ativa e empatia para com quem procura ajuda. De seguida, a representante do Conselho Internúcleos da Associação Académica de Coimbra, Dora Santo, expôs as atividades que os vários núcleos da AAC realizam para promover a integração dos estudantes e que podem ajudar no combate à solidão. O painel teve ainda a participação de Marisa Marques, psicóloga estagiária nos serviços de saúde da Universidade de Coimbra, que salientou a relevância do apoio psicológico e emocional entre pares. “Os jovens preferem recorrer a um amigo ou colega”, realça a psicóloga, que referiu também que o uso problemático das tecnologias pode agravar o risco de doenças mentais.

Encerramento procurou pensar o futuro

A última sessão do evento, a propósito da “saúde mental na UC: o futuro”, foi aberta pelo provedor do estudante, Paulo Peixoto, que identificou a existência de barreiras que dificultam a perceção dos problemas desta natureza do ponto de vista do estudante e do docente. Segundo a experiência do próprio, quem sofre com este tipo de situação tem por vezes dificuldade em identificá-los: “Quando estava na Ordem dos Advogados, verificava que 30% das pessoas que procuravam apoio jurídico precisavam na verdade de apoio psicológico ou psiquiátrico”. Por fim, destacou a falta de preparação dos docentes para apoiar e lidar com estudantes que têm doenças mentais.

Nuno Madeira, psiquiatra no CHUC e no Centro de Estudos e Intervenção no Adulto Jovem, evidencia que a depressão é a doença que tira mais qualidade de vida e que o stress é a principal causa de incapacidade laboral. Assim sendo, é importante estar atento à saúde mental não só dos estudantes, mas também dos docentes e funcionários das faculdades. As áreas chave para o combate a este problema foram delineadas pelo diretor clínico dos serviços de saúde dos SASUC, António Queirós: a deteção precoce, atenção aos novos grupos de risco e a supressão do estigma de recorrer à ajuda, em especial entre os homens.

Lígia Bugelli, estudante de doutoramento em Direitos Humanos, insistiu que há maior incidência de problemas de saúde mental entre estudantes de terceiro ciclo do ensino superior, que lidam com ansiedade, stress e com dificuldade de autorregulação. Segundo a mesma, é importante perceber que todas as pessoas já passaram ou vão passar por problemas de saúde mental. “Fazer esta reflexão é um passo fundamental para desenvolver a capacidade de empatia, para que deixe de ser tabu.”, explicou. Sara Costa, ex-embaixadora da Académica Start UC e coorganizadora do evento Brain 4.0, reforçou a ideia de que é necessário fazer mais pela saúde mental, e deu como exemplo a promoção de mais debates e colóquios.

No encerramento do seminário, o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, saudou a iniciativa e comentou que, quando assumiu o cargo, ficou surpreendido com as ações levadas a cabo pelos serviços médicos dos SASUC para apoio psicológico aos estudantes e com a quantidade de alunos que recorrem aos mesmos.

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