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Ensino Superior

Dux veteranorum revela passadas transgressões dos Capas & Kopos

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Tertúlia acusada de incitar objetificação da mulher já recebeu advertências por ferir o Código de Praxe. Núcleo de Estudantes de Direito preferiu não comentar caso. Por Gabriel Rezende

O dux veteranorum do Conselho de Veteranos da Universidade de Coimbra – Magnum Concilium Veteranorum (MCV), Matias Correia, criticou as atividades da tertúlia Capas & Kopos durante um convívio, na passada terça-feira. A revelação surgiu após a publicação de uma nota de repúdio pela Secção de Defesa dos Direitos Humanos da Associação Académica de Coimbra (SDDH/AAC).

Matias Correia conta que os Capas & Kopos já foram sinalizados pelo MCV como “um grupo de risco”, dadas as repetidas advertências que o órgão emitiu contra a tertúlia de Direito. O dux veteranorum assinala ainda o facto de os Capas & Kopos serem uma das tertúlias que “mais transgride o Código de Praxe”.

O dux veteranorum explica que a vigilância das tertúlias é um assunto delicado. Apesar de o MCV ser a autoridade, Matias Correia declara que “cada tertúlia tem um modo de praxar” e que acabam por transgredir o Código de Praxe por este motivo. “Quando as próprias tertúlias não reconhecem o MCV como autoridade e colocam de lado as advertências que lhes são dadas, o problema torna-se mais difícil de colmatar”, acrescenta Matias Correia.

No entanto, segundo explica o dux veteranorum, o MCV, ainda que responsável pela regulamentação da atividade praxística coimbrã, não tem autoridade sobre os convívios académicos, pois estes não se encontram inseridos em contexto de praxe. “O MCV não sabe como pode agir porque [os convívios] não estão ligados à praxe”, arremata.

Matias Correia propõe, como solução ao caso, que a tertúlia Capas & Kopos “seja punida com um processo disciplinar” pela reitoria da Universidade de Coimbra. “Não conseguimos pôr entraves a comportamentos das pessoas”, declara o dux veteranorum.

“A praxe baseia-se num jogo de poderes”

A presidente da SDDH/AAC, Luiza Ambrósio, considera que “a praxe tem fugido muito dos valores originais” e que há “muito machismo e sexismo” no contexto académico. Para Luiza Ambrósio, “o sexismo e não é exclusivo da praxe”, mas que estes valores se acentuam na praxe pois é baseada “num jogo de poderes”.

A principal crítica da SDDH/AAC é, segundo a presidente da secção, a exploração da sexualidade feminina e lésbica para o prazer masculino. O comentário faz referência a um dos desafios propostos no convívio, que incitava o beijo entre duas mulheres em troca de bebidas espirituosas. “A prerrogativa do álcool é recorrente nos convívios académicos e na praxe e acentua comportamentos inadequados”, considera Luiza Ambrósio.

“A SDDH/AAC tem vindo a falar sobre sexismo e trazer à tona estes temas nas festas académicas, como na Festa das Latas e na Queima das Fitas”, refere a presidente da SDDH/AAC. Garante ainda que o órgão intervém, sempre que julga necessário, através de notas e comunicados, pois são formas de “levar as pessoas a ter reflexões sobre os Direitos Humanos”.

Para além da intervenção pró-ativa junto aos estudantes universitários, Luiza Ambrósio conta que a SDDH/AAC fala de temas como violência e papéis de género nas escolas para que os futuros estudantes “tenham uma nova mentalidade ao chegar ao Ensino Superior”.

O convívio ganhou notoriedade após a SDDH/AAC publicar nota de repúdio em relação a atividades que estavam “à violação dos Direitos Humanos”. Na festa, as mulheres eram incentivadas a realizar desafios de cariz sexual em troca de bebidas espirituosas. As atividades incluíam beijar membros da tertúlia Capas & Kopos, outras mulheres, ou ainda “mostrar as mamas”.

O Jornal A Cabra conversou com o presidente do Núcleo de Estudantes de Direito da Associação Académica de Coimbra, mas este preferiu não comentar o assunto uma vez que a tertúlia “é aberta a estudantes de outros cursos”. A tertúlia Capas & Kopos não teve disponibilidade para comentar o caso até à publicação deste artigo.

Com Maria Monteiro

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