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Cidade

Cidade dos estudantes une-se pelo meio-ambiente

Leonor Garrido

Iniciativa mundial juntou os cidadãos de Coimbra na marcha pelo clima. Responsáveis da organização lamentam as poucas alterações efetuadas na cidade desde a última greve. Por Leonor Garrido

Do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra (JBUC) partiu a terceira Greve Climática, desta vez não só Estudantil, mas Global. Nesta sexta feira, dia 27, pessoas de todas as idades marcharam em direção à Câmara Municipal de Coimbra (CMC), juntos pela “justiça climática”.

“Senhor Ministro, ouça a nossa voz, os homens de hoje em dia também querem ser avós!” e ”O lucro é mais poluente do que toda esta gente” foram algumas das expressões se puderam ouvir no centro de Coimbra durante a manifestação.

Beatriz Henriques, estudante da Licenciatura em Design e Multimédia na Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC foi uma de muitos estudantes que marcaram presença. Explicou que as razões que a levaram a participar foram uma maior consciencialização e preocupação com o estado do planeta.

“As pessoas têm que ter noção que tudo o que fazem afeta alguma coisa”, desabafa Beatriz Henriques. “Se usar demasiado plástico ou comer determinado tipo de comida tem um maior impacto ambiental é preciso diminuir esse consumo”, acrescenta.

Também o coordenador do Grupo Amnistia Internacional de Coimbra (GAIC), Alexandre Neubauer, compareceu na manifestação. Refere que as pautas climáticas são “fundamentais para a existência dos seres humanos como indivíduos”. “Se não se procurar defender o meio ambiente, os direitos humanos estão também, de certa forma, a ser violados”, reitera Alexandre Neubauer.  

O coordenador acredita que a discussão que tem surgido à volta do assunto “acaba por fazer pressão política e assim vai conseguir ver-se medidas mais concretas em breve”.  Acrescenta que também a um nível individual é preciso mudança e que a necessidade de pensar as atitudes do quotidiano numa perspetiva coletiva é fundamental.

À porta da CMC foram pronunciadas as medidas pelas quais os cidadãos marcharam, como a “neutralidade carbónica até 2030 e não 2050” ou a “implementação de um verdadeiro plano de eficiência energética”.

Apesar de ser a terceira greve pelo clima, “nada tem mudado”, confessa Carolina Silva, uma das responsáveis pela organização da Greve Climática e estudante do Mestrado Integrado em Psicologia na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UC. “Um grande abate de zonas verdes, a falta de ecopontos, a sujidade constante no Parque Verde do Mondego e no próprio rio ou a necessidade de melhoria nos transportes públicos” são algumas das preocupações da estudante. “Não se vê mudança e é por isso que estamos aqui outra vez”, explica Carolina Silva.

“A Câmara está sempre a dizer que tem investido nos transportes públicos elétricos no entanto os que vemos são muito poucos”, reconhece Rita Vasconcelos, também responsável pela organização da Greve e estudante de Direito na Faculdade de Direito da UC. Acrescenta que “não se pode falar destes quando, ao mesmo tempo, está há anos planeada a construção do aeroporto de Coimbra”. “Toda a gente sabe que os aviões são o segundo meio de transporte mais poluente”, explicita Rita Vasconcelos.

Apesar de nesta greve ter sentido alguma abertura ao diálogo, “um pouco pressionada pelos média”, a responsável espera conseguir sentar-se à mesa com os dirigentes e falar sobre a cidade de Coimbra.

“A nível estudantil nota-se uma maior mobilização”, constata a estudante. Além disso, refere o facto de a Associação Académica de Coimbra se ter juntado à greve como algo positivo e espera que a sua presença se reflita “no envolvimento dos Núcleos de Estudantes para com a causa”.

Rita Vasconcelos confessa que “se chegou a um ponto tão crítico que as opções particulares já não vão levar a lado nenhum, apenas a ação coletiva”. Contudo, de uma perspetiva individual, acredita que “o mais poderoso que se pode fazer é votar, seja nas associação de estudantes, ou nas eleições legislativas”. 

Revela que também adotar hábitos mais sustentáveis ou juntar-se a grupos envolvidos no assunto são algumas das coisas que se pode fazer a nível pessoal. “Muitas vezes pensamos que estamos sozinhos mas, pelo facto de estarmos nesses grupos, vemos que há mais pessoas que querem lutar pelo mesmo”, conclui.

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